Levantamento mostra retração nas vendas em Goiás, apesar de indicadores acumulados ainda permanecerem positivos no ano
O comércio varejista goiano atravessou um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados pelo IBGE, revelam que o volume de vendas caiu 2,8% em maio, na comparação com abril, considerando a série com ajuste sazonal. O desempenho representa o pior resultado para um mês de maio desde 2012 e coloca o estado entre os maiores recuos registrados no país no período.
Além de marcar o pior desempenho para o mês em 14 anos, a retração também aparece como a segunda maior para maio desde o início da série histórica, em 2000. Apenas o resultado de 2003, quando a queda foi de 5,9%, foi mais intenso. Na comparação com maio de 2025, o cenário também permaneceu negativo, com recuo de 1,7%. Mesmo assim, o comércio varejista goiano ainda acumula crescimento de 3,0% no ano e de 1,7% nos últimos 12 meses.
Enquanto Goiás registrou forte retração, o desempenho nacional foi praticamente estável. No Brasil, o varejo avançou 0,1% em maio frente ao mês anterior. Na comparação anual, houve alta de 0,4%, com crescimento acumulado de 1,7% em 2026 e de 1,4% em 12 meses.
Entre os segmentos que mais influenciaram o desempenho negativo do comércio varejista goiano, o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve o maior peso. As vendas caíram 1,6% na comparação com maio do ano passado, registrando o pior resultado do setor em 2026. Mesmo com saldo positivo de 0,7% no acumulado do ano, o indicador permanece negativo em 12 meses, com retração de 0,3%.
Outro destaque negativo veio das lojas de tecidos, vestuário e calçados, que registraram queda de 9,4%. Foi a quarta retração consecutiva do segmento e a mais intensa desde maio de 2023. Os números também mostram perdas acumuladas de 3,9% em 2026 e de 2,2% nos últimos 12 meses, evidenciando um período prolongado de dificuldades para a atividade.
Outros setores também encerraram maio com desempenho inferior ao do ano anterior. Houve retração nas vendas de móveis e eletrodomésticos, artigos farmacêuticos, equipamentos de informática e comunicação, além de outros artigos de uso pessoal e doméstico, ampliando a pressão sobre o resultado geral do varejo estadual.
Apesar da queda geral, alguns segmentos apresentaram crescimento. O setor de combustíveis e lubrificantes avançou 6,3% em relação a maio de 2025 e chegou à sétima alta consecutiva. Desde janeiro, o segmento acumula expansão de 12,4%, enquanto o resultado em 12 meses soma 2,5%.
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Também chamou atenção o desempenho de livros, jornais, revistas e papelaria, que cresceu 34,7% após uma sequência de dez meses de resultados negativos. O avanço foi o maior registrado pelo segmento desde setembro de 2022, interrompendo um período prolongado de retração nas vendas.
No varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado especializado, o cenário foi diferente. O indicador avançou 6,0% frente a maio do ano passado, impulsionado principalmente pelo segmento de veículos, motocicletas, partes e peças, que registrou alta de 22,4% e manteve a sequência de crescimento iniciada em março. O setor de material de construção também apresentou resultado positivo, com expansão de 6,7%.
Na comparação entre abril e maio, Goiás apareceu entre os estados com pior desempenho do varejo brasileiro. O levantamento mostra que o estado dividiu com o Amazonas a terceira maior queda do país, ambos com retração de 2,8%. Apenas Rondônia e Roraima, com quedas de 3,4%, tiveram resultados inferiores.
Os dados também mostram que 16 das 27 unidades da Federação registraram desempenho negativo no período. Em sentido contrário, Distrito Federal, Alagoas, Paraíba e Acre lideraram os avanços entre os estados, acompanhando a leve alta observada no resultado nacional.
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