Greening ameaça safra de laranja e acende alerta na citricultura brasileira em 2026

Produção menor e avanço da doença preocupam produtores, indústria e especialistas durante evento do setor em São Paulo

Greening ameaça safra de laranja e acende alerta na citricultura brasileira em 2026

A citricultura brasileira atravessa um momento decisivo em 2026. A previsão de uma safra menor de laranja para o ciclo 2026/27 se soma ao avanço do Greening, doença considerada a principal ameaça aos pomares do país. O cenário foi debatido durante o evento Citros em São Paulo 2026, que reuniu representantes da cadeia produtiva para discutir os impactos sobre a produção, os preços e o futuro do setor.

Dados divulgados pelo Fundecitrus apontam uma colheita estimada em 255 milhões de caixas de laranja, volume abaixo do registrado no ciclo anterior. A redução na oferta ocorre em um momento de forte preocupação com a sanidade dos pomares, especialmente nas principais regiões produtoras do país. Segundo especialistas, a combinação desses fatores pode provocar mudanças relevantes nas negociações entre produtores, indústria e mercado consumidor ao longo dos próximos meses.

Durante o encontro realizado em São Paulo, o diretor do Centro de Citricultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Dirceu Mattos Junior, destacou que a menor disponibilidade de frutas tende a influenciar diretamente as relações comerciais do setor. “A relação de oferta diminui em relação à demanda de fruta, tanto para o mercado de fruta fresca como para a produção de suco de laranja”, afirmou o pesquisador.

A avaliação é de que as discussões sobre preços e estratégias de mercado devem ganhar intensidade ao longo do semestre. Para os participantes do evento, o momento exige alinhamento entre todos os segmentos da cadeia produtiva para enfrentar um período de menor oferta e custos elevados.

Greening avança sobre os pomares e preocupa o setor

O avanço do Greening continua sendo o principal desafio da citricultura brasileira. A doença, causada por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo Diaphorina citri, compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade e afeta a qualidade dos frutos destinados ao consumo e à indústria.

De acordo com Dirceu Mattos Junior, a situação já alcançou níveis preocupantes nas áreas responsáveis pela maior parte da produção nacional. “Dentro do cinturão citrícola, afeta quase que 50% das árvores, causando queda de frutos, afetando a produção, assim como a qualidade do suco”, declarou o diretor do Centro de Citricultura.

O chamado cinturão citrícola engloba o estado de São Paulo e o sul do Triângulo Mineiro, região responsável pela maior concentração de pomares comerciais do país. Nesses locais, o controle da doença representa uma das maiores despesas dos produtores, exigindo monitoramento constante e investimentos permanentes em manejo fitossanitário.

Além das perdas no campo, os efeitos chegam ao consumidor final. A deterioração da qualidade da matéria-prima utilizada pela indústria tem impacto direto sobre o produto comercializado, gerando preocupações em toda a cadeia produtiva.

Qualidade do suco entra no centro das discussões

Especialistas alertam que os reflexos do Greening já podem ser percebidos também no mercado de bebidas. A queda na qualidade do suco de laranja produzida pela doença tem influenciado o comportamento do consumidor e criado novos desafios para o setor.

Ao abordar esse tema, Dirceu Mattos Junior destacou que o problema não se limita à produção agrícola. “Um suco de menor qualidade tem trazido menor consumo, e isso se reflete em termos de relações de preço que vemos”, disse ele.

A preocupação envolve desde os produtores rurais até as indústrias exportadoras. Com menor aceitação do produto, surgem impactos econômicos que afetam toda a cadeia, tornando ainda mais urgente a busca por soluções que reduzam os efeitos da doença nos pomares brasileiros.

Nesse contexto, o Centro de Citricultura do IAC participa de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias e estratégias para garantir a sustentabilidade da atividade e preservar a competitividade do país no mercado internacional.

Brasil mantém posição estratégica no mercado global

Mesmo enfrentando desafios crescentes, o Brasil continua ocupando posição de destaque no comércio mundial de suco de laranja. O desempenho é atribuído à capacidade de produção em clima tropical e à estrutura logística desenvolvida ao longo de décadas em parceria com a indústria exportadora.

Segundo o pesquisador, a produção nacional conseguiu manter níveis elevados de produtividade mesmo diante da redução de áreas cultivadas e do aumento dos custos operacionais. Esse diferencial se torna ainda mais evidente quando comparado a outros concorrentes internacionais.

Dirceu Mattos Junior destacou que regiões produtoras rivais enfrentaram impactos ainda mais severos causados pelo Greening, especialmente a Flórida. “Outros países que o Greening afetou de forma bastante severa permitiram que o Brasil continue competitivo”, pontuou.

O debate sobre o futuro da citricultura brasileira esteve no centro das discussões dos Citros em São Paulo 2026, encontro que reuniu produtores, pesquisadores, cooperativas e empresas em busca de soluções para uma atividade considerada uma das mais relevantes do agronegócio paulista.

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