Governo aprova datas de plantio do milho com braquiária em Goiás

Portaria do Ministério da Agricultura define datas de semeadura para a safra 2026/2027 no estado

Governo aprova datas de plantio do milho com braquiária em Goiás

O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para o milho consorciado com braquiária em Goiás, estabelecendo os períodos recomendados de semeadura para a segunda safra do ano agrícola 2026/2027. A norma foi oficializada pela Portaria SPA/MAPA nº 337, de 28 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União. O texto define, por município goiano, as janelas de plantio consideradas de menor risco climático, orientando produtores rurais na tomada de decisão sobre o cultivo.

O zoneamento é um instrumento de política agrícola usado pelo governo federal para reduzir perdas causadas por eventos climáticos adversos. No caso do consórcio entre milho e braquiária, a técnica combina a produção do cereal com a formação de pastagem ou palhada, prática cada vez mais adotada no Brasil Central como estratégia de manejo do solo e de integração entre agricultura e pecuária.

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O que é o ZARC e como funciona o consórcio com braquiária

O ZARC cruza informações de clima, solo e ciclo das cultivares para indicar as épocas mais seguras de semeadura em cada região do país. Em Goiás, o documento técnico que fundamenta a portaria descreve o milho como o cereal mais produzido no mundo, cultivado no estado majoritariamente como segunda safra, após a colheita da soja.

O consórcio com a braquiária é viável porque as duas espécies acumulam biomassa em ritmos e espaços diferentes ao longo do ciclo. A forrageira pode ser destinada à alimentação do gado entre o fim do verão e o início da primavera, ou reservada exclusivamente para a formação de palhada no sistema de plantio direto. Essa cobertura vegetal protege o solo contra a erosão e auxilia na retenção de umidade, fator relevante em regiões com distribuição irregular de chuvas.

O ministério ressalta, no entanto, que o cumprimento das janelas indicadas pelo zoneamento não elimina riscos ligados ao manejo. Falhas no controle de pragas, no combate a doenças ou na correção da fertilidade do solo podem gerar perdas significativas, mesmo quando as condições climáticas são favoráveis.

Riscos térmicos e hídricos foram considerados no zoneamento

O estudo técnico que embasa o ZARC para Goiás analisou variáveis de temperatura e disponibilidade hídrica ao longo do ciclo da cultura. O desenvolvimento ideal do milho ocorre com temperaturas diurnas entre 30°C e 33°C. Noites com temperatura acima de 24°C prejudicam o enchimento dos grãos, enquanto temperaturas abaixo de 10°C podem comprometer a emergência das plantas.

Para o cálculo do balanço hídrico, o ministério utilizou o sistema SARRA, modelo de análise regional de riscos agroclimáticos que relaciona volume de chuvas e evapotranspiração, processo de perda de água do solo e das plantas para a atmosfera. A base de dados considerou uma série histórica de 30 anos, entre 1992 e 2022, com informações fornecidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Classificação de solos e cultivares para o cultivo

As diretrizes técnicas dividem as cultivares de milho em dois grupos, de acordo com o ciclo de desenvolvimento:

  • Grupo I: cultivares com ciclo de até 110 dias
  • Grupo II: cultivares com ciclo entre 111 e 130 dias

Os solos, por sua vez, são classificados em seis categorias, de AD1 a AD6, conforme a Capacidade de Água Disponível (CAD), indicador que mede a quantidade de água que o solo consegue armazenar e disponibilizar às plantas. Terrenos com profundidade inferior a 50 centímetros ou com mais de 15% de pedregosidade na superfície ficam fora das recomendações. Áreas de preservação permanente e várzeas sujeitas a inundação também são excluídas do zoneamento.

Onde consultar os períodos de plantio em Goiás

O governo federal disponibiliza os dados do ZARC por município em três canais de acesso público:

  1. SISZARC, sistema de consulta via internet mantido pelo ministério
  2. Painel de Indicação de Riscos, interface interativa para visualização das informações
  3. Aplicativo Plantio Certo, disponível para Android e iOS

A observância dos períodos estabelecidos pelo zoneamento é, na maioria dos casos, condição obrigatória para que o produtor tenha acesso a linhas de seguro rural e ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), mecanismo federal que oferece cobertura financeira em situações de perda de safra por fenômenos climáticos.

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