Drones agrícolas abrem mercado de serviços em Goiás com investimento de R$ 155 mil

Frota goiana chega a 10 mil equipamentos, enquanto prestação de serviços exige capacitação, registros e estrutura especializada

Drones agrícolas abrem mercado de serviços em Goiás com investimento de R$ 155 mil

O mercado de drones agrícolas avança no Brasil e abre espaço para a prestação de serviços no agronegócio de Goiás em 2026. Com uma frota estimada em 10 mil unidades no estado, a tecnologia ganha terreno em uma atividade que exige equipamentos, profissionais especializados e cumprimento de regras técnicas. No país, o setor deve movimentar R$ 2 bilhões até o fim deste ano, período em que a frota nacional deve passar de 35 mil para 50 mil unidades.

Em Goiás, a expansão ocorre em meio à demanda por aplicação de defensivos e insumos líquidos nas lavouras. O estado possui cerca de 130 milhões de hectares de terras agricultáveis e conta com 320 aeronaves agrícolas, a quarta maior frota pulverizadora do Brasil. Mesmo com a presença crescente dos drones, o território dedicado à agricultura ainda demanda alternativas para ampliar a cobertura.

Drones agrícolas ampliam espaço na prestação de serviços

O avanço tecnológico dos equipamentos também exige investimentos frequentes e disponibilidade de mão de obra qualificada. Nesse cenário, a terceirização das operações aparece como uma alternativa para produtores que não pretendem adquirir e manter toda a estrutura necessária.

Para o empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos), a prestação de serviços com drones agrícolas em Goiás pode abrir oportunidades para empreendedores.

“Eu acredito muito nessa alternativa, porque o produtor rural já definiu o formato que ele quer para esse mercado. Ele não quer comprar o drone, montar toda a logística e manter a mão de obra especializada necessária para operar o aparelho. A via escolhida pelo agro foi a terceirização desse serviço. É aí que o empreendedor entra”, avalia Mabel.

Segundo o candidato, a demanda crescente favorece a entrada de novos prestadores, desde que sejam atendidas as exigências técnicas e legais da atividade.

“Isso é típico de um mercado em expansão. É necessário menos esforço para conseguir uma entrada bem-sucedida. É montar a infraestrutura necessária e divulgar a oferta do serviço. Diante da demanda em expansão, há uma grande capacidade de absorver toda oferta apresentada dentro dos parâmetros técnicos e legais exigidos”, comenta.

Operação exige cursos, cadastros e registros

Apesar das oportunidades apontadas no setor, a abertura de uma empresa de drones agrícolas envolve uma série de procedimentos técnicos e burocráticos. São necessários pelo menos cinco processos entre capacitação, cadastros, registros e regularização da atividade.

Mabel considera que as exigências representam uma barreira que precisa ser enfrentada por quem pretende atuar no segmento.

“Uma das principais características de todo empreendedor deve ser a resiliência, acreditar em uma ideia e apostar no potencial que ela tem. Quem consegue passar essa barreira encontra oportunidades reais de crescimento”, salienta.

Entre as exigências apresentadas está o Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR), requerido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com custo médio informado de R$ 1.150.

Também é necessário realizar cadastro no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO). A operação deve contar com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) assinada por engenheiro agrônomo.

O drone precisa ser registrado no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Entre os procedimentos apresentados também estão a homologação do equipamento e o agendamento e autorização prévios dos voos.

A atividade ainda demanda registro no IBAMA e obtenção do Certificado de Regularidade, uma vez que a pulverização é classificada como atividade potencialmente poluidora pelo órgão ambiental federal.

Empresa de drones agrícolas exige investimento médio de R$ 155 mil

O investimento inicial para estruturar uma empresa de drones agrícolas é estimado em R$ 155 mil, em média. O valor pode variar conforme o equipamento escolhido e a região onde o serviço será prestado.

A remuneração média informada para a atividade fica entre R$ 25 e R$ 80 por hectare.

O drone representa apenas uma parte da estrutura necessária. A operação também demanda geradores de alta potência, tanques destinados à mistura de calda, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), veículos utilitários, anemômetros e dispositivos de monitoramento.

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Crédito aparece como alternativa para financiar equipamentos

Para quem pretende ingressar no segmento, Mabel cita diferentes alternativas de financiamento e aquisição de equipamentos.

“Além da Agência GoiásFomento, por meio da disponibilidade de linhas do BNDES para modernização tecnológica e aquisição de maquinário, existem possibilidades com o Banco do Brasil, que possui pacotes de consórcio direto com os principais fabricantes de drones, e a Caixa Econômica Federal, que possui linhas específicas para empreendedores iniciantes”, comenta o empresário.

O candidato também aponta as cooperativas de crédito com atuação no meio rural como outra possibilidade de financiamento.

“Elas podem ser vantajosas por serem mais flexíveis na análise de crédito, taxas de juros menores e prazos de carência mais alongados”, comenta Mabel.

Na avaliação do empresário, a transformação tecnológica do agronegócio modifica também o perfil dos serviços e da mão de obra demandados pelo setor.

“Quem apostar na prestação de serviços para o agronegócio vai ganhar. É um setor que, ao contrário do que seus críticos afirmam, está longe de poupar mão de obra. O agro quer gente para trabalhar. Só não o faz como se fazia no passado. A opção não é o assalariamento. O agro quer contratar o empreendedor. E essa é a sua maior virtude”, ressalta.

O que é necessário para operar drones agrícolas

Para atuar como operador de drone agrícola, os procedimentos apresentados incluem cinco etapas:

1. Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR): exigido pelo MAPA, com custo médio de R$ 1.150.

2. Cadastro no SIPEAGRO: realizado no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários e exigido pelo MAPA. A atividade requer ART assinada por engenheiro agrônomo.

3. Registro do drone: realizado no SISANT, sistema da Agência Nacional de Aviação Civil.

4. Homologação do drone: procedimento relacionado às exigências para a operação do equipamento e autorização dos voos.

5. Registro no IBAMA: inclui a obtenção do Certificado de Regularidade para a atividade de pulverização.

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