Crise no Grupo Casas Bahia levou dívida a R$ 17,3 bilhões; entenda a trajetória

Varejista pediu recuperação judicial após sucessivos prejuízos, fechamento de lojas e dificuldades para reorganizar as obrigações financeiras

Crise no Grupo Casas Bahia levou dívida a R$ 17,3 bilhões; entenda a trajetória

O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial no domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, para reorganizar suas finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Segundo a companhia, a medida foi tomada após a piora da situação financeira diante dos juros elevados, do encarecimento do crédito e do consumo mais fraco, fatores que pressionaram a geração de caixa.

O pedido representa uma nova etapa de uma crise que começou a ganhar força em 2022, quando a varejista passou a acumular prejuízos trimestrais. Desde então, o grupo fechou lojas, reduziu postos de trabalho, lançou um plano de transformação, renegociou R$ 4,1 bilhões por meio de recuperação extrajudicial e buscou diminuir seu endividamento.

Crise do Grupo Casas Bahia começou a aparecer em 2022

Os primeiros sinais da crise do Grupo Casas Bahia surgiram no terceiro trimestre de 2022, quando a companhia registrou o primeiro de uma sequência de resultados trimestrais negativos.

Naquele período, a empresa já fechava unidades com desempenho abaixo do esperado e enfrentava vendas pressionadas por uma economia ainda afetada pelas consequências da pandemia de Covid-19.

No fim de 2022, em um ambiente de alta dos juros iniciado no ano anterior, o grupo buscava elevar a rentabilidade e estabelecer um crescimento sustentado pela geração de caixa.

Em 2023, a companhia apresentou seu Plano de Transformação, estruturado a partir desses objetivos e com previsão de crescimento depois de 2025.

Na época, Renato Horta Franflin, então presidente da Via, controladora das marcas Casas Bahia e Ponto, disse que a companhia já havia adotado uma estratégia voltada ao crescimento das vendas digitais, além de ampliar canais, expandir lojas e investir em fintechs.

“Nós entendemos que isso tudo foi feito. Construímos uma super plataforma, e ela já é grande. Então, entre investir para crescer mais essa plataforma ou pegar e rentabilizar o que tenho aqui, preferimos ganhar dinheiro com o que tem aqui”, afirmou Renato.

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Recuperação extrajudicial envolveu R$ 4,1 bilhões em dívidas

As medidas adotadas em 2023 incluíram o fechamento de dezenas de lojas e a redução de milhares de postos de trabalho. Mesmo assim, os juros elevados, o crédito mais caro e o maior endividamento dos consumidores continuaram afetando o varejo e as operações do Grupo Casas Bahia.

Oito meses depois de anunciar o plano de transformação, a empresa avançou para outra fase da reestruturação financeira. O grupo pediu recuperação extrajudicial para alongar e renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas.

A recuperação extrajudicial foi homologada em abril de 2024 e suspendeu por 180 dias as execuções promovidas por credores contra a companhia.

Nesse tipo de processo, a negociação ocorre diretamente entre a empresa e seus principais credores e posteriormente é submetida à Justiça. Na recuperação judicial, por sua vez, a companhia em dificuldades financeiras recorre ao Judiciário para conduzir a negociação com os credores.

Em 2025, dentro da reorganização de sua estrutura de capital, o Grupo Casas Bahia conseguiu diminuir a alavancagem, indicador relacionado à dependência de recursos emprestados para financiar as atividades, e reduziu sua dívida líquida em 75%.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões ampliou pressão financeira

A situação voltou a se deteriorar no primeiro semestre de 2026, quando o caixa da companhia passou a enfrentar nova pressão. Mesmo após reduzir a dívida líquida em R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, o grupo indicou que precisaria reorganizar suas obrigações financeiras.

No domingo (16), a empresa informou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Também comunicou o fechamento de mais de 200 lojas em outra etapa do plano iniciado em 2023.

Essa fase previa mudanças na estratégia dos canais digitais, redução dos estoques, cortes de custos e despesas, diminuição da necessidade de capital para manter as operações e procura por alternativas capazes de ampliar o caixa e reduzir o peso das dívidas.

No balanço, a Casas Bahia informou ainda que tentou captar recursos no Brasil e no exterior. Parte das negociações, porém, não avançou. A desistência de um investidor e as dificuldades para conseguir novos financiamentos, em um ambiente marcado por juros altos, crédito restrito e incertezas nos mercados, também contribuíram para o pedido de recuperação judicial.

Recuperação judicial do Grupo Casas Bahia envolve dívida de R$ 17,3 bilhões

Com o agravamento das dificuldades financeiras, o Grupo Casas Bahia apresentou o pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

O valor é superior aos R$ 4,1 bilhões envolvidos na recuperação extrajudicial iniciada em 2024 e ocorre depois das tentativas de redução do endividamento e reorganização da operação realizadas nos últimos anos.

Segundo a empresa, o cenário de juros elevados aumentou os custos financeiros e encareceu o acesso ao crédito, enquanto o consumo mais fraco afetou sua capacidade de geração de caixa.

Grupo Casas Bahia reúne Casas Bahia, Ponto, Extra e Bartira

O Grupo Casas Bahia está entre as grandes varejistas brasileiras e controla as marcas Casas Bahia, Ponto, Extra.com.br e Bartira, fabricante de móveis. A companhia também mantém operações nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, entre elas o Casas Bahia Pay.

A configuração atual do negócio começou a tomar forma em 2009, quando a rede Casas Bahia foi incorporada à Globex, controladora do Ponto, então chamado Pontofrio.

Em 2010, a companhia passou a se chamar Via Varejo. O nome foi alterado para Via em 2021 e, dois anos depois, para Grupo Casas Bahia.

Nos últimos anos, a empresa ampliou sua atuação digital e direcionou investimentos para comércio eletrônico, logística, meios de pagamento e serviços financeiros, além de adquirir negócios de tecnologia e ligados ao ambiente digital.

No segundo trimestre de 2026, além do prejuízo de R$ 10,1 bilhões, o grupo apresentou novos planos para reduzir sua estrutura operacional, concentrar recursos nos negócios de maior rentabilidade e cortar gastos para elevar a geração de caixa e buscar equilíbrio financeiro.

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