Medidas de prevenção contra doença dos citros ajudam a ampliar produção de laranja, limão e tangerina no estado
A citricultura em Goiás registrou avanço na produção de laranja, limão e tangerina após a adoção de medidas de controle fitossanitário contra o greening dos citros, doença que ameaça pomares em diferentes regiões produtoras do Brasil. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), divulgados no levantamento Agro em Dados, apontam crescimento da atividade agrícola no estado, com aumento da produção e expansão das áreas cultivadas.
As ações foram implementadas para impedir a entrada e a disseminação do Huanglongbing (HLB), nome técnico do greening, uma das principais doenças da citricultura mundial. A enfermidade é causada por bactérias do gênero Candidatus Liberibacter e transmitida pelo psilídeo, inseto que interfere no desenvolvimento das plantas e pode reduzir a produtividade dos pomares.
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O avanço da produção de frutas cítricas em Goiás ocorreu paralelamente ao fortalecimento das regras de defesa agropecuária. A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) estabeleceu normas para reduzir os riscos de contaminação, especialmente na produção e circulação de mudas cítricas.
Uma das principais exigências é que viveiros destinados à produção de mudas de citros utilizem estruturas protegidas com telas de malha antiafídica, sistema que reduz o contato das plantas com insetos transmissores de doenças.
Em 2026, a Agrodefesa também criou o Programa Estadual de Prevenção e Controle Complementar ao Huanglongbing (PECHLB), voltado ao aprimoramento da vigilância, fiscalização e prevenção contra a doença no território goiano.
Segundo a agência, Goiás possui atualmente 533 citricultores cadastrados, distribuídos em 562 propriedades rurais. As ações incluem monitoramento dos pomares, fiscalização do transporte de material vegetal, inspeções em viveiros e acompanhamento de estabelecimentos que comercializam mudas.
Os números da produção indicam expansão da laranja em Goiás. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção estadual aumentou 36,7% em dez anos, enquanto a área colhida cresceu 50,4% no mesmo período.
A estimativa para 2026 aponta uma safra de 199,7 mil toneladas de laranja, volume 9,8% superior ao registrado no ciclo anterior. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) calcula que o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura no estado alcance R$ 268,1 milhões em 2026.
Entre os municípios produtores, Itaberaí aparece como principal destaque, com 38,7 mil toneladas registradas com base nos dados de 2024. Já Pontalina apresenta a maior produtividade média, com 30 toneladas por hectare.
A cultura do limão em Goiás também apresentou crescimento expressivo. Entre 2020 e 2024, a produção aumentou 87,8%, enquanto a área colhida avançou 74%. No mesmo intervalo, o valor gerado pela atividade teve alta de 90,1%.
Atualmente, o cultivo está presente em 17 municípios goianos. Itaberaí concentra a maior participação estadual, com 31,1% da produção, seguido por Abadia de Goiás, responsável por 16,3%.
O município de Hidrolândia registra a maior produtividade média da cultura, com 24 toneladas por hectare, segundo os dados apresentados no levantamento estadual.
A produção de tangerina em Goiás também ganhou espaço entre as culturas cítricas acompanhadas pelo setor agropecuário. O cultivo está distribuído por 29 municípios, e o valor da produção cresceu 38,1% entre 2020 e 2024, alcançando R$ 60 milhões.
Em 2024, Anápolis liderou a produção estadual, com 5,4 mil toneladas, enquanto Jaraguá apresentou o melhor desempenho em produtividade média, com 40 toneladas por hectare.
O combate ao greening tornou-se uma prioridade para regiões produtoras de citros porque a doença não possui tratamento capaz de recuperar plantas infectadas. A estratégia adotada por órgãos de defesa agropecuária envolve prevenção, fiscalização, uso de mudas sadias e eliminação de plantas contaminadas quando necessário.
Estados como São Paulo, maior polo citrícola do país, e áreas produtoras do Triângulo Mineiro enfrentam historicamente impactos provocados pelo HLB. Por isso, medidas preventivas em novas fronteiras agrícolas, como Goiás, são consideradas fundamentais para preservar a expansão da atividade.
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