Especialistas alertam que falta de gestão profissional ainda impede produtores de transformar alta produção em rentabilidade sustentável
O Brasil abriga o maior rebanho bovino comercial do mundo, com mais de 230 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE. Apesar da força da pecuária nacional, uma dificuldade ainda compromete os ganhos de muitas fazendas: a ausência de gestão estratégica no campo. Enquanto a berrantepecuariamoderna.com.br cresce e a tecnologia avança, parte dos pecuaristas segue sem controle financeiro eficiente, metas claras ou acompanhamento de indicadores.
O impacto aparece diretamente no caixa das propriedades. Mesmo com operações robustas, muitos produtores enfrentam dificuldades para ampliar a margem de lucro. Especialistas apontam que decisões tomadas apenas pela experiência prática já não acompanham a velocidade das mudanças do mercado agropecuário, pressionado pelos custos e pelas oscilações da arroba.
Nos últimos anos, ferramentas digitais passaram a ocupar espaço na rotina rural. Softwares, aplicativos e planilhas ajudam no monitoramento da produção, mas especialistas afirmam que apenas reunir informações não resolve o problema. O desafio está em transformar os dados em decisões capazes de melhorar a rentabilidade da atividade.
“O produtor até registra dados, mas ainda administra a fazenda de forma operacional. Muitas atividades que poderiam ser delegadas continuam centralizadas”, afirma Layla Salles, especialista em Gestão do Agronegócio pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e em Produção de Ruminantes pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Para Layla Salles, a pecuária moderna exige uma mudança profunda na forma de administrar a propriedade. A especialista afirma que o produtor precisa enxergar a fazenda como uma empresa, com processos organizados e metas bem definidas. Sem isso, o crescimento da produção pode não resultar em retorno financeiro consistente.
“ O gestor precisa enxergar a fazenda como uma empresa, com processos definidos, metas claras e indicadores confiáveis”, destaca a especialista.
Entidades do setor agropecuário também observam o avanço desse problema. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) considera a ausência de controle de custos um dos principais obstáculos para a lucratividade no campo. Em muitas propriedades, os gastos operacionais aumentam sem acompanhamento detalhado, dificultando decisões rápidas diante das mudanças econômicas.
Indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostram que o mercado pecuário exige respostas cada vez mais ágeis. Oscilações no preço dos insumos e da arroba podem alterar o resultado financeiro em pouco tempo. Sem domínio dos números da operação, produtores ficam expostos às variações do mercado e perdem capacidade de planejamento.
A pecuarista Kátia Marina percebeu cedo a importância da profissionalização da gestão rural. Sucessora do negócio familiar, ela aposta no treinamento contínuo da equipe para melhorar os resultados e aumentar a eficiência das operações dentro da fazenda.
“Estou investindo em treinamentos para garantir que os colaboradores recebam informações relevantes e sejam preparados para desempenhar suas funções com eficiência”, afirma.
A transformação da pecuária tradicional em um modelo empresarial vem impulsionando consultorias e metodologias voltadas à gestão agropecuária. Empresas especializadas trabalham com planejamento estratégico, controle operacional e acompanhamento de metas para ajudar produtores a melhorar a rentabilidade.
Entre elas está a Berrante Gestão Pecuária, que atua com foco na pecuária de corte. A metodologia da empresa reúne quatro pilares principais: estratégia personalizada, tecnologia simplificada, educação aplicada e acompanhamento consultivo das propriedades.
“Em visitas a diversas fazendas, observei dificuldades recorrentes em tratar a propriedade como negócio. A mão de obra também é um gargalo crescente. Atrair profissionais para o campo exige mais do que salário: é preciso oferecer ambiente estruturado, benefícios e cultura organizacional. O grande desafio não é apenas produzir bem, mas gerir com clareza e direção”, afirma Kennedy Alves, especialista em Gestão do Agronegócio pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e em Produção de Ruminantes pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), CEO da Berrante.
Os principais indicadores acompanhados por esse tipo de gestão envolvem custos operacionais, produtividade, desempenho da equipe e monitoramento das metas da fazenda. Esses fatores passaram a ter papel decisivo na competitividade da pecuária brasileira.
Os pecuaristas André Pinto e Nilton Pinto relatam mudanças significativas após a adoção de sistemas tecnológicos integrados à gestão da propriedade. Segundo eles, o acompanhamento remoto da operação trouxe mais controle e agilidade na tomada de decisões.
“Depois que implantamos o sistema na fazenda, tudo ficou mais fácil. Mesmo à distância, conseguimos acompanhar os números e tomar decisões. Hoje sabemos, por exemplo, quando a vaca vai parir e até quando há perda de animal. Ter a fazenda na palma da mão tornou a administração muito mais simples e eficiente, temos controle de tudo o que acontece em nossa propriedade”, afirmam.
Com margens cada vez mais apertadas, a gestão profissional deixou de ser um diferencial e passou a ocupar posição central dentro da pecuária brasileira. Especialistas observam que propriedades organizadas conseguem reagir melhor às oscilações do mercado, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade financeira.
O cenário também altera o perfil do produtor rural. A experiência prática continua importante, mas já não sustenta sozinha a competitividade do setor. A capacidade de interpretar dados, liderar equipes e planejar custos ganhou espaço nas decisões do dia a dia.
Em meio à modernização do agronegócio, a gestão eficiente aparece como um dos principais fatores para garantir crescimento sustentável dentro da pecuária de corte. A produção continua essencial, mas o controle da operação passou a definir quem consegue transformar volume em lucro.
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