Comércio varejista goiano registra maior queda para maio em 14 anos, aponta pesquisa

Levantamento mostra retração nas vendas em Goiás, apesar de indicadores acumulados ainda permanecerem positivos no ano

Comércio varejista goiano registra maior queda para maio em 14 anos, aponta IBGE

O comércio varejista goiano atravessou um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados pelo IBGE, revelam que o volume de vendas caiu 2,8% em maio, na comparação com abril, considerando a série com ajuste sazonal. O desempenho representa o pior resultado para um mês de maio desde 2012 e coloca o estado entre os maiores recuos registrados no país no período.

Além de marcar o pior desempenho para o mês em 14 anos, a retração também aparece como a segunda maior para maio desde o início da série histórica, em 2000. Apenas o resultado de 2003, quando a queda foi de 5,9%, foi mais intenso. Na comparação com maio de 2025, o cenário também permaneceu negativo, com recuo de 1,7%. Mesmo assim, o comércio varejista goiano ainda acumula crescimento de 3,0% no ano e de 1,7% nos últimos 12 meses.

Enquanto Goiás registrou forte retração, o desempenho nacional foi praticamente estável. No Brasil, o varejo avançou 0,1% em maio frente ao mês anterior. Na comparação anual, houve alta de 0,4%, com crescimento acumulado de 1,7% em 2026 e de 1,4% em 12 meses.

Comércio varejista goiano sofre impacto dos supermercados e do setor de vestuário

Entre os segmentos que mais influenciaram o desempenho negativo do comércio varejista goiano, o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve o maior peso. As vendas caíram 1,6% na comparação com maio do ano passado, registrando o pior resultado do setor em 2026. Mesmo com saldo positivo de 0,7% no acumulado do ano, o indicador permanece negativo em 12 meses, com retração de 0,3%.

Outro destaque negativo veio das lojas de tecidos, vestuário e calçados, que registraram queda de 9,4%. Foi a quarta retração consecutiva do segmento e a mais intensa desde maio de 2023. Os números também mostram perdas acumuladas de 3,9% em 2026 e de 2,2% nos últimos 12 meses, evidenciando um período prolongado de dificuldades para a atividade.

Outros setores também encerraram maio com desempenho inferior ao do ano anterior. Houve retração nas vendas de móveis e eletrodomésticos, artigos farmacêuticos, equipamentos de informática e comunicação, além de outros artigos de uso pessoal e doméstico, ampliando a pressão sobre o resultado geral do varejo estadual.

Combustíveis e veículos aparecem entre os destaques positivos

Apesar da queda geral, alguns segmentos apresentaram crescimento. O setor de combustíveis e lubrificantes avançou 6,3% em relação a maio de 2025 e chegou à sétima alta consecutiva. Desde janeiro, o segmento acumula expansão de 12,4%, enquanto o resultado em 12 meses soma 2,5%.

>> Leia também: Setor de serviços em Goiás recua novamente e amplia perdas em 2026, aponta IBGE

Também chamou atenção o desempenho de livros, jornais, revistas e papelaria, que cresceu 34,7% após uma sequência de dez meses de resultados negativos. O avanço foi o maior registrado pelo segmento desde setembro de 2022, interrompendo um período prolongado de retração nas vendas.

No varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado especializado, o cenário foi diferente. O indicador avançou 6,0% frente a maio do ano passado, impulsionado principalmente pelo segmento de veículos, motocicletas, partes e peças, que registrou alta de 22,4% e manteve a sequência de crescimento iniciada em março. O setor de material de construção também apresentou resultado positivo, com expansão de 6,7%.

Goiás figura entre os maiores recuos do país

Na comparação entre abril e maio, Goiás apareceu entre os estados com pior desempenho do varejo brasileiro. O levantamento mostra que o estado dividiu com o Amazonas a terceira maior queda do país, ambos com retração de 2,8%. Apenas Rondônia e Roraima, com quedas de 3,4%, tiveram resultados inferiores.

Os dados também mostram que 16 das 27 unidades da Federação registraram desempenho negativo no período. Em sentido contrário, Distrito Federal, Alagoas, Paraíba e Acre lideraram os avanços entre os estados, acompanhando a leve alta observada no resultado nacional.

Leia Mais Sobre

Copyright © 2025 // Todos os direitos reservados.