Tribunal de Contas de Goiás aponta economia bilionária, correção de falhas administrativas e avanços na gestão pública estadual
A atuação do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) resultou em uma economia superior a R$ 2,2 bilhões para os cofres públicos estaduais em 2025. O valor foi alcançado por meio de fiscalizações, correções em processos administrativos, devoluções de recursos e aplicação de multas. Os dados fazem parte do levantamento realizado pelo sistema Benefícios das Ações de Controle Externo (BACE), responsável por medir os impactos das atividades de fiscalização conduzidas pelo órgão.
Os números revelam um retorno expressivo para a administração pública. Enquanto o custo operacional do Tribunal em 2025 foi de R$ 577 milhões, os benefícios financeiros identificados ultrapassaram R$ 2,29 bilhões. Na prática, isso significa que, para cada R$ 1 utilizado no funcionamento da instituição, aproximadamente R$ 4 voltaram aos cofres públicos por meio de ações preventivas e corretivas.
Entre os casos que contribuíram para o resultado está a revisão de um processo licitatório voltado à recuperação da rodovia GO-184, localizada na região sudoeste de Goiás. Durante a análise técnica, foram identificadas inconsistências nos quantitativos e nos serviços previstos para contratação. As adequações realizadas evitaram um sobrepreço estimado em R$ 19 milhões, reduzindo gastos antes mesmo da execução do contrato.
O balanço também inclui ganhos obtidos por meio das chamadas mesas técnicas, mecanismo criado para acelerar soluções entre órgãos públicos e equipes de fiscalização. Das nove reuniões realizadas em 2025, duas geraram benefícios financeiros que somaram R$ 257,4 milhões, demonstrando o potencial da iniciativa para reduzir custos e aprimorar decisões administrativas.
Uma das principais economias registradas pelas mesas técnicas ocorreu na área de infraestrutura. Ajustes nos greides, relacionados à inclinação e altura das pistas, em seis trechos rodoviários do estado proporcionaram uma redução de aproximadamente R$ 245 milhões nos custos previstos. A medida permitiu aperfeiçoar projetos em andamento sem comprometer a qualidade das intervenções.
Criadas recentemente, as mesas técnicas funcionam como instrumentos complementares à fiscalização tradicional. O objetivo é promover entendimento entre gestores e órgãos de controle antes que problemas avancem para estágios mais complexos, contribuindo para decisões mais rápidas e eficientes.
Além dos ganhos financeiros, o relatório do BACE destaca um amplo conjunto de melhorias administrativas implementadas ao longo do ano. Essas ações envolvem aprimoramento de processos internos, fortalecimento de mecanismos de controle, gestão de riscos e aperfeiçoamento de rotinas em diferentes órgãos estaduais.
Segundo a chefe do Serviço de Qualidade do Controle Externo, Amanda Fagundes Lima, esses resultados também produzem impactos relevantes na administração pública. “são ações de melhoria de gestão, de implementação de rotinas, de controle de riscos, enfim, são benefícios significativos que impactam sobremaneira os órgãos e evitam, inclusive, o uso indevido de recursos”.
O levantamento mostra que os benefícios qualitativos responderam pela maior parcela dos resultados registrados pelo Tribunal. Foram contabilizadas 840 ações de melhoria, equivalentes a cerca de 97% do total de benefícios identificados em 2025.
Esses avanços nem sempre podem ser convertidos em valores financeiros imediatos, mas contribuem para reduzir desperdícios, prevenir irregularidades e elevar a eficiência dos serviços prestados à população. Por isso, são considerados estratégicos para o fortalecimento da gestão pública estadual.
A área de Administração do Estado concentrou o maior número de benefícios apurados, com 565 registros. Em seguida aparecem Previdência Social com 126 ocorrências, Educação com 50, Saneamento com 30 e Saúde com 28. Também foram contabilizados resultados em setores como meio ambiente, infraestrutura, segurança pública, desenvolvimento social, habitação, indústria, comércio, serviços, esporte, trânsito e Poder Judiciário.
Ao todo, o relatório registrou 867 benefícios qualitativos e quantitativos, demonstrando o alcance das ações de controle realizadas pelo TCE-GO em diversas áreas da administração estadual e evidenciando como a economia gerada pelo TCE-GO impactou diretamente a gestão dos recursos públicos em 2025.
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