Fogo destrói lavouras em Goiás e causa prejuízo milionário

Incêndios atingiram áreas de milho e cana-de-açúcar em três municípios durante período de seca e temperaturas elevadas

Fogo destrói lavouras em Goiás e causa prejuízo de R$ 2,5 milhões

Incêndios destruíram lavouras em Goiás e provocaram prejuízos milionários a produtores rurais nos últimos dias. As ocorrências atingiram propriedades em Mineiros, Pontalina e Montividiu, no interior do estado, onde plantações de milho e cana-de-açúcar próximas da colheita foram consumidas pelas chamas, segundo reportagem do Jornal Nacional. Em Montividiu, uma área de 250 hectares de milho foi perdida, com prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões.

Os incêndios ocorrem em um período de baixa disponibilidade de água no solo e temperaturas elevadas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão para os próximos dias indica baixos volumes de chuva em grande parte de Goiás, enquanto as temperaturas permanecem altas. O instituto também aponta que as precipitações previstas ainda são insuficientes para recuperar de forma significativa a umidade do solo em boa parte do estado.

Incêndios atingem plantações em três municípios

Em Montividiu, a destruição alcançou uma plantação de milho que estava pronta para ser colhida. A área atingida corresponde a 250 hectares, e o produtor responsável calcula uma perda de R$ 2,5 milhões.

Outro produtor da região, Vanderlei Secco, perdeu a palhada seca que permanecia sobre o solo depois da colheita. Segundo ele, a consequência pode permanecer por vários anos.

“Nós vamos ter aí no mínimo de três a seis anos com redução de produtividade”, disse Vanderlei Secco.

O fogo também provocou danos a equipamentos utilizados na produção. O produtor Antonio Carlos Grandi, de Montividiu, perdeu um sistema de irrigação atingido pelas chamas.

“O fogo pulou essa rodovia, caiu aqui e daqui a pouco estava queimando lá”, contou.

Em Pontalina, o incêndio atingiu diferentes áreas agrícolas, incluindo uma plantação de cana-de-açúcar pertencente a uma usina.

Já em Mineiros, um produtor registrou a situação durante o avanço das chamas em uma área de milho.

“Pegou fogo no milho. Pessoal, quem puder vir aqui ajudar. A situação está crítica.”

Seca e calor aumentam o risco de queimadas em lavouras em Goiás

As lavouras em Goiás continuam em risco. O cenário meteorológico mantém condições de atenção no estado. Em análise publicada em 22 de setembro, o INMET informou que a previsão para os sete dias seguintes indicava baixos acumulados de chuva em grande parte de Goiás e Mato Grosso, com volumes entre 10 e 30 milímetros concentrados na porção sul dos estados. O instituto também apontou níveis extremamente baixos de armazenamento de água no solo em grande parte da região.

Para o período entre 26 e 28 de setembro, o INMET prevê tempo predominantemente ensolarado e quente em grande parte do Centro-Oeste, enquanto as temperaturas podem chegar a valores próximos de 40 °C em partes da região. Para Goiás, há possibilidade de tempestades principalmente no norte do estado, enquanto outras áreas tendem a permanecer mais estáveis.

O instituto também informou que a primeira onda de calor da primavera começou a atuar no fim de semana em partes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.

Decreto mantém restrição ao uso do fogo

O Decreto estadual nº 10.962 suspende o uso do fogo em vegetação em Goiás entre 1º de julho e 31 de outubro, período considerado de maior risco para ocorrências de incêndios.

A restrição permanece em vigor enquanto o estado atravessa um período de condições climáticas desfavoráveis, marcado por baixa umidade do solo e irregularidade das chuvas. De acordo com o INMET, mesmo com a transição do Centro-Oeste para o período chuvoso, as precipitações previstas ainda não devem ser suficientes para recuperar significativamente a umidade do solo em grande parte de Goiás.

Área agrícola queimada no Brasil supera tamanho de São Paulo

O problema não está restrito às lavouras em Goiás. Segundo dados do MapBiomas citados na reportagem, uma área de agricultura superior ao tamanho do município de São Paulo foi queimada no Brasil no primeiro semestre de 2026.

O cenário também tem precedentes recentes. Em 2024, marcado por seca extrema, 2,8 milhões de hectares rurais foram queimados no país. Naquele ano, a Confederação Nacional da Agricultura estimou os prejuízos em quase R$ 15 bilhões.

Entre os produtores afetados nas lavouras em Goiás está Bruno Brais, que perdeu aproximadamente 160 hectares de palhada. Ele relacionou as perdas provocadas pelo fogo às dificuldades já enfrentadas pelos produtores com os custos de produção e os preços do milho.

“O produtor já vem tendo uma certa dificuldade com seus custos de produção, com preço baixo da commodity de milho. Agora vem o prejuízo das queimadas.”

Previsão do tempo mantém atenção sobre as lavouras

A previsão do INMET para Goiás indica que a irregularidade das chuvas deve continuar sendo um fator relevante para as áreas agrícolas nos próximos dias. O instituto aponta que a ocorrência de pancadas isoladas pode produzir melhora momentânea das condições, mas não garante a recuperação da disponibilidade hídrica necessária para as lavouras.

Para o fim de setembro, o cenário divulgado pelo instituto combina temperaturas elevadas e baixos volumes de chuva em grande parte de Goiás, enquanto as áreas de instabilidade ficam mais concentradas em pontos específicos do estado.

Com o decreto estadual em vigor até 31 de outubro, produtores afetados pelos incêndios terão de recompor as áreas atingidas e recuperar as condições do solo. Nas propriedades onde houve perda de palhada, a redução da produtividade pode se estender por até seis anos, conforme relato de produtores atingidos.

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