Nova decisão do governo impacta bovinos, suínos e aves e acelera mudanças na produção animal no país
A decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária de proibir antibióticos como melhoradores de desempenho na alimentação animal abre uma nova fase para a pecuária brasileira. A medida afeta diretamente a criação de bovinos, suínos e aves, além de ampliar a pressão por modelos produtivos ligados à segurança alimentar e à sustentabilidade. O objetivo do governo é reduzir os riscos da resistência antimicrobiana, considerada uma preocupação crescente na saúde pública mundial.
Durante décadas, os antibióticos foram utilizados para acelerar o ganho de peso dos animais e diminuir doenças nos rebanhos. Com o avanço dos debates científicos, o uso contínuo dessas substâncias passou a gerar preocupação internacional. Especialistas alertam que a exposição frequente aos medicamentos, mesmo em doses pequenas, pode favorecer o surgimento de bactérias resistentes e comprometer tratamentos médicos em humanos.
A nova regulamentação estabelece a retirada de substâncias consideradas críticas para a medicina, entre elas avoparcina, bacitracina e virginiamicina. O governo definiu um período de transição de 180 dias para que os produtos deixem gradualmente o mercado e as cadeias produtivas adaptem seus sistemas.
Para profissionais do setor, a mudança acelera uma transformação que já vinha sendo discutida nos bastidores da produção animal. O zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, afirma que o cenário exige revisão imediata das práticas adotadas no campo. “O uso contínuo de antibióticos como ferramenta de desempenho já vinha sendo questionado há algum tempo. Agora, com a regulamentação, isso deixa de ser uma opção e passa a exigir uma mudança estrutural na forma de produzir”, afirma.
A busca por soluções sem antibióticos vinha ganhando espaço entre produtores preocupados com novas exigências sanitárias e comerciais. Segundo Fernando Carlos, parte das empresas já investia em tecnologias voltadas para desempenho animal sem recorrer aos antimicrobianos tradicionais.
“Existem tecnologias que permitem manter desempenho sem recorrer a esses ativos, como o uso de óleos essenciais e taninos. São estratégias que atuam no equilíbrio ruminal e na saúde do animal de forma mais sustentável”, explica. O movimento ganhou força nos últimos anos com a ampliação das cobranças por rastreabilidade e qualidade da proteína animal exportada pelo Brasil.
O especialista destaca que alguns sistemas produtivos já trabalham há décadas sem utilizar esse tipo de aditivo. “Há mais de duas décadas, já existem operações que optaram por não utilizar esses aditivos, focando em nutrição mais eficiente e manejo. Esse movimento agora tende a se ampliar com a nova regra”, diz.
Além do impacto sanitário, a decisão também acompanha mudanças no mercado internacional. Países importadores passaram a exigir critérios ligados ao bem-estar animal, sustentabilidade e redução do uso de medicamentos na produção pecuária. Esse cenário aumenta a pressão por processos considerados mais seguros e alinhados às novas exigências globais.
A expectativa no setor é de crescimento das tecnologias nutricionais alternativas e maior profissionalização da cadeia pecuária brasileira. Empresas ligadas à alimentação animal já ampliam pesquisas voltadas para compostos naturais e estratégias de manejo que mantenham produtividade sem comprometer a saúde dos rebanhos.
A restrição aos antibióticos também pode estimular investimentos em biossegurança, controle sanitário e melhoria genética. O tema ganhou relevância porque consumidores passaram a observar com mais atenção a origem dos alimentos e os métodos utilizados na criação animal.
Fernando Carlos avalia que a mudança representa uma evolução dentro da pecuária nacional. “O setor passa por uma evolução. A produtividade continua sendo importante, mas cada vez mais associada à qualidade, à segurança alimentar e à sustentabilidade”, completa Fernando.
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