Inadimplência em Goiás cresce entre adultos de 30 a 39 anos e acende alerta econômico

Levantamento revela aumento acelerado das dívidas e mostra que população em idade produtiva lidera endividamento no estado

Inadimplência em Goiás cresce entre adultos de 30 a 39 anos e acende alerta econômico

A inadimplência em Goiás tem se concentrado na parcela da população que está no auge da vida financeira. Dados do SPC Brasil apontam que pessoas entre 30 e 39 anos lideram o ranking de devedores, representando 25,99% do total no estado. O cenário acende um alerta por atingir diretamente quem sustenta o consumo e movimenta a economia local.

O levantamento, referente a março de 2026, mostra que o endividamento está fortemente ligado à população economicamente ativa. Esse grupo costuma ter maior acesso ao crédito, mas também enfrenta uma rotina de despesas intensas, incluindo moradia, educação e custos familiares. Esse equilíbrio instável tem contribuído para o avanço da inadimplência.

Na sequência, aparecem consumidores de 40 a 49 anos, com 23,15%, e de 50 a 64 anos, com 21,14%. Somadas, essas faixas etárias representam mais de 70% dos inadimplentes em Goiás. A idade média dos devedores chega a 45,3 anos, o que evidencia um problema concentrado em adultos com alta responsabilidade financeira.

O retrato indica que o endividamento deixou de ser um episódio isolado e passou a fazer parte da rotina de muitos goianos. O peso das despesas fixas e a facilidade de crédito formam um cenário propício ao acúmulo de débitos, especialmente em momentos de instabilidade econômica.

Dívidas avançam em ritmo mais acelerado

Outro dado que chama atenção é o crescimento mais rápido das dívidas em comparação ao número de inadimplentes. Em março de 2026, a quantidade de pessoas negativadas subiu 8,35% em relação ao mesmo período de 2025. Já o volume total de dívidas em atraso teve alta de 16,44%.

Na prática, isso indica que consumidores que já enfrentam dificuldades financeiras continuam acumulando novos compromissos em atraso. O fenômeno amplia o impacto da inadimplência e dificulta a saída desse ciclo, já que o valor total devido cresce de forma contínua.

Mesmo com o aumento expressivo, o valor médio das dívidas não é necessariamente elevado. Cada consumidor deve, em média, R$ 5.644,88. No entanto, uma parcela significativa possui pendências menores, que se acumulam ao longo do tempo.

Cerca de 25,63% dos inadimplentes têm dívidas de até R$ 500, enquanto 37,19% devem até R$ 1.000. Esses números mostram que o problema não está apenas em grandes financiamentos, mas também no acúmulo de despesas cotidianas.

Tempo no vermelho preocupa especialistas

O tempo médio de atraso das dívidas em Goiás chegou a 29,3 meses, o equivalente a quase dois anos e meio. Além disso, 36,66% dos consumidores permanecem inadimplentes por um período entre um e três anos, o que indica dificuldade prolongada de recuperação financeira.

Esse cenário demonstra que a inadimplência deixou de ser temporária para se tornar uma condição duradoura. A permanência no vermelho por longos períodos compromete o acesso ao crédito e impacta diretamente o poder de consumo das famílias.

O setor bancário concentra a maior parte das dívidas em atraso, com 62,41% do total. Na sequência aparecem débitos com comércio, contas básicas e empresas de comunicação, reforçando que o problema atinge diferentes áreas da vida financeira.

Diante desse contexto, especialistas destacam a importância da negociação como caminho para reduzir o impacto das dívidas. O presidente da CDL Goiânia, Gustavo de Faria, alerta para os riscos de ignorar o problema. “O principal erro é deixar a dívida parada. Hoje existem opções de negociação com descontos e parcelamentos acessíveis. Quando o consumidor procura acordo, ele consegue reorganizar o orçamento e sair do ciclo da inadimplência”, afirma.

Pequenas dívidas viram grandes problemas

Segundo o dirigente, muitas pendências começam com valores baixos, mas se transformam em problemas maiores ao longo do tempo. “Dívidas pequenas acabam se acumulando e viram um problema maior. Resolver essas pendências é o primeiro passo para voltar a ter crédito e retomar o controle financeiro”, completa.

O cenário em Goiás ainda apresenta crescimento abaixo da média nacional, mas os dados mostram uma tendência consistente de avanço. O aumento no número de dívidas e o tempo prolongado de inadimplência indicam uma situação que exige atenção contínua.

O impacto desse movimento vai além das finanças individuais. Como a inadimplência atinge principalmente a população economicamente ativa, há reflexos diretos no consumo e na dinâmica econômica do estado, tornando o tema central para o desenvolvimento regional.

Leia Mais Sobre

Copyright © 2025 // Todos os direitos reservados.