Milho segunda safra em Goiás perde força após seca e produção sofre queda de 18,7%

Levantamento aponta impacto da falta de chuva na produção, enquanto exportações do cereal avançam com maior demanda internacional

Milho segunda safra em Goiás perde força após seca e produção sofre queda de 18,7%

A produção de milho da segunda safra em Goiás teve uma nova revisão para baixo e deve alcançar 10,3 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados no informativo mensal Agro em Dados, da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (SEAPA) . A redução de 18,7% acompanha a atualização da Companhia Nacional de Abastecimento e evidencia os efeitos da escassez de chuvas registrada entre abril e maio sobre as lavouras do Estado.

O período de estiagem ocorreu justamente durante etapas decisivas para o desenvolvimento do cereal. Segundo o boletim, a falta de água coincidiu com a floração e o enchimento dos grãos, fases essenciais para a formação da produtividade. Com isso, a produção de milho da segunda safra em Goiás sofreu perdas relevantes, alterando as projeções para a colheita deste ciclo.

Apesar do cenário desfavorável na segunda safra, os produtores tiveram um desempenho bastante diferente na primeira etapa do cultivo. As condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras, garantindo um resultado histórico para o Estado e reduzindo parte dos impactos causados pelo período seco registrado nos meses seguintes.

As chuvas distribuídas entre outubro e janeiro proporcionaram um ambiente favorável ao crescimento das plantas. O bom volume de água contribuiu para a polinização e o enchimento dos grãos, permitindo que o milho da primeira safra atingisse média de 10,4 toneladas por hectare, o maior índice da série histórica. Até 29 de maio, a colheita já havia alcançado 90% da área cultivada em Goiás.

Produção de milho da segunda safra em Goiás contrasta com avanço das exportações

Mesmo com a redução na estimativa da colheita, o milho segue ocupando posição estratégica para o comércio exterior do agronegócio goiano. Entre janeiro e abril de 2026, o grupo Cereais, Farinhas e Preparações apareceu como o terceiro principal segmento exportador do setor, movimentando US$ 154,1 milhões, segundo levantamento da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás.

Dentro desse grupo, os cereais responderam pela maior parte das vendas internacionais. O milho liderou os embarques ao gerar US$ 148,7 milhões, valor equivalente a 96,5% de toda a receita obtida pelo segmento no período. O desempenho demonstra a importância do cereal para a balança comercial estadual, mesmo diante da queda na produção de milho da segunda safra em Goiás.

Historicamente, os embarques do cereal entre fevereiro e junho costumam apresentar menor volume devido à oferta reduzida. Ainda assim, abril registrou um movimento diferente do padrão observado nos anos anteriores, impulsionando os resultados das exportações goianas.

Os embarques cresceram de forma expressiva na comparação anual. Em abril de 2025, o Estado havia exportado duas mil toneladas, com faturamento de US$ 437,9 mil. No mesmo mês de 2026, o volume chegou a 8,7 mil toneladas, enquanto a receita alcançou US$ 1,9 milhão. O avanço foi atribuído ao aumento das compras realizadas pelo Vietnã, principal parceiro comercial de Goiás para o produto, que ampliou suas importações em mais de quatro vezes no período.

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