Batata inglesa em Goiás cresce acima da média e projeta recuperação econômica em 2026

Produção estadual avança com ganhos de produtividade e deve atingir um dos melhores resultados da série histórica

Batata inglesa em Goiás cresce acima da média e projeta recuperação econômica em 2026

O cultivo da batata inglesa em Goiás mostra sinais consistentes de avanço e aponta para uma retomada econômica em 2026. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento indicam crescimento contínuo da produção, sustentado por ganhos de produtividade e organização do setor. A expectativa é que o estado colha 264,2 mil toneladas, um aumento de 3,1% em relação à safra anterior, marcando um dos melhores desempenhos já registrados.

A cultura ocupa papel relevante no agronegócio goiano, com presença em três períodos de plantio ao longo do ano. Além de abastecer o mercado interno, também atende à demanda industrial e abre espaço para exportações. A versatilidade do produto amplia sua presença tanto nas mesas das famílias quanto no setor de alimentação fora do lar, impulsionando o consumo.

Safra de inverno impulsiona produtividade no campo

A produção no estado se concentra principalmente na terceira safra, conhecida como safra de inverno. O plantio ocorre entre abril e julho, com colheita de julho a outubro. Esse calendário favorece o desenvolvimento da cultura, já que as condições climáticas apresentam menor volume de chuvas e temperaturas mais amenas, reduzindo riscos de doenças e elevando a qualidade dos tubérculos.

Esse cenário tem contribuído para maior estabilidade produtiva ao longo dos anos. “Esse movimento tem reduzido a variabilidade típica da produção sazonal e sustentado ganhos de produtividade, mesmo em cenários de estabilidade ou redução da área plantada”, afirmou o secretário Ademar Leal, titular da Seapa. O desempenho recente confirma a tendência de evolução técnica no campo.

Entre 2020 e 2025, Goiás registrou crescimento acima da média nacional tanto em área colhida quanto em produção de batata na terceira safra. O avanço foi de 31,9% na produção e 29,8% na área colhida, com rendimento médio de 41,9 toneladas por hectare. No mesmo intervalo, o Brasil apresentou crescimento de 4,2% em área e 12,1% na produção.

Municípios lideram expansão e ganhos produtivos

O destaque regional fica para municípios que têm impulsionado o crescimento da cultura. Em 2024, Cristalina liderou com 137,2 mil toneladas, representando 51,3% da produção estadual, segundo a Produção Agrícola Municipal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A cidade também concentrou a maior área colhida, com 3,0 mil hectares.

Outras regiões também apresentaram resultados expressivos. Água Fria de Goiás alcançou a maior produtividade média, com 46,7 toneladas por hectare. Já Campo Alegre de Goiás registrou crescimento de 115,8% em relação a 2023, indicando forte expansão da atividade agrícola local. Municípios como Padre Bernardo e Sítio d’Abadia passaram a integrar a produção em 2024.

A expansão territorial demonstra o avanço da cultura dentro do estado, com novas áreas entrando no sistema produtivo. Esse movimento amplia a capacidade de oferta e fortalece a cadeia agrícola, gerando impacto direto na economia regional e no mercado de trabalho no campo.

Valor da produção e exportações indicam retomada

A projeção para o valor da produção de batata inglesa em Goiás é de R$ 771,4 milhões em 2026, conforme estimativas do Ministério da Agricultura e Pecuária. O número representa recuperação após a queda registrada em 2025, quando o valor recuou para R$ 538,9 milhões, pressionado por preços mais baixos no mercado.

O melhor resultado recente foi registrado em 2024, quando o estado alcançou R$ 1,3 bilhão. A oscilação nos valores reflete o comportamento do mercado e evidencia a importância de estratégias para agregar valor à produção. O setor busca maior equilíbrio entre volume produzido e rentabilidade.

No cenário internacional, a batata-doce tem liderado as exportações do estado. Em 2024, Goiás embarcou 211,4 toneladas, totalizando US$ 264,9 mil, com destino principal aos Países Baixos. Já em 2025, os produtos preparados e conservados tiveram destaque, somando 7,5 toneladas e US$ 54,8 mil, com os Estados Unidos como principal mercado.

Estratégias ampliam competitividade no mercado

A análise de dados tem sido fundamental para orientar decisões no campo. “Levantamentos da Secretaria, apresentados no boletim mensal, têm apoiado decisões dos produtores e indicam reorganização do setor, com recuperação do valor da produção e avanço internacional. O cenário também reforça a necessidade de agregar valor e reduzir a dependência de importados, fortalecendo a competitividade”, avaliou Ademar Leal.

As informações fazem parte do informativo Agro em Dados, divulgado pela Secretaria e que reúne indicadores das principais cadeias agropecuárias do estado. A 79ª edição destaca a produção de batata, evidenciando sua relevância estratégica dentro do agronegócio goiano e seu potencial de crescimento nos próximos anos.

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