Produção de vinhos em Goiás cresce e ganha mercado nacional

Estado chegou a 12 vinícolas registradas e 161 produtos cadastrados em 2025; crescimento acompanha expansão do cultivo de uvas e adoção de técnicas para produção de vinhos de inverno

Produção de vinhos em Goiás cresce e ganha mercado nacional1

Goiás vem ampliando sua participação na vitivinicultura brasileira e consolidando uma nova frente de produção de vinhos fora das regiões tradicionalmente associadas ao setor. Em 2025, o Estado chegou a 12 vinícolas registradas, crescimento de 9,1% em relação ao ano anterior, enquanto a média nacional foi de 1,9%.

Os dados fazem parte do Anuário do Vinho 2026, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que reúne, pela primeira vez, informações específicas sobre a cadeia produtiva do vinho no país. O levantamento contabilizou 965 vinícolas registradas no Brasil em 2025, distribuídas por 327 municípios.

No Centro-Oeste, Goiás concentra 12 dos 17 estabelecimentos registrados, o equivalente a 70,6% do total regional. Mato Grosso e o Distrito Federal possuem dois estabelecimentos cada, enquanto Mato Grosso do Sul conta com um. Goiás também foi o único estado da região a apresentar aumento no número de vinícolas entre 2024 e 2025.

Produção de vinhos em Goiás cresce e ganha mercado nacional

Estado já soma 161 produtos registrados

Além do crescimento no número de estabelecimentos focados na produção de vinhos, Goiás contabilizou 161 vinhos registrados no Mapa em 2025, uma média de 13,4 produtos por vinícola. O número coloca o Estado na sétima posição nacional em quantidade de vinhos registrados.

Os registros são realizados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) e representam produtos formalmente cadastrados junto ao Ministério da Agricultura. Portanto, o dado não corresponde necessariamente ao número de rótulos disponíveis atualmente no mercado.

Saiba mais sobre a produção de vinhos no Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou o Anuário do Vinho 2026, com informações sobre a cadeia produtiva da bebida no Brasil referentes ao ano de 2025. A publicação reúne dados sobre estabelecimentos e produtos registrados no Ministério, produção, empregos e comércio exterior.

As informações organizadas no anuário podem ser utilizadas como fonte de consulta por produtores, pesquisadores, instituições públicas e demais interessados em acompanhar dados relacionados à vitinicultura no Brasil.

Segundo o anuário, o Brasil contava, em 2025, com 965 vinícolas registradas no Mapa, distribuídas por 327 municípios. O Rio Grande do Sul concentrava 600 estabelecimentos, seguido por Santa Catarina, com 102, e São Paulo, com 86.

De acordo com o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), havia 16.258 vinhos registrados no país em 2025. O Rio Grande do Sul concentrava 10.855 registros, seguido por Santa Catarina, com 1.898, e São Paulo, com 1.413.

O anuário também apresenta dados sobre produção, empregos e comércio exterior. Em 2025, a produção declarada de vinho ultrapassou 300 milhões de litros. A atividade registrou 7.361 empregos diretos no período.

No comércio internacional, as exportações brasileiras de vinho somaram 7,35 milhões de litros em 2025, enquanto as importações alcançaram 165,66 milhões de litros.

A edição de 2026 marca a primeira publicação do anuário específico sobre a cadeia produtiva do vinho pelo Mapa. O documento passa a integrar o conjunto de publicações que reúne informações sobre diferentes segmentos de bebidas acompanhados pelo Ministério, como cerveja, cachaça e bebidas não alcoólicas.

A expansão da atividade industrial acompanha uma cadeia que começa no campo. Segundo a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Goiás possui aproximadamente 116 produtores de uva, com cerca de 410 hectares cultivados em 55 municípios. A cultura está presente principalmente nas regiões Sul, Sudoeste, Centro e Noroeste do Estado.

Entre os municípios com produção estão Goiatuba, Santa Helena de Goiás, Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia e Itaberaí. A produção de uva de mesa ainda é predominante, mas a própria Agrodefesa aponta potencial para ampliar o cultivo destinado à fabricação de sucos e vinhos.

Vinhos de inverno ampliam possibilidades no Cerrado

Parte desse movimento está relacionada ao desenvolvimento de tecnologias que permitem adaptar a viticultura a regiões de clima tropical e subtropical de altitude. Entre elas está o sistema conhecido como dupla poda, utilizado na produção dos chamados vinhos de inverno.

De acordo com estudos da Embrapa Uva e Vinho, esse modelo se expandiu para áreas do Centro-Oeste e utiliza duas podas ao longo do ciclo da videira. Com a alteração do calendário produtivo, a colheita pode ocorrer durante o inverno, geralmente entre junho e agosto, em regiões com altitudes entre 600 e 1.200 metros.

A mudança permite que a fase de maturação das uvas aconteça em um período diferente daquele observado na viticultura tradicional, criando condições para o desenvolvimento da produção de vinhos em áreas que historicamente não estavam entre os principais polos brasileiros da atividade.

Com o avanço do cultivo de uvas, o aumento no número de vinícolas e a diversificação dos produtos registrados, Goiás amplia sua participação na cadeia vitivinícola nacional e abre novas possibilidades de diversificação da produção agropecuária do Estado.

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