Tarifa dos EUA deve afetar exportações de Goiás menos que o Brasil

Análise da Fieg aponta impacto limitado sobre vendas goianas aos Estados Unidos devido à isenção de produtos como carnes e soja

Tarifa dos EUA deve afetar exportações de Goiás menos que o Brasil

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem provocar impacto menor nas exportações de Goiás em comparação com outros estados do país, segundo análise da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) divulgada pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) na segunda quinzena de julho. O estudo avalia os efeitos da sobretaxa adicional de 25% aplicada pelo governo norte-americano e aponta que a presença de produtos goianos na lista de isenção reduz o risco de queda acentuada nas vendas.

O mercado norte-americano é um dos principais destinos das exportações de Goiás. Em 2025, o estado enviou aproximadamente US$ 641 milhões em produtos aos Estados Unidos, mas parte relevante dessa pauta inclui itens que ficaram fora da nova cobrança, como carnes e soja. De acordo com a Fieg, o cenário tende a limitar o avanço das exportações, mas não deve provocar uma retração expressiva no comércio entre Goiás e os EUA.

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Como as tarifas dos Estados Unidos podem afetar Goiás?

A avaliação da Gedin-Fieg indica que as exportações goianas para os Estados Unidos devem permanecer próximas dos níveis atuais, com média mensal estimada em torno de US$ 80 milhões.

O comportamento previsto para Goiás contrasta com a projeção nacional. No Brasil, a redução das vendas para o mercado norte-americano pode variar entre 10% e 15%, segundo a análise da entidade, representando uma perda aproximada de US$ 360 milhões por mês, ou cerca de US$ 4,3 bilhões ao ano.

A diferença ocorre principalmente pela composição da pauta exportadora. Produtos com forte participação nas vendas externas goianas foram preservados da tarifa adicional, reduzindo o impacto direto da medida sobre setores importantes da economia estadual.

Exportações de Goiás tiveram desempenho diferente em barreiras anteriores?

A Fieg também utilizou como referência o episódio de aumento de tarifas comerciais aplicado em 2025. Naquele período, enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de aproximadamente 22%, Goiás teve uma retração média de apenas 3%, mantendo estabilidade durante a vigência das restrições.

Segundo a análise, após a suspensão das medidas, em fevereiro deste ano, as vendas externas goianas voltaram a apresentar recuperação. O histórico foi considerado pela entidade como um indicativo de que a estrutura da pauta exportadora estadual pode reduzir os efeitos de novas barreiras.

Por que a indústria brasileira demonstra preocupação com as tarifas?

No cenário nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova tarifa amplia as dificuldades enfrentadas pelo comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo a entidade, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os EUA no primeiro semestre, movimento que afeta a competitividade das empresas brasileiras e aumenta a incerteza para setores industriais que dependem do mercado internacional.

A cobrança adicional ocorre em um momento de atenção nas relações comerciais entre os dois países, com empresas acompanhando possíveis mudanças nas regras de acesso ao mercado norte-americano.

Quais temas estão nas negociações entre Brasil e Estados Unidos?

A disputa comercial envolve outros assuntos além das tarifas sobre produtos brasileiros. Conforme a nota técnica da Gedin-Fieg, as negociações incluem temas como o Pix, a tributação de empresas de tecnologia, minerais críticos, terras raras e outros pontos relacionados ao comércio internacional.

A entidade destaca que esses assuntos podem influenciar as próximas conversas entre os governos brasileiro e norte-americano. No caso de Goiás, a discussão sobre minerais críticos e terras raras é vista como uma possível oportunidade para futuras parcerias e investimentos, caso haja avanço nas tratativas.

Quais são os riscos para as exportações goianas?

Apesar da avaliação de impacto reduzido no curto prazo, a Fieg recomenda cautela nas projeções devido às mudanças frequentes na política comercial dos Estados Unidos.

A entidade considera que novas decisões do governo norte-americano podem alterar o cenário para empresas exportadoras brasileiras, especialmente caso sejam ampliadas as restrições ou modificadas as regras de isenção atualmente previstas.

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