Negócio de US$ 2,8 bilhões envolve mina em Minaçu e pode redefinir cadeias de suprimento fora da Ásia
A compra da Serra Verde Group pela USA Rare Earth, anunciada em 20 de abril, projeta Goiás para um novo patamar no cenário global de minerais críticos. Avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões, a transação ainda depende de aval regulatório e tem previsão de conclusão no terceiro trimestre de 2026. O movimento ocorre em meio a uma disputa internacional por fontes alternativas de terras raras, essenciais para tecnologia e energia.
Com a operação, a mineradora americana passa a controlar uma das poucas iniciativas fora da Ásia capazes de produzir, em escala, elementos magnéticos estratégicos. Entre eles estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para indústrias de alta tecnologia. A aquisição reposiciona o Brasil, especialmente Goiás, em um mapa dominado historicamente por países asiáticos.
A mina localizada em Minaçu iniciou suas atividades em 2024 e já apresenta projeções robustas. A expectativa é atingir cerca de 6,4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até 2027. O plano da empresa inclui expansão gradual da capacidade, acompanhando a crescente demanda global por esses insumos.
O modelo financeiro do negócio evidencia a aposta no ativo brasileiro. A compra envolve US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth. A estrutura indica confiança no potencial de longo prazo da operação, integrada a uma estratégia mais ampla de produção e industrialização.
A negociação acontece em um momento de pressão internacional para diversificar o fornecimento de terras raras. Atualmente, a Ásia, especialmente a China, domina grande parte da produção e do processamento desses minerais. Esse cenário tem levado países e empresas a buscar alternativas para reduzir riscos geopolíticos e garantir abastecimento.
Nesse contexto, a mina de Pela Ema, em Goiás, ganha relevância estratégica. Por estar fora do principal eixo produtivo mundial, o ativo passa a ser visto como peça-chave em cadeias de suprimento voltadas a mercados ocidentais. A localização amplia sua importância em políticas industriais e de segurança econômica.
Outro fator decisivo para a atratividade da operação é a existência de contratos de longo prazo. A Serra Verde possui acordo para fornecimento de 100% da produção inicial de determinados minerais, com preços mínimos estabelecidos. Essa previsibilidade fortalece a segurança financeira do projeto e sustenta o interesse dos investidores.
As projeções financeiras também chamam atenção. A expectativa é de uma lucratividade anual entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões até o fim de 2027. Em um horizonte mais amplo, a empresa estima alcançar aproximadamente US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, considerando a operação combinada.
A aquisição integra um plano mais amplo da USA Rare Earth para ampliar sua presença global. A companhia já vinha investindo em diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo mineração, separação e fabricação de ímãs permanentes. Há operações em andamento no Reino Unido, França, Oklahoma e Texas.
Com a incorporação da Serra Verde, a empresa avança na construção de uma cadeia integrada, conectando a extração ao produto final. O movimento é interpretado como um passo decisivo para reduzir dependências externas e fortalecer a autonomia industrial em mercados estratégicos.
A nova fase também traz mudanças na liderança. Thras Moraitis, atual CEO da Serra Verde, foi anunciado como futuro presidente da USA Rare Earth. Já Sir Mick Davis, chairman da empresa brasileira, passa a integrar a liderança da companhia combinada, ampliando a governança internacional do grupo.
A reorganização executiva acompanha o crescimento da operação e sinaliza uma integração mais profunda entre os ativos. A expectativa é que a experiência acumulada pelos executivos contribua para acelerar projetos e ampliar a competitividade global da empresa no setor de terras raras.
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