Empresas no Brasil chegam a 10,6 milhões em 2024, mas avanço do emprego ocorre nas grandes

Novo levantamento do IBGE mostra crescimento das empresas, aumento do emprego formal e diferenças salariais entre setores, escolaridade e regiões

Empresas no Brasil chegam a 10,6 milhões em 2024, mas avanço do emprego ocorre nas grandes

O Brasil encerrou 2024 com 10,6 milhões de empresas e outras organizações ativas, resultado que representa crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o total de trabalhadores assalariados subiu para 54,2 milhões, alta de 3,0%, enquanto o salário médio mensal chegou a R$ 3.932,45, mantendo o equivalente a 2,8 salários mínimos. Os dados fazem parte das Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgadas pelo IBGE.

O levantamento revela que o avanço das empresas no Brasil foi impulsionado principalmente pelos pequenos negócios. Embora esse grupo tenha ampliado significativamente sua presença, o maior volume de empregos continua concentrado nas organizações de grande porte. Segundo o coordenador de Cadastros e Classificações do IBGE, Francisco Marta, “O crescimento no número de empresas está mais concentrado nas pequenas, de 0 a 9 pessoas. Há um descompasso entre o crescimento de empresas pequenas e a evolução no número de empresas, no número de pessoal pago assalariado, porque as pequenas empresas empregam menos. Então, esse emprego está mais concentrado nas empresas maiores. Apesar de uma alta no número de empresas, a maior parte dela se deve à chegada de novas de pequeno porte, o que gera esse descompasso no emprego”.

Entre 2022 e 2024, o país registrou saldo positivo de aproximadamente 1,2 milhão de novas empresas e organizações. Nesse intervalo, a área de Saúde humana e serviços sociais liderou o crescimento, seguida pelas atividades profissionais, científicas e técnicas e pelo comércio de veículos e motocicletas.

Do total de empresas existentes, cerca de 3 milhões mantinham trabalhadores assalariados. Essas organizações reuniam 68 milhões de pessoas ocupadas até o fim de 2024, sendo 54,2 milhões de empregados e 13,8 milhões de sócios e proprietários. No período, a massa de salários e outras remunerações alcançou R$ 2,8 trilhões.

Empresas no Brasil concentram empregos em grandes organizações

Apesar de 93,4% das empresas possuírem até nove empregados, elas oferecem remuneração média significativamente inferior à das grandes corporações. Enquanto os pequenos negócios pagaram, em média, R$ 2.116,21, as empresas com 250 trabalhadores ou mais registraram salário médio de R$ 4.913,27, acima da média nacional.

As grandes organizações também responderam pela maior parcela da mão de obra e da massa salarial do país. Elas concentraram 44,4% do pessoal ocupado, 55,7% dos empregados com carteira e 69,0% dos salários pagos.

Francisco Marta destacou essa diferença estrutural ao afirmar: “Tradicionalmente as empresas maiores têm salários melhores. Os setores econômicos que mais concentram empresas de pequeno porte são o Comércio e as Atividades administrativas, as que pagam salários menores que a média. Já as grandes empresas estão concentradas nos setores da indústria que têm salários melhores”.

O comércio permaneceu como a atividade econômica com maior participação tanto no número de empresas quanto no total de trabalhadores e de empregados formais. Já a administração pública liderou a distribuição da massa salarial, seguida pela indústria de transformação.

Salários variam conforme setor, escolaridade e gênero

Os maiores salários médios foram registrados nos organismos internacionais e instituições extraterritoriais, com R$ 9.678,61, seguidos pelos segmentos de eletricidade e gás e pelas atividades financeiras. Apesar da remuneração elevada, esses três setores reuniam apenas 2,6% dos trabalhadores assalariados do país.

A pesquisa também mostrou diferenças importantes conforme o nível de escolaridade. Trabalhadores com ensino superior receberam, em média, R$ 7.776,59, enquanto aqueles sem graduação tiveram rendimento médio de R$ 2.742,41.

Sobre essa evolução, a gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Caroline Santos, afirmou: “Os assalariados sem nível superior obtiveram um aumento real maior nos salários médios do que aqueles com nível superior. Assalariados sem nível superior, que ganhavam aproximadamente 34,6% do salário daqueles com nível superior, em 2023, passaram a ganhar 35,3%, em 2024”.

As mulheres receberam salário médio de R$ 3.608,04, valor 16% inferior ao dos homens, cuja média chegou a R$ 4.206,00. Elas concentraram maior participação em áreas como saúde, educação e administração pública, enquanto os homens predominaram na construção, nas indústrias extrativas e no transporte.

Francisco Marta observou que “A participação feminina vem crescendo especialmente nos setores que empregam mais mulheres. A Saúde apresentou um crescimento bem forte nesses últimos anos, principalmente em 2024, por conta da necessidade de maior demanda por esse serviço. Quando vemos o emprego nesses setores, a maior parte tem mão de obra feminina. Então, houve um crescimento setorial muito favorável ao setor que emprega mais mulheres. E em outros setores, como Educação, que também empregam mais mulheres”.

Sudeste lidera concentração de empresas no Brasil

A região Sudeste permaneceu na liderança em número de unidades locais, trabalhadores e massa salarial. O levantamento aponta 6,1 milhões de unidades locais, equivalentes a 51,4% do total nacional.

O Sul apareceu na segunda posição, seguido pelo Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Embora o Sudeste continue concentrando a maior parte da atividade econômica, o IBGE identificou crescimento da participação relativa do Centro-Oeste nos últimos anos.

Segundo Caroline Santos, “Analisando a série histórica, que se inicia em 2022, a região Sudeste manteve-se com as maiores participações relativas, embora tenha havido uma redução em ambas as variáveis no período, de 0,2 ponto percentual no número de unidades locais, que passou de 51,6% para 51,4%, e de 0,6 ponto percentual no pessoal ocupado assalariado, que passou de 48,9% para 48,2% do total. No mesmo intervalo de tempo, a região Centro-Oeste aumentou suas participações em ambas as variáveis. Ganhos de 0,3 ponto percentual no número de unidades locais e 0,6 ponto percentual no pessoal ocupado assalariado. Contudo, à luz dos dados disponíveis, não é possível concluir que o movimento observado reflita uma alteração de natureza estrutural na distribuição da atividade econômica, podendo se tratar apenas de uma flutuação de curto prazo”.

Entre as unidades da federação, São Paulo concentrou a maior parcela dos trabalhadores e da massa salarial do país. O Distrito Federal apresentou o maior salário médio mensal, seguido por São Paulo e Rio de Janeiro.

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