Documento enviado a autoridades e trabalhadores aponta riscos econômicos e defende debate mais amplo no Congresso
O Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO) pediu o adiamento da discussão sobre o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional, por meio de uma carta aberta direcionada a prefeitos, parlamentares e trabalhadores do estado. O grupo sustenta que o tema exige análise técnica aprofundada e participação ampla da sociedade antes de qualquer decisão. A proposta, segundo as entidades, não deve avançar em um cenário político considerado inadequado para debates estruturais.
A manifestação ocorre em meio à crescente discussão sobre mudanças na jornada de trabalho no país. Para o FEE-GO, a condução atual pode comprometer a qualidade do debate, especialmente por possíveis influências eleitorais. O fórum defende que o assunto seja tratado com responsabilidade e foco nos impactos reais sobre a economia e a população.
No documento, as entidades reforçam que qualquer alteração no regime atual precisa considerar efeitos diretos sobre o mercado de trabalho. A preocupação central gira em torno da manutenção de empregos formais e da estabilidade econômica. A carta destaca a necessidade de equilíbrio entre direitos trabalhistas e sustentabilidade das empresas.
As organizações empresariais afirmam que decisões precipitadas podem gerar consequências duradouras. O posicionamento conjunto busca ampliar o diálogo com diferentes setores e evitar medidas que possam comprometer a geração de renda no estado e no país.
Com base em estudos nacionais e análises econômicas, o FEE-GO alerta para possíveis efeitos negativos caso a escala 6×1 seja extinta. Entre os principais pontos, está o risco de redução de até 630 mil empregos formais em setores que dependem intensamente de mão de obra. O documento classifica esse cenário como um “perigo real” para o mercado de trabalho brasileiro.
Outro dado relevante apresentado na carta é o aumento expressivo nos custos trabalhistas. As estimativas indicam que o impacto pode alcançar R$ 267 bilhões por ano. Esse crescimento nos gastos pode pressionar empresas, especialmente as de menor porte, que já enfrentam desafios financeiros.
Além disso, projeções indicam que a mudança na jornada pode provocar retração econômica significativa. O impacto negativo no Produto Interno Bruto pode chegar a R$ 76 bilhões, com possibilidade de queda de até 11,3% em cenários mais críticos. Os efeitos tendem a atingir principalmente trabalhadores com menor qualificação.
O fórum também destaca que o aumento de custos pode influenciar diretamente decisões empresariais. Entre as possíveis consequências estão a redução de contratações, diminuição de horas extras e revisão de benefícios, fatores que afetam diretamente a renda das famílias.
Os impactos da possível mudança na escala de trabalho não se limitam ao mercado geral. Segundo o documento, setores estratégicos da economia podem enfrentar perdas relevantes. No comércio, os prejuízos podem chegar a R$ 122,4 bilhões anuais, enquanto nos serviços o valor pode atingir R$ 235 bilhões.
No setor agropecuário, considerado essencial para o interior do estado, o aumento de custos pode variar entre 7,8% e 8,6%. Esse cenário preocupa por afetar regiões onde o agronegócio é a principal fonte de renda e emprego. Já na indústria, o crescimento dos custos com mão de obra pode alcançar cerca de 11%, equivalente a R$ 88 bilhões.
As entidades também chamam atenção para possíveis efeitos inflacionários. As projeções indicam aumento de até 13% nos preços ao consumidor, o que pode pressionar a inflação e dificultar a redução das taxas de juros. O impacto tende a ser mais intenso para famílias de menor renda.
Na construção civil, o alerta é para o acesso à moradia. O aumento de cerca de 10% no custo da hora trabalhada pode resultar em imóveis mais caros, menor oferta e prazos maiores para entrega. Esse cenário pode dificultar ainda mais a compra da casa própria.
A carta é assinada por diversas instituições que integram o Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, incluindo ACIEG, ADIAL, FACIEG, FAEG, FCDL-GO, FECOMÉRCIO-GO, FIEG e OCB/GO. O grupo reforça a importância de um debate estruturado, com base em dados concretos e participação de diferentes setores.
O posicionamento conjunto busca influenciar o ritmo das discussões no Congresso Nacional. As entidades defendem que mudanças dessa magnitude não sejam decididas sem análise detalhada dos impactos sociais e econômicos. A proposta é ampliar o diálogo antes de qualquer definição.
Ao direcionar o documento também aos trabalhadores, o fórum tenta ampliar a compreensão sobre os possíveis efeitos da medida. A intenção é envolver diferentes públicos na discussão, destacando a complexidade do tema e suas consequências práticas.
A mobilização ocorre em um momento decisivo para o debate sobre relações de trabalho no Brasil. O tema segue em pauta e deve ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas, à medida que diferentes setores intensificam suas posições.
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