Prévia do IPCA-15 sobe para 0,89% em abril de 2026, puxada por alimentação, gasolina e energia elétrica

Inflação acelera em abril e pesa no bolso com alta dos alimentos e combustíveis

Prévia do IPCA-15 sobe para 0,89% em abril de 2026, puxada por alimentação, gasolina e energia elétrica

A inflação voltou a ganhar força em abril de 2026, pressionada principalmente pelo aumento dos alimentos e dos combustíveis. A prévia oficial, medida pelo IPCA-15, avançou 0,89%, superando em 0,45 ponto percentual o resultado de março, que havia sido de 0,44%. Os dados foram divulgados nesta 28 de abril pelo IBGE e indicam um cenário de maior pressão sobre o custo de vida das famílias brasileiras.

No acumulado do ano, o índice já soma alta de 2,39%. Em 12 meses, chega a 4,37%, acima dos 3,90% registrados no período imediatamente anterior. O resultado também supera o índice observado em abril de 2025, quando a taxa foi de 0,43%. O avanço reforça a tendência de elevação gradual dos preços em diversos setores essenciais.

O grupo Alimentação e Bebidas liderou os impactos, com alta de 1,46% e contribuição de 0,31 ponto percentual no índice geral. Esse comportamento foi puxado, sobretudo, pelo encarecimento dos produtos consumidos dentro de casa, que aceleraram de 1,10% em março para 1,77% em abril.

Entre os itens que mais pressionaram estão a cenoura, com aumento de 25,43%, seguida pela cebola, que subiu 16,54%. O leite longa vida avançou 16,33%, enquanto o tomate registrou alta de 13,76%. As carnes também tiveram elevação, embora mais moderada, de 1,14%.

Alimentação fora de casa também sobe e amplia pressão

Os gastos com alimentação fora do domicílio também cresceram em ritmo mais intenso. Em abril, a alta foi de 0,70%, acima dos 0,35% registrados em março. O aumento foi impulsionado principalmente pelos preços dos lanches, que subiram 0,87%, e das refeições, com alta de 0,65%.

O grupo Transportes aparece como o segundo maior responsável pelo avanço da inflação no mês, com alta de 1,34% e impacto de 0,27 ponto percentual. O principal fator foi a disparada dos combustíveis, que passaram de uma leve queda de 0,03% em março para um aumento expressivo de 6,06% em abril.

A gasolina teve papel central nesse movimento, com alta de 6,23%, sendo o maior impacto individual no índice mensal, contribuindo com 0,32 ponto percentual. No mês anterior, o combustível havia apresentado leve recuo de 0,08%.

Saúde, energia e tarifas elevam custo de vida

O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,93%, respondendo por 0,13 ponto percentual do índice geral. O resultado foi influenciado pelo aumento de 1,32% nos itens de higiene pessoal e de 1,16% nos produtos farmacêuticos. Esse movimento ocorre após a autorização de reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, em vigor desde 1° de abril.

Os planos de saúde também contribuíram para a elevação, com alta de 0,49%. Já o grupo Habitação apresentou aceleração, passando de 0,24% em março para 0,42% em abril. Um dos principais fatores foi o aumento da energia elétrica residencial, que subiu 0,68%.

O reajuste nas tarifas de concessionárias, especialmente no Rio de Janeiro, teve impacto relevante. Houve aumentos de 6,92% e 14,66%, com efeito médio de 6,50% nas contas de luz a partir de 15 de março.

Diferenças regionais mostram variações expressivas

Entre as regiões pesquisadas, Belém apresentou a maior inflação, com alta de 1,46%. O resultado foi influenciado pelo aumento do açaí, que subiu 12,79%, e da gasolina, com elevação de 9,33%. Esses itens tiveram forte impacto no custo de vida local.

Por outro lado, Brasília registrou a menor variação, de 0,41%. O resultado foi amenizado pela queda nos preços das passagens aéreas, que recuaram 10,88%, além da redução de 0,61% nos produtos farmacêuticos.

O levantamento do IPCA-15 considera famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A coleta de preços ocorreu entre 18 de março e 15 de abril de 2026, comparando com valores de 13 de fevereiro a 17 de março de 2026. A pesquisa abrange diversas regiões metropolitanas, incluindo Goiânia, além de capitais como São Paulo, Recife e Porto Alegre.

A próxima divulgação do indicador está prevista para 27 de maio de 2026.

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