IBGE revela explosão de aluguel no Brasil e mudança no perfil das moradias

Crescimento acelerado de domicílios alugados e envelhecimento da população marcam novo cenário habitacional do país

IBGE revela explosão de aluguel no Brasil e mudança no perfil das moradias

O Brasil registrou uma transformação significativa no perfil das moradias nos últimos anos, com destaque para o avanço dos imóveis alugados. Dados divulgados em 17 de abril de 2026 mostram que o número total de domicílios chegou a 79,3 milhões em 2025, um salto expressivo em relação aos 66,7 milhões contabilizados em 2016. O crescimento reflete mudanças econômicas e sociais que impactam diretamente a forma como os brasileiros vivem e ocupam seus espaços.

Entre os principais movimentos observados, o aumento das moradias alugadas chama atenção. Esse tipo de residência avançou 54,1% no período, passando de 12,2 milhões para 18,9 milhões de unidades. A expansão superou com folga outras modalidades de moradia e indica uma tendência crescente de mobilidade e adaptação às condições financeiras das famílias.

O analista William Kratochwill destacou que o aluguel ganhou peso na composição habitacional. “Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016”.

Apesar da predominância das casas, que representam 82,7% dos imóveis, os apartamentos ganharam espaço com crescimento de 48,7% no período. Já as casas avançaram em ritmo mais moderado, com alta de 14,2%, indicando mudanças na dinâmica urbana e na verticalização das cidades.

Estrutura das moradias mostra avanço e desigualdades regionais

A composição física dos imóveis também revela diferenças importantes entre regiões. Em 2025, quase metade dos domicílios ainda utilizava telha sem laje de concreto como cobertura predominante, enquanto apenas 32,7% tinham telha com laje. O Sudeste foi a única região onde esse padrão se inverteu, com maior presença de estruturas mais modernas.

No caso das paredes, a alvenaria com revestimento domina amplamente, presente em 89,7% das residências. O crescimento desse material superou a expansão total de domicílios, indicando melhora gradual nas condições habitacionais. Segundo o analista, regiões historicamente mais vulneráveis vêm avançando nesse aspecto. “É um número que mostra uma evolução econômica das regiões. O Norte tem se destacado, com um aumento de 10,0 pontos percentuais, chegando a 71,5% dos domicílios com esse tipo de parede”.

Outro indicativo de melhoria está nos pisos das casas brasileiras. O uso de cerâmica, lajota ou pedra atingiu 82,9% das residências, enquanto o piso de cimento perdeu espaço em todas as regiões. A mudança reflete maior acesso a materiais considerados mais duráveis e confortáveis.

O acesso à água também avançou, chegando a 86,1% dos domicílios. Ainda assim, as diferenças entre áreas urbanas e rurais permanecem marcantes. Enquanto nas cidades a cobertura alcança 93,1%, no campo o índice fica em apenas 31,7%, revelando desafios estruturais persistentes.

Saneamento, lixo e infraestrutura ainda expõem desigualdades

O saneamento básico segue como um dos principais gargalos do país. Em 2025, 71,4% dos domicílios tinham acesso à rede de esgoto, mas nas áreas rurais esse número despenca para apenas 8,9%. As disparidades regionais também são evidentes, com o Sudeste liderando e o Norte apresentando os menores índices.

A destinação do lixo reforça esse cenário desigual. Embora a coleta direta seja predominante em 86,9% das residências, cerca de 4,8 milhões de domicílios ainda recorrem à queima de resíduos. A prática é mais comum no Norte e Nordeste, especialmente em áreas rurais, onde metade das casas utiliza esse método.

Mesmo com avanços, a infraestrutura ainda não acompanha o crescimento das moradias em todas as regiões. O desafio é garantir que a expansão habitacional venha acompanhada de serviços básicos adequados, reduzindo desigualdades históricas.

Por outro lado, o acesso à energia elétrica praticamente universalizou-se no país, alcançando 99,8% dos domicílios. A cobertura elevada se mantém estável desde 2019, com diferenças mínimas entre áreas urbanas e rurais.

Mudanças sociais e envelhecimento transformam lares brasileiros

O perfil das famílias também mudou de forma significativa. O modelo nuclear segue predominante, mas perdeu espaço ao longo dos anos. Em contrapartida, os domicílios com apenas um morador cresceram fortemente, passando de 12,2% para 19,7% em 2025, um aumento de 8,2 milhões de unidades.

Esse tipo de moradia apresenta características específicas. Homens adultos são maioria entre os que vivem sozinhos, enquanto entre as mulheres predomina o grupo com 60 anos ou mais. A mudança reflete transformações demográficas e sociais, como envelhecimento da população e novos arranjos familiares.

O país também enfrenta um processo claro de envelhecimento populacional. A proporção de pessoas com menos de 30 anos caiu para 41,4%, enquanto a população acima dessa faixa cresceu. O grupo com 60 anos ou mais já representa 16,6% dos brasileiros.

“A população de menos de 30 anos de idade sofreu não apenas uma redução de participação no total, mas também uma redução de 10,4% no seu contingente, passando de 98,2 milhões para 88,0 milhões de pessoas. Quando se considera o contingente de 0 a 39 anos, a queda foi de 6,1% frente a 2012”, destaca William.

O levantamento também aponta mudanças na composição racial e de gênero, além da distribuição de bens nos lares. Geladeiras estão presentes em quase todas as casas, enquanto o acesso a máquinas de lavar cresceu de forma consistente, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.

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