Elevação do confinamento impulsiona produção de ração e transforma pecuária no Brasil

Setor registra salto no número de animais confinados e acelera demanda por nutrição animal com foco em produtividade e eficiência

Elevação do confinamento impulsiona produção de ração e transforma pecuária no Brasil

O avanço do confinamento no Brasil tem redesenhado a pecuária nacional e impulsionado a produção de ração em ritmo acelerado. Dados recentes apontam que o número de animais nesse sistema saltou de 7,76 milhões em 2024 para 9,25 milhões em 2025, com expectativa de chegar perto de 10 milhões em 2026. O movimento evidencia uma transformação estrutural no campo, marcada por maior uso de tecnologia e intensificação produtiva.

Esse crescimento está diretamente ligado ao aumento da demanda por nutrição animal, já que o confinamento exige alimentação controlada e de alta eficiência. Diferente do modelo extensivo, onde o gado se alimenta majoritariamente de pasto, o sistema intensivo depende de ração balanceada, elevando o consumo por animal e movimentando toda a cadeia produtiva.

Demanda aquecida e abates em alta

O cenário também é influenciado pela elevação no abate de bovinos, que cresceu mais de 8% em 2025. O dado indica maior volume de animais em fase final de produção e um ciclo mais dinâmico dentro das propriedades. Ao mesmo tempo, o consumo de proteína animal segue aquecido, impulsionado tanto pelo mercado interno quanto pelas exportações, que permanecem em patamares elevados.

Com isso, a pecuária brasileira passa por um processo de intensificação, com redução da área utilizada e aumento da produtividade por cabeça. Nesse novo modelo, a ração deixa de ser apenas suporte e assume papel estratégico, impactando diretamente o desempenho dos animais e os resultados financeiros dos produtores.

A melhora nos custos de insumos também contribui para esse avanço. Grãos como milho e soja apresentaram condições mais favoráveis, oferecendo maior previsibilidade ao pecuarista. Esse fator, aliado ao atual ciclo positivo da pecuária, com recomposição do rebanho, sustenta a tendência de crescimento no consumo de ração nos próximos anos.

Gestão e tecnologia ganham protagonismo

Diante desse cenário, empresas do setor ampliam sua atuação ao integrar nutrição e gestão dentro das propriedades. A estratégia vai além da alimentação, considerando custos, mercado e planejamento produtivo como fatores essenciais para a rentabilidade.

Segundo Fernando Carlos, a intensificação exige uma nova postura do produtor diante do negócio. “O crescimento do confinamento aumenta naturalmente a demanda por ração, mas o ponto central é como essa nutrição é utilizada. Hoje, não basta alimentar bem, é preciso entender o custo, o momento de mercado e o impacto disso na margem do produtor”, afirma.

Ele ressalta que decisões mais assertivas estão diretamente ligadas ao uso de informação e planejamento dentro das fazendas. “A pecuária está cada vez mais técnica. Quando o produtor passa a trabalhar com informação e planejamento, ele consegue aproveitar melhor esse cenário favorável e reduzir riscos”, completa.

Futuro aponta para pecuária mais eficiente

Especialistas avaliam que o avanço da nutrição animal no Brasil deve seguir acompanhando a evolução do setor pecuário. A tendência indica um modelo cada vez mais intensivo, orientado por dados e focado em eficiência produtiva.

Esse movimento marca uma mudança profunda na forma de produzir carne no país, com impacto direto na competitividade global. O uso estratégico da alimentação, aliado à tecnologia e gestão, tende a definir os próximos passos da pecuária brasileira nos próximos anos.

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