Estudo identifica cerca de 8 milhões de hectares com possibilidade de conversão e aponta caminhos para atender à demanda por madeira no estado
O Plano Diretor Florestal para Goiás foi lançado na tarde de segunda-feira (10), na sede do Sebrae Goiás, em Goiânia, com diretrizes para ampliar a produção de florestas plantadas, atender à demanda por madeira e criar condições para novos investimentos no estado. A apresentação reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e instituições responsáveis pela construção do estudo.
O documento prevê ações de curto e longo prazo e deve orientar a atuação conjunta das instituições envolvidas na cadeia florestal. A proposta considera tanto a atração de investimentos quanto o fortalecimento de pequenos negócios que podem atuar como fornecedores.
Participaram da elaboração da proposta o Sebrae Goiás, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
O presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae Goiás e da Faeg, José Mário Schreiner, participou do lançamento ao lado do vice-presidente do CDE e presidente da Fieg, André Luiz Baptista Lins Rocha.
Segundo Schreiner, a construção do plano envolveu Sebrae, Faeg, Fieg e órgãos do governo na identificação de oportunidades e na definição de uma atuação conjunta. Para ele, o setor florestal tem relevância para a geração de empregos e renda ao longo da cadeia de fornecedores.
“Goiás está dando um passo à frente mobilizando as instituições antes mesmo de o investimento chegar para dar mais confiança para esse tipo de empreendimento”, afirmou José Mário Schreiner, presidente do CDE do Sebrae Goiás e da Faeg.
Elaborado pela ESG Tech, o Plano Diretor Florestal para Goiás considera um cenário de crescimento da demanda por madeira de eucalipto. O produto é utilizado tanto em atividades relacionadas ao agronegócio quanto nas indústrias de produtos madeireiros, painéis, móveis, celulose e papel.
O diagnóstico aponta que a atual base florestal de Goiás é insuficiente para atender à demanda do próprio estado. Ao mesmo tempo, o levantamento identifica aproximadamente 8 milhões de hectares com possibilidade de conversão para florestas plantadas.
Mário Coso, head de consultoria da ESG Tech e responsável pela elaboração do estudo, afirmou que a proposta busca estabelecer caminhos para a expansão da base florestal goiana e o desenvolvimento de diferentes atividades relacionadas ao setor.
“Há um grande mercado, uma grande cadeia que se abre a partir desse projeto”, explica Mário Coso, head de consultoria da ESG Tech.
O estudo também estabeleceu zoneamentos e estratégias para orientar o avanço da atividade conforme as características de cada região de Goiás.
A ampliação das florestas plantadas em Goiás, segundo Coso, pode suprir parte da demanda já existente no agronegócio e criar condições para a instalação de novas indústrias.
Entre os segmentos considerados pelo plano estão os de painéis, móveis, celulose e papel, ampliando as possibilidades de uso da madeira produzida no estado.
O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, defendeu que o desenvolvimento do setor não fique restrito a grandes projetos de celulose.
Segundo ele, a estratégia deve contemplar pequenos e médios negócios ligados à cadeia produtiva, incluindo empresas dos segmentos moveleiro, MDF, essências e geração de energia.
A organização da atividade também deverá considerar as particularidades das diferentes regiões goianas.
“O planejamento considera desde áreas com produção de mudas até locais com maior potencial para o cultivo de florestas”, reforça Ademar Leal, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Outro desafio apontado durante a apresentação está relacionado ao tempo necessário para a produção. O ciclo do eucalipto pode variar de sete a nove anos, fator que exige planejamento de longo prazo por parte de produtores e demais integrantes da cadeia.
Ademar Leal defendeu uma articulação entre governo e setor produtivo para oferecer maior segurança aos produtores. A proposta inclui a criação de mecanismos capazes de reduzir os impactos provocados pelas oscilações entre oferta e demanda de madeira.
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