Agronegócio emprega 1,08 milhão em Goiás e renda média sobe 20,5%

Agroindústria ampliou postos de trabalho, formalização avançou e rendimento mensal chegou a R$ 5,5 mil no primeiro trimestre de 2026

Agronegócio em Goiás emprega 1,08 milhão de pessoas

O agronegócio em Goiás empregava 1,08 milhão de pessoas no primeiro trimestre de 2026, contingente equivalente a 28% de toda a população ocupada no estado. Os dados são de levantamento do Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), elaborado principalmente a partir da PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e mostram avanço da formalização, crescimento da ocupação na agroindústria e aumento real dos rendimentos.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a agroindústria foi o único segmento do agronegócio goiano a registrar crescimento no número total de ocupados. Ao mesmo tempo, o conjunto do setor apresentou aumento do contingente de trabalhadores formais e redução do número de informais.

Agroindústria amplia empregos no agronegócio em Goiás

O número de pessoas ocupadas na agroindústria goiana passou de 208,5 mil no primeiro trimestre de 2025 para 216,5 mil no mesmo período de 2026. A alta foi de 3,9%, com acréscimo de aproximadamente 8,1 mil trabalhadores.

Entre as atividades da agroindústria, o abate e a fabricação de produtos de carne e pescado registraram aumento de aproximadamente 9,5 mil ocupados.

A criação de aves também apareceu entre os destaques do mercado de trabalho do agronegócio, com 10,6 mil trabalhadores a mais em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Os números mostram que o comportamento da ocupação não foi uniforme entre os diferentes segmentos da cadeia. No recorte adotado pelo levantamento, somente a agroindústria apresentou crescimento do contingente total de ocupados na comparação anual.

Emprego formal cresce e informalidade recua no agronegócio em Goiás

A composição do mercado de trabalho do agronegócio em Goiás também mudou entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026.

O contingente de trabalhadores com vínculo formal aumentou de 605,7 mil para 611,7 mil, acréscimo de aproximadamente 6 mil pessoas.

No sentido contrário, o número de trabalhadores informais caiu de 480,9 mil para 463,6 mil, redução de aproximadamente 17,3 mil pessoas.

Na agroindústria, o número de ocupados com vínculos formais cresceu 7%, com acréscimo de cerca de 10,7 mil trabalhadores.

O levantamento também registrou aumento entre os empregadores do agronegócio. O contingente passou de 42,5 mil no primeiro trimestre de 2025 para 50,6 mil no mesmo período de 2026, crescimento de 19,1%, equivalente a aproximadamente 8,1 mil pessoas.

Entre os trabalhadores por conta própria, o número chegou a 194,3 mil, alta de 1,4% na comparação anual.

Renda no agronegócio de Goiás sobe 20,5%

O rendimento médio mensal habitual dos trabalhadores do agronegócio também aumentou no período. No primeiro trimestre de 2026, chegou a R$ 5.562,92, ante R$ 4.615,69 no mesmo trimestre de 2025.

A variação real foi de 20,5%, equivalente a R$ 947,23, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA.

O crescimento ocorreu nos quatro segmentos analisados. A maior variação percentual foi registrada nos serviços ligados ao agronegócio, cujo rendimento médio passou de R$ 4.228,94 para R$ 5.641,71, alta real de 33,4%.

No segmento primário, que reúne atividades diretamente relacionadas à agricultura e à pecuária, o rendimento médio atingiu R$ 7.024,59, crescimento de 25,4%. Foi o maior rendimento entre os segmentos analisados.

Na agroindústria, o valor passou de R$ 2.521,11 para R$ 3.002,83, avanço real de 19,1%.

Nas atividades de insumos, o rendimento médio chegou a R$ 6.582,56, com crescimento de 7,7%.

Trabalhadores formais têm renda média de R$ 7,7 mil

A análise por condição de trabalho também mostra diferenças nos rendimentos.

Entre os trabalhadores formais do agronegócio goiano, o rendimento médio mensal chegou a R$ 7.760,19, crescimento real de 20,8% na comparação anual.

Entre os informais, o rendimento passou de R$ 3.116,96 para R$ 3.951,32, avanço real de 26,8%.

Embora a variação percentual tenha sido maior entre os informais, o rendimento médio dos trabalhadores formais permaneceu superior no primeiro trimestre de 2026.

Trabalhadores com ensino superior completo aumentam 6%

O levantamento também identificou mudança na escolaridade da força de trabalho do setor.

O número de trabalhadores do agronegócio goiano com ensino superior completo passou de 256 mil no primeiro trimestre de 2025 para 271,5 mil no mesmo período de 2026.

O crescimento foi de 6%, o que representa aproximadamente 15,5 mil pessoas a mais nesse nível de escolaridade em um ano.

O indicador mostra aumento do contingente de trabalhadores com formação superior completa, mas, isoladamente, não permite estabelecer as causas dessa mudança.

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PNAD Contínua foi reponderada após Censo 2022

Os dados utilizados no levantamento exigem atenção metodológica nas comparações com resultados publicados anteriormente.

A PNAD Contínua passou por uma reponderação em 2025. A partir de 31 de julho de 2025, todas as estimativas dos trimestres móveis passaram a utilizar os novos pesos.

Segundo o IBGE, a reponderação considera os totais populacionais das Projeções de População divulgadas em 2024, que incorporam os resultados do Censo Demográfico de 2022.

A mudança também alcançou os dados anteriores. O IBGE informa que todas as estimativas trimestrais produzidas com base na PNAD Contínua desde 2012 foram recalculadas, atualizando a série histórica da pesquisa.

A reponderação deve, portanto, ser considerada na comparação dos resultados atuais com números divulgados anteriormente sob pesos populacionais diferentes.

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