Pesquisa do IBGE revela crescimento da atividade industrial, geração de empregos e forte concentração da receita nas maiores empresas do país
A indústria brasileira movimentou R$ 6,8 trilhões em receita líquida de vendas durante 2024, segundo dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), divulgada pelo IBGE. O levantamento mostra que 358,4 mil empresas industriais empregaram 8,7 milhões de pessoas e destinaram R$ 481,1 bilhões ao pagamento de salários, retiradas e outras remunerações. Os números também revelam que as grandes companhias seguem dominando a geração de receitas no setor.
Além do desempenho financeiro, a pesquisa aponta a força da atividade industrial na economia nacional. A receita bruta alcançou R$ 8,8 trilhões, enquanto o valor da transformação industrial chegou a R$ 2,6 trilhões. Desse montante, 88,8% foram produzidos pelas indústrias de transformação, segmento responsável pela maior parcela da produção industrial brasileira.
O detalhamento dos dados evidencia que a maior parte da receita bruta teve origem na comercialização de produtos e serviços industriais, responsável por R$ 7,4 trilhões. Outros R$ 695,9 bilhões vieram de revendas e serviços não industriais, enquanto R$ 706 bilhões corresponderam a outras receitas registradas pelas empresas pesquisadas.
A análise da receita líquida de vendas, indicador obtido após a dedução de impostos, cancelamentos e descontos, também confirma a concentração econômica entre empresas de grande porte. As companhias com 500 ou mais empregados responderam por 67,9% de toda a receita líquida registrada pela indústria brasileira, equivalente a R$ 4,6 trilhões.
As empresas médias, com quadro entre 100 e 499 trabalhadores, participaram com 17,4% da receita líquida. Já as pequenas representaram 8,7%, enquanto as microempresas responderam por 6,1% do total.
“O contraste é relevante, pois, embora a indústria possua muitas empresas de menor porte, a maior parte da receita está associada a firmas de maior escala. A dinâmica da indústria requer um grande número de pessoas ou maquinário, por isso, as maiores receitas estão concentradas nas empresas de maior porte”, explicou o gerente da Pesquisa, Marcelo Miranda.
Entre os segmentos industriais, a liderança permaneceu com a fabricação de produtos alimentícios, responsável por 23% da receita líquida da indústria nacional. Na sequência aparecem a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com 10,1%, os produtos químicos, com 9,2%, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 8,9%, e a metalurgia, com 6,4%.
A indústria brasileira também manteve forte capacidade de geração de empregos. Das 8,7 milhões de pessoas ocupadas, 97,1% estavam nas indústrias de transformação. O maior contingente foi registrado na fabricação de produtos alimentícios, que empregou 2,1 milhões de trabalhadores.
Depois da indústria alimentícia, os maiores empregadores foram os setores de confecção de artigos do vestuário e acessórios, fabricação de produtos de metal e fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias.
Os pagamentos de salários, retiradas e outras remunerações alcançaram R$ 481,1 bilhões em 2024. A maior parte desse valor, equivalente a 94,9%, foi destinada aos trabalhadores das indústrias de transformação. O salário médio da indústria ficou em 3,0 salários mínimos, enquanto a indústria extrativa registrou média de 5,4 salários mínimos.
O maior rendimento médio foi observado na atividade de extração de petróleo e gás natural, que pagou 17,5 salários mínimos por trabalhador. Entre as indústrias de transformação, o destaque ficou com a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, cuja remuneração média atingiu 7,9 salários mínimos.
“A observação do comportamento da produtividade do trabalho na indústria, medida pela divisão entre o valor de transformação industrial [VTI] e o número de pessoas ocupadas, pode complementar a análise dos indicadores relacionados ao trabalho”, disse Miranda.
Em 2024, a produtividade média da indústria brasileira foi de R$ 299,3 mil por trabalhador ao ano. Nas indústrias extrativas, esse indicador alcançou R$ 1,2 milhão, enquanto nas indústrias de transformação ficou em R$ 273,6 mil por empregado.
As atividades ligadas à cadeia do petróleo lideraram o ranking nacional de produtividade. A extração de petróleo e gás natural registrou R$ 13,3 milhões por trabalhador, seguida pela fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, com R$ 2,4 milhões.
Outro indicador analisado pelo levantamento foi a concentração do mercado entre as maiores empresas do país. Segundo Marcelo Miranda, a chamada razão de concentração de ordem 8 (R8) mede a participação das oito maiores empresas no valor da transformação industrial.
“Quanto maior esse índice, maior é a concentração de mercado”.
Em 2024, 20,2% de todo o valor de transformação industrial ficou concentrado nas oito maiores empresas do país. Nas indústrias extrativas, essa participação chegou a 50,1%, enquanto nas indústrias de transformação ficou em 20,4%.
A pesquisa também contabilizou 213,3 mil unidades locais industriais pertencentes às empresas com cinco ou mais empregados. Essas unidades responderam por R$ 2,5 trilhões em valor de transformação industrial, permitindo identificar onde a produção industrial efetivamente acontece.
Regionalmente, o Sudeste respondeu por 60,3% de todo o valor da transformação industrial brasileiro. O Sul participou com 19,1%, seguido pelo Nordeste, com 8,4%, Norte, com 6,3%, e Centro-Oeste, com 6%.
Entre os estados, São Paulo liderou com 34,5% do valor de transformação industrial, impulsionado por segmentos como alimentos, produtos químicos, veículos, máquinas, farmacêuticos e metalurgia. Rio de Janeiro apareceu em seguida, com 12,8%, fortemente influenciado pelo setor de petróleo e gás, enquanto Minas Gerais registrou 10,8%, com destaque para mineração, metalurgia e alimentos.
No Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina aparecem entre os principais polos industriais do país. Já o Norte concentra sua produção principalmente em Amazonas e Pará. No Nordeste, Bahia e Pernambuco lideram o desempenho regional, enquanto Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul impulsionam a atividade industrial no Centro-Oeste, especialmente nos segmentos ligados ao agronegócio, alimentos e biocombustíveis.
O levantamento ainda mostra que 18 das 27 unidades da Federação têm a fabricação de produtos alimentícios como principal atividade em valor da transformação industrial. Realizada desde 1996, a Pesquisa Industrial Anual acompanha a estrutura e a dinâmica da indústria nacional, servindo como referência para políticas públicas, investimentos e análises do setor produtivo.
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