Governo estadual anuncia corte de 60,4% na tributação interestadual do feijão e aposta em ganho de competitividade para produtores goianos
O feijão em Goiás deve ganhar novo impulso nos mercados de outros estados após o anúncio feito pelo governador Daniel Vilela nesta quarta-feira, 3 de junho. A proposta prevê uma redução expressiva na tributação aplicada às vendas interestaduais do grão in natura, diminuindo a alíquota de 6,06% para 2,4%. A mudança será encaminhada à Assembleia Legislativa por meio de um projeto de lei e tem como objetivo reduzir as dificuldades enfrentadas pelos produtores goianos na disputa por espaço comercial fora do estado.
Segundo o governador, a iniciativa foi construída após análises técnicas sobre o ambiente tributário brasileiro e os impactos nas contas públicas. “Essa medida representa uma renúncia fiscal estimada em cerca de R$ 12 milhões por ano a partir de 2027, e foi elaborada com base em estudos técnicos que avaliaram o cenário tributário nacional e a sustentabilidade fiscal do Estado com a decisão”, garantiu o chefe do Executivo Estadual.
A alteração busca corrigir uma diferença tributária que vinha afetando a competitividade do feijão em Goiás. Atualmente, produtores locais enfrentam concorrência de estados que operam com cargas menores ou até mesmo isentas. Enquanto Goiás cobra 6,06% nas operações interestaduais, Minas Gerais não aplica tributação sobre o produto. No Paraná, a alíquota é de 1%. Já Mato Grosso trabalha com cerca de 4,5%, enquanto o Distrito Federal adota os mesmos 2,4% que agora passam a valer para os produtores goianos.
A questão tem impacto direto sobre a comercialização da safra. Como aproximadamente 70% da produção estadual precisa ser enviada para outras unidades da federação, a diferença de custos influencia a capacidade de disputa nos principais mercados consumidores do país. Com o novo percentual, a intenção é criar condições mais equilibradas para os agricultores do estado.
Integrantes da equipe econômica e do setor agropecuário avaliam que a medida pode facilitar a circulação do produto e ampliar oportunidades de negócios. “Fizemos planejamento para conceder o benefício e entendemos que a medida vai favorecer a comercialização do produto”, explicou a secretária da Economia, Renata Noleto.
Na mesma linha, o secretário da Agricultura, Ademar Leal, destacou os efeitos da diferença tributária entre os estados. “A decisão faz todo sentido pela concorrência desleal, principalmente do Distrito Federal e Minas Gerais”, avaliou.
O anúncio foi recebido com entusiasmo por representantes do setor produtivo. Em Cristalina, um dos principais polos agrícolas do estado, produtores acompanharam a decisão de perto. “Quero agradecer a sensibilidade do governador e da sua equipe. É um pleito muito antigo que a gente nunca desistiu”, comemorou o produtor rural Dário Luiz.
O prefeito de Cristalina, Luís Otávio, também destacou a relevância da medida para a economia local. “Destrinchou a pauta e está fazendo acontecer. Os produtores já estavam desacreditados com esta reivindicação”, comentou.
Durante o anúncio, Daniel Vilela também ressaltou o apoio da Federação da Agricultura do Estado de Goiás. “Com muita sensibilidade e diplomacia a entidade nos ajuda a construir soluções que o agronegócio exige”, considerou o governador ao mencionar a atuação do presidente em exercício da Faeg, Eduardo Veras.
Para Veras, a redução tributária pode gerar reflexos positivos em toda a cadeia produtiva. “A partir do momento que a gente realmente reduzir essa carga, vamos aumentar a produtividade de Goiás e é isso que a gente espera”, afirmou.
Representantes de entidades ligadas ao agronegócio compartilham da mesma avaliação. Leonardo Machado, integrante da Aprosoja e do IFAG, acredita que a medida pode ajudar o estado a recuperar espaço no mercado nacional. “Goiás sempre foi expoente na produção de feijão. Tenho certeza que agora com essa atitude, vamos retomar a competitividade aqui no estado e novamente retomar à posição de destaque”, sublinhou.
Atualmente, Goiás ocupa a quinta posição entre os maiores produtores brasileiros de feijão, respondendo por 9,7% de toda a produção nacional. Dados da Conab indicam que a safra 2025/2026 deverá alcançar 281,2 mil toneladas em uma área cultivada de 109,2 mil hectares.
Mesmo com uma redução de 8,4% na área plantada e queda de 3% na produção em relação ao ciclo anterior, a produtividade deve avançar 5,9%, atingindo média de 2,6 toneladas por hectare. O desempenho coloca o estado entre os mais eficientes do país na cultura.
A importância econômica do feijão em Goiás também aparece nos números financeiros do setor. O Valor Bruto da Produção Agropecuária da cultura está estimado em R$ 1,63 bilhão em 2026, resultado 20,5% superior ao registrado no ano anterior.
O estado possui o quarto maior VBP do Brasil para o feijão e responde por 12,1% de toda a riqueza gerada pela atividade no país. O cultivo está presente em 91 municípios, demonstrando a capilaridade da produção e sua relevância para a economia regional.
Entre os principais produtores estão Cristalina, São João d’Aliança, Jussara, Luziânia, Paraúna, Catalão, Água Fria de Goiás, Planaltina, Campo Alegre de Goiás e Formosa. Juntas, essas cidades concentram uma parcela significativa da safra estadual e ocupam posição estratégica na cadeia produtiva do grão.
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