Indústria brasileira movimenta R$ 6,8 tri e grandes empresas concentram quase 68% da receita

Pesquisa do IBGE revela crescimento da atividade industrial, geração de empregos e forte concentração da receita nas maiores empresas do país

Indústria brasileira movimenta R$ 6,8 trilhões e grandes empresas concentram quase 68% da receita

A indústria brasileira movimentou R$ 6,8 trilhões em receita líquida de vendas durante 2024, segundo dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), divulgada pelo IBGE. O levantamento mostra que 358,4 mil empresas industriais empregaram 8,7 milhões de pessoas e destinaram R$ 481,1 bilhões ao pagamento de salários, retiradas e outras remunerações. Os números também revelam que as grandes companhias seguem dominando a geração de receitas no setor.

Além do desempenho financeiro, a pesquisa aponta a força da atividade industrial na economia nacional. A receita bruta alcançou R$ 8,8 trilhões, enquanto o valor da transformação industrial chegou a R$ 2,6 trilhões. Desse montante, 88,8% foram produzidos pelas indústrias de transformação, segmento responsável pela maior parcela da produção industrial brasileira.

O detalhamento dos dados evidencia que a maior parte da receita bruta teve origem na comercialização de produtos e serviços industriais, responsável por R$ 7,4 trilhões. Outros R$ 695,9 bilhões vieram de revendas e serviços não industriais, enquanto R$ 706 bilhões corresponderam a outras receitas registradas pelas empresas pesquisadas.

A análise da receita líquida de vendas, indicador obtido após a dedução de impostos, cancelamentos e descontos, também confirma a concentração econômica entre empresas de grande porte. As companhias com 500 ou mais empregados responderam por 67,9% de toda a receita líquida registrada pela indústria brasileira, equivalente a R$ 4,6 trilhões.

Indústria brasileira concentra receitas nas maiores empresas

As empresas médias, com quadro entre 100 e 499 trabalhadores, participaram com 17,4% da receita líquida. Já as pequenas representaram 8,7%, enquanto as microempresas responderam por 6,1% do total.

“O contraste é relevante, pois, embora a indústria possua muitas empresas de menor porte, a maior parte da receita está associada a firmas de maior escala. A dinâmica da indústria requer um grande número de pessoas ou maquinário, por isso, as maiores receitas estão concentradas nas empresas de maior porte”, explicou o gerente da Pesquisa, Marcelo Miranda.

Entre os segmentos industriais, a liderança permaneceu com a fabricação de produtos alimentícios, responsável por 23% da receita líquida da indústria nacional. Na sequência aparecem a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com 10,1%, os produtos químicos, com 9,2%, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 8,9%, e a metalurgia, com 6,4%.

A indústria brasileira também manteve forte capacidade de geração de empregos. Das 8,7 milhões de pessoas ocupadas, 97,1% estavam nas indústrias de transformação. O maior contingente foi registrado na fabricação de produtos alimentícios, que empregou 2,1 milhões de trabalhadores.

Empregos, salários e produtividade cresceram em 2024

Depois da indústria alimentícia, os maiores empregadores foram os setores de confecção de artigos do vestuário e acessórios, fabricação de produtos de metal e fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Os pagamentos de salários, retiradas e outras remunerações alcançaram R$ 481,1 bilhões em 2024. A maior parte desse valor, equivalente a 94,9%, foi destinada aos trabalhadores das indústrias de transformação. O salário médio da indústria ficou em 3,0 salários mínimos, enquanto a indústria extrativa registrou média de 5,4 salários mínimos.

O maior rendimento médio foi observado na atividade de extração de petróleo e gás natural, que pagou 17,5 salários mínimos por trabalhador. Entre as indústrias de transformação, o destaque ficou com a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, cuja remuneração média atingiu 7,9 salários mínimos.

“A observação do comportamento da produtividade do trabalho na indústria, medida pela divisão entre o valor de transformação industrial [VTI] e o número de pessoas ocupadas, pode complementar a análise dos indicadores relacionados ao trabalho”, disse Miranda.

Em 2024, a produtividade média da indústria brasileira foi de R$ 299,3 mil por trabalhador ao ano. Nas indústrias extrativas, esse indicador alcançou R$ 1,2 milhão, enquanto nas indústrias de transformação ficou em R$ 273,6 mil por empregado.

As atividades ligadas à cadeia do petróleo lideraram o ranking nacional de produtividade. A extração de petróleo e gás natural registrou R$ 13,3 milhões por trabalhador, seguida pela fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, com R$ 2,4 milhões.

Sudeste lidera produção industrial brasileira

Outro indicador analisado pelo levantamento foi a concentração do mercado entre as maiores empresas do país. Segundo Marcelo Miranda, a chamada razão de concentração de ordem 8 (R8) mede a participação das oito maiores empresas no valor da transformação industrial.

“Quanto maior esse índice, maior é a concentração de mercado”.

Em 2024, 20,2% de todo o valor de transformação industrial ficou concentrado nas oito maiores empresas do país. Nas indústrias extrativas, essa participação chegou a 50,1%, enquanto nas indústrias de transformação ficou em 20,4%.

A pesquisa também contabilizou 213,3 mil unidades locais industriais pertencentes às empresas com cinco ou mais empregados. Essas unidades responderam por R$ 2,5 trilhões em valor de transformação industrial, permitindo identificar onde a produção industrial efetivamente acontece.

Regionalmente, o Sudeste respondeu por 60,3% de todo o valor da transformação industrial brasileiro. O Sul participou com 19,1%, seguido pelo Nordeste, com 8,4%, Norte, com 6,3%, e Centro-Oeste, com 6%.

Entre os estados, São Paulo liderou com 34,5% do valor de transformação industrial, impulsionado por segmentos como alimentos, produtos químicos, veículos, máquinas, farmacêuticos e metalurgia. Rio de Janeiro apareceu em seguida, com 12,8%, fortemente influenciado pelo setor de petróleo e gás, enquanto Minas Gerais registrou 10,8%, com destaque para mineração, metalurgia e alimentos.

No Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina aparecem entre os principais polos industriais do país. Já o Norte concentra sua produção principalmente em Amazonas e Pará. No Nordeste, Bahia e Pernambuco lideram o desempenho regional, enquanto Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul impulsionam a atividade industrial no Centro-Oeste, especialmente nos segmentos ligados ao agronegócio, alimentos e biocombustíveis.

O levantamento ainda mostra que 18 das 27 unidades da Federação têm a fabricação de produtos alimentícios como principal atividade em valor da transformação industrial. Realizada desde 1996, a Pesquisa Industrial Anual acompanha a estrutura e a dinâmica da indústria nacional, servindo como referência para políticas públicas, investimentos e análises do setor produtivo.

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