Safra de grãos bate recorde e soja impulsiona produção histórica no Brasil em 2026

Levantamento do IBGE aponta crescimento da colheita nacional, avanço da soja e expansão da capacidade de armazenagem no país

Safra de grãos bate recorde e soja impulsiona produção histórica no Brasil em 2026

O Brasil caminha para registrar a maior safra de grãos de sua história em 2026. Dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, 11 de junho, apontam uma produção estimada de 350,4 milhões de toneladas, volume 1,2% superior ao registrado no ano anterior. O resultado representa um acréscimo de 4,3 milhões de toneladas e também mostra avanço de 0,5% em relação ao levantamento realizado em abril.

A nova projeção confirma o bom desempenho das principais regiões produtoras e destaca o papel da soja no crescimento do setor. A combinação entre ampliação das áreas cultivadas, investimentos em tecnologia e condições climáticas favoráveis contribuiu para elevar a produtividade em grande parte do território nacional. Com isso, a safra de grãos alcança um patamar inédito na série histórica acompanhada pelo instituto.

Arroz, milho e soja seguem como os pilares da produção agrícola brasileira. Juntos, os três cultivos representam 92,8% de toda a produção estimada para o grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas. Além disso, concentram 87,6% da área prevista para colheita em 2026, demonstrando sua relevância para o desempenho do campo.

Enquanto a soja ampliou sua área plantada em 1,1%, o milho registrou crescimento de 3,3% e o sorgo avançou 9,3%. Em sentido oposto, culturas como arroz, feijão e algodão apresentaram retração nas áreas cultivadas. Na produção, a soja teve aumento de 5,1%, enquanto o sorgo cresceu 3,9%. Já arroz, milho, feijão, trigo e algodão tiveram queda nos volumes estimados.

Safra de grãos tem destaque para a soja

O principal motor da safra de grãos em 2026 é a soja. A oleaginosa alcançou uma estimativa de 174,6 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde nacional. O volume supera em 5,1% o resultado obtido em 2025 e representa praticamente metade de toda a produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas.

Segundo o técnico da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Barradas, outras culturas também atingiram marcas históricas. “No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio de 2026, temos um recorde na produção da soja, do café canephora e do sorgo. No entanto, temos uma queda na produção do feijão, cuja produção encontra-se apertada quanto a atender ao consumo interno brasileiro, possivelmente, havendo a necessidade da importação de pequenas quantidades do produto”.

A área cultivada com soja deve atingir 48,3 milhões de hectares em 2026. O rendimento médio previsto é de 3.617 quilos por hectare, resultado 4% superior ao do ano passado. O desempenho reflete tanto os investimentos dos produtores quanto a recuperação de áreas afetadas por problemas climáticos em safras anteriores.

Carlos Barradas também explicou os fatores que levaram ao resultado histórico da cultura. “Os produtores têm ampliado as áreas de plantio e investido mais nessa cultura que se tornou o principal grão produzido pelo país. Atualmente, a produção da soja representa quase 50% da safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas. O clima também beneficiou o desenvolvimento das lavouras e contribuiu para o aumento de sua produtividade”.

Centro-Oeste lidera produção nacional

A região Centro-Oeste permanece na liderança absoluta da produção agrícola brasileira. A estimativa para 2026 é de 175,9 milhões de toneladas, o equivalente a 50,2% de toda a produção nacional. Na sequência aparecem as regiões Sul, com 92,4 milhões de toneladas, Sudeste, com 30,8 milhões, Nordeste, com 29,8 milhões, e Norte, com 21,5 milhões.

Entre os estados, Mato Grosso segue isolado como maior produtor de grãos do país, respondendo por 31% do total nacional. Logo atrás aparecem Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Juntos, esses seis estados concentram quase 80% de toda a produção brasileira.

No caso da soja, Mato Grosso deve alcançar 50,7 milhões de toneladas. O Paraná aparece em segundo lugar, com 22 milhões de toneladas. Já o Rio Grande do Sul projeta colher 18,4 milhões de toneladas, resultado que representa recuperação de 34,6% em comparação com a safra anterior.

Em Mato Grosso do Sul, a produção de soja foi estimada em 15,8 milhões de toneladas. O crescimento observado no estado está ligado principalmente aos ganhos de produtividade registrados ao longo do ciclo agrícola.

Capacidade de armazenagem também cresce

Além da produção recorde, os dados do IBGE revelam avanço na infraestrutura do agronegócio. A capacidade disponível para armazenagem no Brasil atingiu 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025. O número representa alta de 1,1% em relação ao semestre anterior.

O total de estabelecimentos de armazenagem chegou a 9.668 unidades, crescimento de 0,5% no período. A região Norte apresentou a maior expansão, com alta de 4,7%, seguida por Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Apenas a região Sul registrou redução no número de unidades.

Os estoques agrícolas também mostram a força da produção nacional. Em 31 de dezembro de 2025, o milho liderava com 22,8 milhões de toneladas armazenadas. Em seguida apareciam soja, trigo, arroz e café. Esses produtos representavam 90,3% de todo o volume monitorado pela pesquisa.

A análise histórica do IBGE aponta ainda uma transformação na logística do setor ao longo dos últimos 28 anos. Enquanto os armazéns convencionais perderam espaço, os silos e armazéns graneleiros ampliaram significativamente sua capacidade. O movimento acompanha a expansão da safra de grãos brasileira e a crescente necessidade de estruturas voltadas para grandes volumes de armazenamento.

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