Região da 44 movimenta R$ 14 bi por ano e reforça moda produzida em Goiânia

Polo comercial recebe mais de 750 mil pessoas por mês, entre elas compradores de diferentes estados

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A Região da 44, em Goiânia, movimenta cerca de R$ 14 bilhões por ano e recebe mais de 750 mil pessoas por mês, segundo estimativas da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44). Em 2025, aproximadamente 270 milhões de peças foram comercializadas no polo, que reúne milhares de lojistas e feirantes e atrai compradores de diferentes regiões do Brasil e do exterior.

Localizada no Setor Norte Ferroviário, a Região da 44 ocupa um perímetro formado pelas ruas 44 e por três importantes avenidas: 44, Contorno e Independência. O complexo reúne mais de 140 empreendimentos, entre shoppings, galerias e hotéis, além de cerca de 13 mil lojistas e 2,6 mil feirantes.

Entre os principais centros comerciais estão Mega Moda, Shopping Araguaia, Mega Park, Pitbull Shopping e Shopping Gallo. O movimento gerado pelo polo também alcança atividades como hotelaria, restaurantes, transporte de passageiros, fretes, logística e motoristas de aplicativo.

Região da 44 movimenta R$ 14 bi por ano e reforça moda produzida em Goiânia

Da Feira Hippie ao polo de negócios

A expansão da Região da 44 ganhou força em 1995, quando a Feira Hippie foi transferida para a Praça do Trabalhador, no Setor Central de Goiânia. A vocação para o comércio de confecções já estava estabelecida e contribuiu para atrair comerciantes e consumidores para o entorno.

A partir dos anos 2000, começaram a surgir as primeiras galerias e outros estabelecimentos comerciais. O espaço passou a reunir atividades de fabricação, atacado, varejo, turismo e distribuição.

Atualmente, a região é apontada como o segundo maior polo de moda do Brasil em produção e comercialização. Parte dos produtos vendidos no local é fabricada em municípios do interior de Goiás, criando uma conexão entre a capital e diferentes polos de confecção do Estado.

Região da 44 comercializou 270 milhões de peças em 2025

Dados da AER44 indicam que cerca de 270 milhões de peças foram comercializadas na região em 2025. A estimativa considera informações de grandes confecções fornecedoras dos lojistas e dados do Sindicato da Indústria do Vestuário de Goiânia (Sinroupas).

O comércio atacadista representa uma parcela importante da movimentação. O ticket médio dos compradores fica entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, enquanto a movimentação econômica mensal estimada chega a aproximadamente R$ 761 milhões.

O calendário comercial também interfere no volume de vendas. Dia das Mães, Dia dos Namorados, Festa de Trindade, Black Friday, Natal e réveillon estão entre os períodos de maior movimento. Entre outubro e dezembro, a estimativa é de aproximadamente R$ 3 bilhões em movimentação.

O modelo de atacarejo também ganhou espaço. De acordo com a AER44, a modalidade responde por entre 30% e 40% das vendas, impulsionada por consumidores que viajam até Goiânia para comprar volumes maiores de produtos a preços de atacado.

Compradores chegam de vários estados e do exterior

O público da Região da 44 inclui compradores de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Tocantins, Pará e Maranhão, além de consumidores de outros países.

Entre os mercados internacionais estão Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, integrantes do Mercosul, além de compradores de países africanos. Produtos comercializados na região também chegam aos mercados dos Estados Unidos e da Europa.

O fluxo é mais intenso entre quarta-feira e domingo, com quinta, sexta e sábado concentrando parte significativa dos compradores e dos ônibus de excursão.

No Shopping Gallo, aproximadamente 60% dos consumidores são de Goiás e 40% de outros estados, segundo estimativa do empreendimento. O centro comercial recebe entre 270 mil e 280 mil pessoas por mês, volume que pode quase dobrar em novembro e dezembro.

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Hotelaria e transporte acompanham movimento

O impacto econômico da Região da 44 ultrapassa o comércio de roupas e acessórios. A proximidade com o Terminal Rodoviário facilita a chegada de excursões e amplia a demanda por ônibus, vans, táxis, transporte por aplicativo e serviços de carga.

A hotelaria também integra a estrutura do polo. Os empreendimentos instalados na região oferecem cerca de 5 mil leitos, utilizados por compradores e por pessoas que visitam Goiânia para compromissos profissionais e eventos.

Segundo dados do Instituto Mauro Borges (IMB), a movimentação financeira estimada da Região da 44 corresponde a aproximadamente 18% do Produto Interno Bruto (PIB) de Goiânia. Em uma comparação hipotética, o volume seria suficiente para colocar a região entre as maiores economias municipais de Goiás.

Interior de Goiás participa da cadeia da moda

A atividade comercial da 44 está ligada também à produção realizada em municípios do interior de Goiás. Diferentes cidades possuem tradição na fabricação de segmentos específicos da indústria da moda.

Catalão, Itaguari, Itaguaru, Itapuranga, Taquaral e Pontalina se destacam na produção de moda íntima. Jaraguá, Itumbiara, Goianésia, São Francisco, Uruana, Trindade, Goiânia, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia têm forte atuação na fabricação de jeans.

Goiatuba e Inhumas, por sua vez, possuem produção voltada aos setores de cama, mesa e banho.

A integração entre indústria e comércio também está relacionada ao Projeto Cinturão da Moda, lançado em 2022 pela Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC). A iniciativa oferece capacitação, incentiva a formação de cooperativas e aproxima produtores do interior dos canais de comercialização da Região da 44.

O projeto começou atendendo 30 municípios e foi ampliado para 40 cidades. Desde a criação, mais de 170 empresários participaram das ações e foram produzidas mais de 700 mil peças, segundo dados da SIC. Entre os parceiros estão AER44, Sebrae, Senai, Goiás Fomento, Sistema OCB e empresas do setor têxtil e de confecção.

Região da 44 registra abertura de novos negócios

Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) mostram que, entre 2021 e 2025, o número de novas empresas superou o de encerramentos em todos os anos analisados.

Em 2025, foram registrados 616 novos negócios e 437 baixas, resultando em saldo positivo de 179 empresas. Entre janeiro e setembro de 2026, foram 401 aberturas contra 268 encerramentos, com saldo positivo de 133 empresas.

Os números mostram a movimentação empresarial de uma região que reúne atividades ligadas à moda e ao turismo de compras. A cadeia formada por comércio, produção, hotelaria, transporte e serviços conecta fabricantes do interior de Goiás a compradores de diferentes estados brasileiros e também do exterior.

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