Estiagem, baixa umidade e incêndios aumentam o estresse térmico dos bovinos e ameaçam estruturas essenciais das propriedades rurais
A combinação de estiagem, baixa umidade do ar, temperaturas elevadas e avanço das queimadas aumenta os riscos para a pecuária de corte e de leite em Goiás durante o período seco. O cenário exige mudanças no manejo dos bovinos e atenção à infraestrutura rural, especialmente diante da possibilidade de interrupções no fornecimento de energia provocadas por incêndios próximos à rede elétrica.
O período de tempo seco é característico do inverno no Centro-Oeste. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação é marcada por menor volume de chuvas na região, enquanto massas de ar seco reduzem a umidade relativa e favorecem a ocorrência e a propagação de queimadas e incêndios florestais. Em boletim divulgado no fim de julho, o órgão previa predomínio de tempo firme em grande parte de Goiás.
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O estresse térmico em bovinos ocorre quando o animal não consegue dissipar adequadamente o calor acumulado. A resposta fisiológica inclui alterações no comportamento, aumento da frequência respiratória e maior procura por água e sombra.
A Embrapa destaca que o calor excessivo pode reduzir o consumo de alimento, afetar o crescimento e comprometer a produção de leite e os parâmetros reprodutivos. A instituição também aponta que a exposição à radiação solar intensa é um dos fatores que contribuem para o desconforto térmico dos animais mantidos em pastagens.
Em períodos de temperaturas elevadas, parte da energia que poderia ser direcionada à produção passa a ser utilizada na termorregulação. Por isso, a observação do comportamento do rebanho se torna uma ferramenta importante para identificar sinais de desconforto e ajustar o manejo.
Entre as principais medidas estão:
A recomendação é compatível com orientações técnicas da Embrapa, que considera o sombreamento natural ou artificial uma das principais estratégias para reduzir os efeitos do calor sobre bovinos em regiões tropicais.
A presença de árvores nas pastagens pode modificar o microclima ao redor dos animais e reduzir a exposição direta à radiação solar. Pesquisa publicada pela Embrapa em 2026 avaliou bovinos das raças Gir e Girolando em sistemas com e sem sombra no Cerrado e encontrou temperaturas corporais, frequências respiratórias e índices de ofegação menores nos animais mantidos sob cobertura vegetal, especialmente em condições de estresse térmico.
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma das alternativas estudadas para criar ambientes mais favoráveis aos bovinos. Segundo a Embrapa, a presença de árvores pode diminuir a incidência de radiação direta e proporcionar um microclima mais ameno, com efeitos positivos sobre comportamento, bem-estar e desempenho produtivo.
O efeito não se limita ao conforto. A Embrapa também relaciona temperaturas elevadas à redução do consumo de alimento e a alterações na reprodução dos animais.
O risco provocado pelo fogo não está restrito às áreas de pastagem. Queimadas próximas à rede elétrica podem comprometer equipamentos e provocar interrupções no fornecimento, afetando atividades que dependem de energia nas propriedades rurais.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mantém uma campanha nacional de prevenção a incêndios próximos às linhas de transmissão. O órgão alerta que queimadas em condições de clima extremo representam risco para o fornecimento de energia elétrica, além de impactos ambientais e à saúde pública.
Nas propriedades leiteiras, uma interrupção pode atingir sistemas essenciais, como tanques de refrigeração do leite. Na produção agrícola e pecuária, também pode afetar bombas, sistemas de irrigação, ordenhadeiras e outros equipamentos elétricos.
A combinação entre vegetação seca, baixa umidade e fogo exige atenção especial dos produtores durante a execução de atividades no campo. Em Goiás, a legislação estadual criou o Agosto Verde, campanha anual de conscientização e combate a incêndios e queimadas, com ações voltadas à prevenção e à orientação da população.
A prevenção inclui evitar queimadas para limpeza de áreas e manter atenção às condições da vegetação durante o período seco. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás também disponibiliza canais para registro de ocorrências de fogo e emergências ambientais, inclusive com possibilidade de envio de localização, fotografias, vídeos e áudios.
Para a pecuária, o planejamento precisa considerar simultaneamente o conforto térmico dos animais, a disponibilidade de água, a alimentação, a sombra e a segurança da infraestrutura. Em um período de baixa umidade e maior risco de incêndios, medidas simples de manejo podem reduzir os efeitos do calor sobre o rebanho e diminuir a exposição das propriedades a perdas provocadas por interrupções e incêndios.
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