Setor de serviços cresce 1,2% em abril e recupera queda registrada em março, aponta IBGE

Resultado foi impulsionado pelos transportes e mantém o setor próximo do maior nível já registrado na série histórica

Setor de serviços cresce 1,2% em abril e recupera queda registrada em março, aponta IBGE

O volume de serviços no Brasil avançou 1,2% em abril de 2026 na comparação com março, recuperando integralmente a retração de 1,1% registrada no mês anterior. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O crescimento foi observado em todas as cinco atividades analisadas pela pesquisa, com destaque para o segmento de transportes.

Na comparação com abril de 2025, o setor apresentou expansão de 1,9%, alcançando o 25º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. O desempenho confirma a resiliência de um dos principais motores da economia brasileira, responsável por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Por que o setor de serviços voltou a crescer em abril?

Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, Rodrigo Lobo, o resultado representa uma recuperação completa da perda observada em março e ocorreu de forma disseminada entre os segmentos pesquisados.

“O mês de abril trouxe uma recuperação integral do revés observado em março. Esse movimento também se deu de forma disseminada, ou seja, se em março todos os cinco setores recuaram, em abril, fizeram o movimento inverso, quando todos cresceram”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, fatores estatísticos relacionados ao número de dias úteis contribuíram para a oscilação entre os dois meses.

“O resultado de março pode ser explicado por conta do modelo de ajuste sazonal. Foi um mês com uma quantidade elevada de dias úteis (22) e o modelo acaba suavizando o movimento, o que acabou gerando uma pressão maior sobre o mês passado. Já abril acabou beneficiado por essa base de comparação mais baixa do mês anterior”, explicou.

Setor opera próximo do recorde histórico

Mesmo com as oscilações recentes, o nível de atividade permanece elevado. Segundo o IBGE, o setor de serviços em abril operou praticamente no mesmo patamar observado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

“Reforço, portanto, que o setor de serviços mantém operando em patamar elevado, apenas 0,3% abaixo do topo de sua série, alcançado em outubro de 2025, mas sem uma trajetória muito bem definida”, destacou Rodrigo Lobo.

Esse comportamento indica que o segmento continua sustentando parte relevante do crescimento econômico do país, mesmo em um cenário de juros ainda elevados e consumo mais moderado em alguns setores.

Transportes lideram crescimento dos serviços

O principal destaque de abril foi o setor de transportes, que registrou avanço de 0,9%, recuperando parte da queda de 1,6% observada em março.

O desempenho foi influenciado principalmente pelo transporte aéreo de passageiros, que cresceu 7% no mês após dois resultados negativos consecutivos. Entre fevereiro e março, o segmento havia acumulado retração de 16,6%.

Segundo Rodrigo Lobo, a movimentação está diretamente relacionada ao comportamento das tarifas aéreas.

“O resultado do setor de transportes é explicado, em grande medida, pelo avanço de 7,0% observado no segmento de transporte aéreo de passageiros. Esse avanço ocorre após dois resultados negativos seguidos, quando o segmento perdeu, de forma acumulada, 16,6%, entre fevereiro e março de 2026. Essa volatilidade é fortemente influenciada pelos preços das passagens aéreas, já que em fevereiro e março houve avanço de 18,4% nos preços, enquanto em abril houve queda de 14,45% desse subitem do IPCA”, afirmou.

Qual foi o desempenho do setor em 2026?

No acumulado de janeiro a abril, o volume de serviços registrou crescimento de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o acumulado dos últimos 12 meses ficou em 2,9%, mantendo o mesmo ritmo observado em março.

Os números indicam continuidade da expansão do setor, ainda que em velocidade moderada.

Tecnologia e comunicação puxam alta na comparação anual

Na comparação com abril de 2025, o avanço de 1,9% foi impulsionado principalmente pela atividade de informação e comunicação, que cresceu 6,3%.

O segmento foi beneficiado pelo aumento da demanda por serviços ligados à transformação digital, incluindo:

  • desenvolvimento e licenciamento de softwares;
  • consultoria em tecnologia da informação;
  • hospedagem e processamento de dados;
  • plataformas digitais e provedores de conteúdo;
  • serviços de telecomunicações.

O resultado acompanha uma tendência observada nos últimos anos, marcada pela digitalização de empresas e pela ampliação da utilização de soluções tecnológicas em diversos setores econômicos.

São Paulo teve maior impacto positivo entre os estados

O crescimento nacional foi acompanhado por 14 das 27 unidades da federação.

Entre os estados com melhor desempenho, destacaram-se:

  • São Paulo: 1,4%
  • Paraná: 3,0%
  • Minas Gerais: 1,4%
  • Alagoas: 23,3%

Por outro lado, os principais recuos foram registrados em:

  • Rio de Janeiro: -3,6%
  • Distrito Federal: -5,5%
  • Santa Catarina: -1,6%
  • Mato Grosso: -1,2%
  • Amazonas: -2,0%

Segundo Rodrigo Lobo, a expansão paulista foi influenciada especialmente pelos serviços jurídicos, transporte aéreo e atividades financeiras auxiliares.

“O resultado regional, na verdade, trouxe um certo equilíbrio, na medida em que 14 unidades da federação ficaram no campo positivo, acompanhando o movimento do Brasil, e outras 12 mostraram taxas negativas. Houve ainda um local que mostrou estabilidade. Porém, o resultado de cada UF traz sua dinâmica própria. São Paulo, por exemplo, que foi o principal impacto positivo, foi influenciado pelo avanço em atividades jurídicas, transporte aéreo e serviços financeiros auxiliares”, explicou.

Turismo registra recuperação em abril

As atividades turísticas avançaram 4,1% em abril na comparação com março, recuperando parte da perda acumulada de 5,2% nos dois meses anteriores.

Com o resultado, o turismo opera:

  • 11,2% acima do nível registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020;
  • 2,2% abaixo do pico histórico alcançado em dezembro de 2024.

Entre os estados, os maiores avanços ocorreram em:

  • São Paulo: 5,5%
  • Bahia: 10,8%
  • Pernambuco: 6,9%
  • Rio de Janeiro: 2,5%

Já as principais quedas foram observadas em Amazonas, Ceará e Santa Catarina.

Transporte de passageiros cresce, mas carga continua em queda

O transporte de passageiros registrou crescimento de 2,6% em abril, recuperando parte das perdas verificadas nos dois meses anteriores.

O segmento está atualmente:

  • 4,7% acima do nível pré-pandemia;
  • 19,8% abaixo do recorde histórico registrado em fevereiro de 2014.

Em sentido contrário, o transporte de cargas apresentou retração de 0,9%, acumulando queda de 1,8% em dois meses consecutivos.

Apesar do recuo recente, o setor de cargas permanece 35,9% acima do nível observado antes da pandemia, embora esteja 6% abaixo do recorde alcançado em julho de 2023.

O que mede a Pesquisa Mensal de Serviços?

A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE acompanha a receita bruta gerada por empresas formalmente constituídas com 20 ou mais trabalhadores que atuam em atividades de serviços não financeiros.

O levantamento exclui os segmentos de saúde e educação e produz indicadores para o Brasil e todas as unidades da federação.

A próxima divulgação da pesquisa, referente aos dados de maio de 2026, está prevista para 15 de julho de 2026.

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