Rotatividade na indústria de Goiás dispara 29% e supera média nacional

Levantamento da Fieg mostra avanço das admissões e desligamentos e aponta maior movimentação entre jovens e trabalhadores com ensino médio

Rotatividade na indústria de Goiás dispara 29% e supera média nacional

A rotatividade na indústria de Goiás cresceu 29% em cinco anos, ao passar de 48,3% em 2020 para 62,3% em 2025. Os dados fazem parte da Análise da Rotatividade no Mercado de Trabalho Industrial em Goiás 2020 – 2025, elaborada pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), com informações da Rais e do Novo Caged, e divulgada no último mês. O levantamento acompanha as mudanças nas admissões e nos desligamentos no Estado para avaliar a movimentação da mão de obra industrial.

O avanço não ficou restrito à indústria. No conjunto do mercado de trabalho formal de Goiás, a taxa subiu de 37,2% para 50,3% no mesmo intervalo. Segundo a Gedin, os números indicam que o crescimento do emprego no Estado ocorreu ao mesmo tempo em que aumentou a movimentação de trabalhadores entre admissões e desligamentos.

O economista da Fieg Cláudio Henrique afirma que uma taxa elevada não significa, por si só, deterioração do mercado de trabalho. “Goiás está gerando empregos, mas também está substituindo trabalhadores em ritmo elevado. O desafio para a indústria é transformar essa maior mobilidade em ganho de eficiência, evitando que a rotatividade excessiva se converta em perda de produtividade e aumento de custos”, destaca.

Rotatividade na indústria de Goiás supera média nacional

A indústria goiana registrou taxas de rotatividade superiores às do país durante todos os anos analisados. Em 2025, o indicador chegou a 62,3% em Goiás, enquanto a média brasileira ficou em 53,1%.

A distância entre os dois indicadores também aumentou. Em 2020, a diferença era de 5,5 pontos percentuais. Cinco anos depois, alcançou 9,2 pontos, resultado de um crescimento mais rápido da movimentação da mão de obra industrial em Goiás do que no cenário nacional.

Cláudio Henrique avalia que o aumento está relacionado à maior mobilidade dos trabalhadores em um mercado formal mais dinâmico e não deve ser interpretado necessariamente como precarização ou instabilidade das contratações.

Construção chega a 101% e tem maior rotatividade

A construção apresentou a maior taxa entre os setores analisados. O indicador passou de 84,6% em 2020 para 101% em 2025, permanecendo acima da média nacional, de 83,4% no último ano da série.

De acordo com a Gedin, características próprias da atividade ajudam a explicar o resultado. As obras têm duração determinada, passam por etapas que demandam diferentes perfis profissionais e estão distribuídas territorialmente, fatores que interferem diretamente na composição das equipes.

Cláudio Henrique relaciona a movimentação também à expansão do setor, à abertura de novas frentes de trabalho, ao encerramento de obras e às mudanças na localização da demanda por trabalhadores.

Indústria de transformação registra taxa de 49,5%

Na indústria de transformação, a rotatividade avançou de 40,4% para 49,5% entre 2020 e 2025. O resultado também ficou acima da média brasileira, que atingiu 44,9% no último ano analisado.

Na prática, a taxa registrada em 2025 corresponde a um volume equivalente a aproximadamente cinco substituições para cada dez trabalhadores.

A indústria extrativa, por outro lado, apresentou o segundo menor indicador entre os setores. A taxa passou de 25,2% em 2020 para 31,7% em 2025, depois de atingir um pico de 34,2% em 2024.

Segundo a Gedin, o comportamento está associado às características de atividades como a mineração, que exigem maior intensidade de capital e qualificações específicas. Essas condições aumentam o custo de substituição de profissionais e favorecem vínculos de trabalho mais estáveis.

Eletricidade e gás têm menor índice da indústria goiana

O setor de eletricidade e gás apresentou a menor rotatividade entre os segmentos industriais de Goiás. A taxa passou de 12,1% em 2020 para 18,7% em 2025, embora tenha registrado oscilações ao longo da série, com 26,7% em 2021 e 22,3% em 2023.

Em água e saneamento, o movimento foi diferente. O indicador subiu de 16,2% para 36,7% entre 2020 e 2025, o crescimento mais acentuado entre os segmentos analisados.

Com o resultado, água e saneamento ultrapassaram pela primeira vez na série a média nacional, de 35,2%. O segmento também aumentou sua participação no emprego industrial de Goiás, passando de 3,2% em 2015 para 6,2% em 2025.

Jovens registram maior rotatividade no mercado de trabalho

O levantamento também detalha o perfil dos trabalhadores envolvidos na movimentação do mercado goiano. Em 2025, a taxa foi de 56,1% entre os homens e 43,3% entre as mulheres.

A diferença aparece com maior intensidade quando o recorte considera a idade. Entre os trabalhadores de 18 a 29 anos, a rotatividade chegou a 83,2%. O indicador caiu para 43,4% entre pessoas de 30 a 49 anos e atingiu apenas 19,9% entre trabalhadores com 50 anos ou mais.

A escolaridade também apresentou diferenças relevantes. Trabalhadores com ensino médio completo registraram taxa de 65,7%, enquanto aqueles com ensino superior completo tiveram indicador de 14,1%.

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Perfil da mão de obra industrial passa por mudanças

Na indústria, os dados mostram alterações no perfil etário e educacional dos trabalhadores. Atualmente, aproximadamente três em cada dez profissionais industriais têm entre 18 e 29 anos, enquanto seis em cada dez possuem ensino médio completo. São justamente os dois grupos com maior rotatividade no mercado de trabalho goiano.

Ao analisar a diferença entre as faixas etárias, Cláudio Henrique relaciona a maior movimentação dos jovens ao período inicial da vida profissional.

“Os trabalhadores jovens normalmente estão em uma fase de entrada, experimentação e construção da trajetória profissional. É mais comum que tenham vínculos mais curtos, mudem de empresa para adquirir experiência ou busquem melhores oportunidades. Já trabalhadores mais velhos tendem a possuir maior experiência, qualificação acumulada e vínculos mais consolidados, tornando a substituição menos frequente.”, explicou o economista da Fieg.

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