Abate de bovinos bate recorde no Brasil e impulsiona resultados históricos da pecuária em 2026

Dados do IBGE mostram avanço no abate de bovinos, suínos e frangos, além de maior volume de leite já registrado para um primeiro trimestre

Abate de bovinos bate recorde no Brasil e impulsiona resultados históricos da pecuária em 2026

O abate de bovinos alcançou um marco histórico no Brasil nos primeiros meses de 2026. Dados divulgados nesta segunda-feira, 16 de junho, pelo IBGE mostram que o país registrou o maior volume já contabilizado para um primeiro trimestre, consolidando uma sequência de resultados expressivos também nos segmentos de suínos, frangos, leite e ovos.

Entre janeiro e março, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos, número 3,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar da retração de 6,9% frente ao último trimestre do ano passado, o desempenho estabeleceu um novo recorde para o período dentro da série histórica iniciada em 1997.

O avanço da atividade pecuária também foi observado em outras cadeias produtivas. O abate de suínos atingiu 15,27 milhões de cabeças, com crescimento de 5,5% na comparação anual. Já o setor avícola contabilizou 1,71 bilhão de frangos abatidos, alta de 3,6% sobre o primeiro trimestre de 2025. Ambos os resultados representam os maiores já registrados para um primeiro trimestre.

Segundo o gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Oliveira, um dos destaques do período foi o aumento da participação de fêmeas no processamento de bovinos. “O setor de bovinos foi marcado pelo maior volume de abate e produção de carcaças em um primeiro trimestre. A participação de fêmeas no abate teve um aumento superior à de machos e atingiu o recorde de 49,9%. Este comportamento significa a retomada do crescimento do abate de fêmeas, após dois trimestres sucessivos de queda.”

Abate de bovinos lidera crescimento da produção animal

Além do número de animais abatidos, a produção de carne bovina também apresentou forte desempenho. O volume de carcaças chegou a 2,63 milhões de toneladas, avanço de 5,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve recuo de 10,3%.

O segmento de suínos registrou 1,43 milhão de toneladas de carcaças, resultado 6,9% superior ao observado um ano antes. Em relação ao último trimestre de 2025, a alta foi de 1,0%.

No caso dos frangos, a produção alcançou 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% frente ao primeiro trimestre de 2025 e aumento de 2,2% na comparação trimestral. Os números mostram o peso crescente da proteína animal brasileira no cenário nacional e internacional.

Entre os estados, Mato Grosso permaneceu na liderança do abate de bovinos, respondendo por 17,5% do total nacional. Na sequência aparecem São Paulo com 11,6%, Goiás com 9,2% e Pará com 9,1%.

Santa Catarina manteve a liderança no abate de suínos, concentrando 28,1% da atividade brasileira. Paraná respondeu por 20,9% e Rio Grande do Sul por 17,8%. Na produção de frangos, o protagonismo ficou com o Paraná, responsável por 35% do total nacional.

Produção de leite também atinge marca inédita

Outro resultado que chamou atenção foi a aquisição de leite cru pelas indústrias sob inspeção sanitária. O volume chegou a 6,78 bilhões de litros entre janeiro e março, o maior já registrado para um primeiro trimestre.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 2,6%. Em relação ao trimestre anterior, foi observada queda de 8,0%, movimento considerado comum devido à sazonalidade da produção leiteira.

Octávio Oliveira destacou ainda o comportamento dos preços pagos ao produtor. “O preço líquido médio pago aos produtores pela indústria foi de R$ 2,24, sendo 18,8% inferior ao praticado no 1º trimestre/2025. Este valor, porém, apresentou tendência de aumento ao longo dos meses do trimestre, partindo de R$ 2,10 em janeiro a R$ 2,44 em março.”

Os maiores avanços no recebimento de leite ocorreram em Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Ceará, estados que contribuíram significativamente para a expansão nacional do setor.

Couro e ovos completam panorama positivo do campo

Na indústria coureira, os curtumes brasileiros receberam 10,75 milhões de peças inteiras de couro cru bovino no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou estável em relação ao mesmo período do ano anterior, embora tenha registrado queda de 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.

O destaque nacional ficou com Goiás, responsável por 19% das peças recebidas para processamento. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 16,8%, e Mato Grosso do Sul, com 12,1%.

Já a produção de ovos de galinha alcançou 1,21 bilhão de dúzias, avanço de 0,4% em comparação ao primeiro trimestre de 2025. Frente ao último trimestre do ano passado, houve redução de 3,5%.

O estado de São Paulo permaneceu como principal produtor nacional, respondendo por 24,6% da produção brasileira. Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo completam a lista dos maiores produtores do país, evidenciando a força do agronegócio brasileiro em diferentes segmentos.

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