Colheita avança no Brasil, mas clima e mercado global pressionam soja e derivados

Goiás acelera ritmo, enquanto preços reagem a tensões internacionais e alta do petróleo

Colheita avança no Brasil, mas clima e mercado global pressionam soja e derivados

A colheita da soja no Brasil atingiu 74,3% da área entre 22 e 28 de março, segundo dados da Conab, em meio a desafios climáticos e oscilações no mercado internacional. No mesmo período, 16,9% das lavouras estavam na fase de maturação, indicando avanço consistente da safra, ainda que com ritmo desigual em algumas regiões produtoras.

Em Goiás, um dos principais polos agrícolas do país, a colheita chegou a 89,0% da área cultivada. O desempenho segue alinhado ao registrado no mesmo período do ano anterior e também à média histórica dos últimos cinco anos. Ainda assim, o avanço foi parcialmente limitado pelas chuvas, que dificultaram as operações em determinadas áreas do estado.

Clima impacta ritmo e preços mostram leve reação

O comportamento do clima tem sido determinante para o andamento dos trabalhos no campo. O excesso de chuvas em pontos específicos atrasou o ritmo das máquinas, gerando diferenças regionais no progresso da colheita. Mesmo com essas limitações, o cenário geral indica produtividade relevante nas principais regiões produtoras.

No mercado interno, os preços apresentaram leve recuperação em março. O Indicador da Soja Paranaguá Cepea/Esalq registrou alta de 2,4% na comparação mensal. A movimentação reflete um ambiente de volatilidade nas cotações, influenciado por fatores externos que vão além da oferta e demanda tradicional.

Petróleo impulsiona óleo de soja e biocombustíveis

A valorização do óleo de soja no mercado global ganhou força nas últimas semanas, puxada pela alta do petróleo. As tensões no Oriente Médio elevaram os preços da commodity energética, tornando os biocombustíveis mais competitivos frente aos combustíveis fósseis.

Desde 28 de fevereiro, os contratos futuros do petróleo BRENT acumulam ganhos expressivos, mantendo o barril acima de US$ 100,00. Esse cenário aumentou a procura pelo óleo de soja, principal matéria-prima do biodiesel, e sustentou as cotações internacionais do produto.

Margens industriais melhoram e exportações batem recorde

Com a alta do óleo de soja, a margem de esmagamento também foi favorecida. Esse indicador mede a rentabilidade da indústria ao comparar o custo do grão com a receita obtida dos derivados. O resultado positivo impulsionou tanto o farelo quanto os preços da soja em grão.

Em fevereiro, o contrato do óleo de soja alcançou média de US$ 1.271,01 por tonelada, o maior valor desde setembro de 2023, com avanço de 11,5%. Já o farelo de soja foi negociado a US$ 334,70 por tonelada na Bolsa de Chicago, registrando alta de 4,1% no mês.

O impacto desse movimento é direto para o Brasil, líder global nas exportações do complexo soja. Nos dois primeiros meses do ano, o país embarcou 3,5 milhões de toneladas de farelo de soja, o maior volume já registrado para um primeiro bimestre. Em Goiás, as exportações chegaram a 352,9 mil toneladas no mesmo período.

Esse desempenho evidencia como o mercado de energia influencia diretamente o agronegócio. A conexão entre petróleo, biocombustíveis e commodities agrícolas tem moldado os preços e ampliado a relevância do Brasil no comércio global de soja e derivados.

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