Prévia da inflação oficial perde força em julho após recuo dos preços dos alimentos, enquanto energia elétrica exerce a maior pressão sobre o índice
O IPCA-15, indicador que antecipa a inflação oficial do país, registrou alta de 0,06% em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou 0,35 ponto percentual abaixo do observado em junho, quando o índice havia avançado 0,41%. A desaceleração foi impulsionada principalmente pela queda dos preços dos alimentos, embora o aumento da tarifa de energia elétrica tenha limitado um recuo ainda maior.
Com o resultado de julho, o IPCA-15 acumula alta de 3,51% no ano e de 4,52% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,80% registrados no período imediatamente anterior. Em julho de 2025, o indicador havia avançado 0,33%, mostrando um cenário inflacionário menos intenso na comparação anual.
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas apresentou a maior contribuição para a redução da inflação, ao registrar queda de 0,66%, com impacto negativo de 0,15 ponto percentual sobre o índice geral.
A principal influência veio da alimentação consumida dentro de casa, que recuou 1,14%. Entre os produtos com maiores reduções de preço estão:
Na direção oposta, alguns itens ficaram mais caros, como:
Já a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,40% para 0,55%, impulsionada principalmente pelo aumento de 0,66% nas refeições. Os lanches, por outro lado, desaceleraram para 0,30%.
O grupo Habitação registrou a maior alta entre todos os segmentos pesquisados, com avanço de 0,97%, respondendo pelo maior impacto positivo no índice do mês.
O principal responsável foi o aumento de 3,03% na energia elétrica residencial, que sozinho adicionou 0,12 ponto percentual ao IPCA-15.
Segundo o IBGE, o resultado reflete a combinação da vigência da bandeira tarifária amarela, determinada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e reajustes aplicados por distribuidoras em diferentes capitais.
Os reajustes incorporados ao cálculo incluem:
No Rio de Janeiro, a alta de 4,88% decorreu da retomada de um reajuste tarifário autorizado pela ANEEL por meio do Despacho nº 2.129, de 11 de junho de 2026.
Também em Habitação, as tarifas de água e esgoto avançaram 0,26%, refletindo reajustes em Porto Alegre, Brasília e Curitiba. Já o gás encanado apresentou queda de 0,30%, influenciado pela redução tarifária aplicada no Rio de Janeiro.
O grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,28%.
Os maiores impactos vieram dos produtos de higiene pessoal, que subiram 0,51%, com destaque para os perfumes, que avançaram 1,74%.
Os planos de saúde também contribuíram para a inflação do mês, ao registrarem aumento de 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para contratos firmados após a Lei nº 9.656/1998, o teto autorizado é de 5,11%.
No grupo Transportes, a variação passou de -0,03% em junho para 0,11% em julho.
O principal motivo foi a alta expressiva de 11,70% nas passagens aéreas.
Em sentido contrário, os combustíveis continuaram em queda:
Entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, o maior avanço do IPCA-15 ocorreu no Rio de Janeiro, onde a inflação atingiu 0,44%. O resultado foi influenciado principalmente pela alta das passagens aéreas (24,34%) e da energia elétrica (4,88%).
Já Belém apresentou o menor resultado, com variação de -0,22%, favorecida pela queda dos preços do açaí (-19,45%) e da gasolina (-3,35%).
Outros resultados regionais de destaque incluem:
O IPCA-15 é calculado pelo IBGE com base nos preços coletados entre 17 de junho e 15 de julho de 2026, comparados aos vigentes entre 16 de maio e 16 de junho de 2026.
O indicador considera famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza e Belém, além de Brasília e do município de Goiânia.
A metodologia é a mesma utilizada no IPCA, índice oficial de inflação do Brasil. A principal diferença está no período de coleta dos preços, o que faz do IPCA-15 uma prévia do comportamento da inflação antes da divulgação do índice cheio.
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