Nova projeção da Fazenda coloca índice no teto da meta oficial após disparada do petróleo e mantém expectativa de crescimento do PIB em 2,3%
O Ministério da Fazenda revisou para cima a previsão da inflação brasileira em 2026 e agora estima alta de 4,5% no ano. O novo cálculo foi divulgado nesta segunda-feira, 18 de maio, no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE). A mudança ocorre em meio à pressão causada pelo avanço dos preços internacionais do petróleo, influenciados pela escalada do conflito no Oriente Médio. Mesmo com a deterioração do cenário inflacionário, o governo manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2,3% neste ano.
A atualização levou a estimativa oficial exatamente ao limite máximo da meta contínua de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional. O sistema estabelece centro de 3% e margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, a previsão também foi alterada e passou de 3% para 3,5%, indicando preocupação prolongada com o comportamento dos preços nos próximos meses.
Segundo o Ministério da Fazenda, o avanço da inflação está ligado principalmente à valorização do barril de petróleo no mercado internacional, que superou os US$ 110 em meio às tensões geopolíticas no Golfo Pérsico. O documento aponta que combustíveis e derivados seguem pressionando a cadeia econômica e podem atingir diferentes setores da atividade nacional.
“A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, informa a Secretaria de Política Econômica no relatório.
Apesar do aumento da projeção inflacionária, a equipe econômica avalia que parte dos impactos pode ser reduzida ao longo do segundo semestre. Entre os fatores considerados pelo governo estão a valorização recente do real frente ao dólar e medidas voltadas para diminuir o repasse dos combustíveis aos consumidores.
“Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, destacou o documento.
O Boletim Macrofiscal serve de base para o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser enviado ao Congresso Nacional na sexta-feira, 22 de maio. O relatório orienta a execução do Orçamento federal e pode indicar bloqueios de gastos e congelamentos de recursos para garantir o cumprimento das metas fiscais estabelecidas pelo governo.
A Fazenda também manteve inalterada a projeção do PIB para 2027 em 2,6%. Segundo a equipe econômica, o país deve atravessar um período de desaceleração nos próximos trimestres por causa dos efeitos da política monetária restritiva, embora exista expectativa de recuperação gradual no fim do ano.
No detalhamento da atividade econômica, a Secretaria de Política Econômica informou que houve mudança na composição do crescimento brasileiro. A indústria perdeu participação nas projeções mais recentes, enquanto o setor de serviços passou a ter maior contribuição para o desempenho do PIB. A agropecuária permaneceu estável no cenário desenhado pelo governo.
“No primeiro trimestre, a projeção agregada também foi preservada, embora com alterações de composição: a indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição”, informa a SPE.
A expectativa oficial é de desaceleração mais intensa entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026. A recuperação parcial da indústria, segundo o governo, deve ocorrer apenas na reta final do ano. Mesmo diante do ambiente de juros elevados, a equipe econômica afirma que o mercado de trabalho segue sustentando parte da atividade econômica brasileira.
As estimativas da Fazenda continuam acima das previsões do mercado financeiro. No boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, analistas apontam inflação de 4,92% para este ano e crescimento econômico de 1,85%. A diferença mostra que investidores seguem mais cautelosos em relação ao ritmo da economia brasileira.
O avanço das cotações internacionais do petróleo não afeta apenas os preços ao consumidor. O governo calcula que o cenário também deve elevar significativamente a arrecadação federal nos próximos meses. De acordo com a Secretaria de Política Econômica, o impacto positivo pode chegar a cerca de R$ 8,5 bilhões por mês.
O cálculo considera receitas ligadas ao setor petrolífero, incluindo royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Exportação. A avaliação da equipe econômica é de que a alta das commodities pode ajudar no equilíbrio fiscal em um momento de pressão sobre as contas públicas.
“O ganho arrecadatório viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”, destaca a SPE.
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