Documento entregue ao Ministério da Agricultura reúne 10 medidas prioritárias para garantir previsibilidade, acesso a crédito e segurança financeira ao produtor rural
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil apresentou, em 28 de maio, um pacote estratégico com 10 propostas para o Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027. O material foi entregue ao ministro da Agricultura e Pecuária e traz como eixo central a necessidade de ampliar o crédito rural, garantir previsibilidade orçamentária e fortalecer mecanismos de proteção ao produtor diante de um cenário econômico instável.
A iniciativa surge em meio a pressões crescentes sobre o setor agropecuário, que enfrenta custos elevados, juros altos e instabilidade climática. Segundo a entidade, a nova política agrícola precisa ir além da ampliação de recursos, focando em uma estrutura mais eficiente, capaz de assegurar continuidade produtiva e estabilidade no abastecimento de alimentos.
O documento foi construído com participação de federações estaduais, sindicatos rurais e produtores de todas as regiões do país. A proposta busca manter o Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos, ao mesmo tempo em que protege a sustentabilidade econômica do setor.
A CNA alerta que o contexto atual exige ações coordenadas e estruturantes. A entidade afirma que o fortalecimento das políticas agrícolas é essencial para conter a inflação dos alimentos, garantir a segurança alimentar e manter a competitividade do agro brasileiro.
De acordo com o documento, o produtor rural tem operado sob forte pressão financeira, mantendo a produção com margens reduzidas e maior nível de endividamento. A combinação de custos elevados, restrições de crédito e eventos climáticos adversos tem dificultado o planejamento no campo.
Nesse cenário, o Plano Safra 2026/2027 ganha papel decisivo. A CNA destaca que não basta aumentar os recursos disponíveis, sendo necessário aprimorar os instrumentos de crédito, ampliar o acesso ao financiamento e fortalecer a gestão de riscos.
A entidade também defende soluções que conciliem liquidez ao produtor com estabilidade no sistema financeiro. O objetivo é evitar desequilíbrios no mercado de crédito e garantir segurança institucional para financiadores e agricultores.
Um dos pontos centrais do debate é a previsibilidade orçamentária. A CNA critica o desalinhamento entre o calendário do orçamento público e o ciclo agrícola. “A assimetria entre o calendário orçamentário e o agrícola prejudica a previsibilidade e dificulta o planejamento adequado das políticas públicas voltadas ao agro”.
Além da falta de alinhamento entre orçamento e produção, a entidade aponta insuficiência de recursos no Orçamento Geral da União. Esse cenário se torna mais crítico em períodos de juros elevados, que aumentam o custo da equalização do crédito rural.
Segundo o documento, garantir volume adequado de recursos e previsibilidade é essencial para evitar interrupções em políticas estruturantes. “Por isso, a previsibilidade orçamentária, a compatibilização entre o OGU e o Plano Safra e a alocação de recursos em volume adequado são condições essenciais para dar segurança ao planejamento do agro e evitar descontinuidades em políticas estruturantes para o setor”.
Outro destaque é a proposta de criação de um modelo plurianual para o Plano Safra. A CNA argumenta que o formato atual, baseado em ciclos anuais, gera incertezas e limita o planejamento de médio prazo.
A entidade defende uma nova arquitetura orçamentária, capaz de acompanhar a dinâmica da produção agrícola. “Mais do que ampliar valores anunciados, deve fortalecer a qualidade institucional do plano, com uma arquitetura orçamentária compatível com a dinâmica da produção”.
Entre as principais sugestões está a criação de um Plano Agrícola e Pecuário plurianual, com diretrizes claras para programas prioritários. A medida busca dar maior previsibilidade ao setor e permitir planejamento mais eficiente por parte dos produtores.
A CNA também propõe a destinação de R$ 623 bilhões ao Plano Safra 2026/2027. Desse total, R$ 104,9 bilhões seriam direcionados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial, com foco no crédito rural tradicional.
Outro ponto relevante é o fortalecimento do seguro rural. A entidade defende a garantia de R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural e a aprovação de projetos que modernizem o sistema.
As propostas incluem ainda medidas para melhorar a saúde financeira do produtor, ampliar o acesso ao crédito, reduzir burocracias e fortalecer o combate a práticas irregulares no financiamento rural.
O documento também aponta a necessidade de ampliar os mecanismos de financiamento privado no agronegócio. A CNA sugere maior uso do mercado de capitais como alternativa para diversificar fontes de recursos.
Entre as prioridades estão a ampliação dos fundos garantidores, ajustes no ambiente de negócios e incentivo a programas como RenovAgro, PCA e Proirriga. Essas iniciativas visam modernizar a produção e aumentar a eficiência no campo.
Outro eixo estratégico envolve investimentos em infraestrutura agrícola, como armazenagem, irrigação e recuperação de solos. A proposta inclui metas progressivas e planejamento de médio prazo para superar gargalos históricos.
Ao todo, o documento está dividido em seis capítulos e reúne diretrizes que buscam tornar a política agrícola mais estável, eficiente e alinhada às demandas atuais do setor.
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