Medida entra em vigor na próxima quarta-feira e recai sobre setor sucroenergético, mas poupa a carne bovina
A partir da próxima quarta-feira, dia 22, os Estados Unidos passam a cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista específica de produtos brasileiros. Em Goiás, o novo tarifaço recai principalmente sobre o setor sucroenergético e parte da indústria estadual. Ficam de fora, no entanto, os itens mais representativos da pauta exportadora goiana rumo ao mercado norte-americano, como a carne bovina, o que reduz o alcance da medida sobre a economia local.
A cobrança foi confirmada pelo governo dos Estados Unidos após o encerramento de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial norte-americano, o USTR. Entram na lista produtos como etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, papel, calçados e vestuário. Já os itens considerados estratégicos para a relação comercial entre os dois países seguem isentos da nova tarifa, o que ajuda a explicar por que o impacto direto sobre Goiás tende a ser contido.
O mercado norte-americano tem relevância para a economia goiana, mas está longe de liderar o ranking de destinos das exportações do estado. Dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, a SIC, mostram que, entre janeiro e junho deste ano, Goiás exportou US$ 7,06 bilhões. Desse total, US$ 462,5 milhões foram destinados aos Estados Unidos, o equivalente a 6,55% de tudo o que o estado embarcou no período. Cerca de 85% desse valor está justamente entre os produtos que ficaram de fora da nova cobrança.
O secretário da SIC, Joel de Sant’Anna Braga Filho, avalia que a exposição do estado ao novo tarifaço é limitada. Segundo ele, “os impactos diretos sobre as exportações goianas devem ser limitados”. Em nota técnica, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás, a Fieg, reforça essa leitura e aponta que o efeito das novas barreiras comerciais tende a ser menor do que o observado durante o tarifaço de 2025. A entidade credita essa diferença à ampliação da lista de exceções negociadas neste novo pacote.
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Mesmo com a proteção aos principais produtos da pauta exportadora, alguns segmentos devem sentir o peso da medida de forma mais direta. De acordo com a SIC, é a cadeia sucroenergética que concentra a maior preocupação neste momento, já que tanto o açúcar quanto o etanol estão entre os itens sobretaxados pelos americanos. A avaliação é de que a perda de competitividade pode afetar diretamente as usinas que mantêm relação comercial com o mercado dos Estados Unidos.
Para o secretário Sant’Anna Braga Filho, o cenário é direto. “Para o açúcar, as usinas goianas que eventualmente acessam o mercado americano enfrentarão perda de competitividade”, afirma. A leitura é compartilhada pelo economista Luiz Carlos Ongaratto, que também destaca a cadeia sucroenergética como a mais sensível ao novo tarifaço. Segundo ele, os efeitos sobre Goiás tendem a ser menores do que os observados em outras regiões do país, já que a China segue como principal destino das exportações goianas, o que reduz a dependência do mercado norte-americano.
A Seapa detalha ainda um possível efeito em cadeia sobre a produção estadual. “No caso de redução nas aquisições de açúcar e etanol, por exemplo, haveria a necessidade de um redirecionamento do excedente goiano para outros destinos”, completa a secretaria. Esse redirecionamento, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, pode significar custos logísticos adicionais e renegociação de contratos já firmados com compradores internacionais.
Para a economista Greice Guerra, o principal risco do novo tarifaço não está apenas nos números atuais, mas no clima de insegurança que ele gera para os próximos meses. Segundo ela, a medida pode reduzir a atração de novos investimentos, dificultar a celebração de contratos comerciais e pressionar o mercado de trabalho, especialmente nos segmentos industriais e no setor sucroenergético goiano.
A economista lembra que o setor produtivo já vinha enfrentando dificuldades por causa das elevadas taxas de juros praticadas no país. Agora, esse cenário se soma a mais um fator de instabilidade para os negócios locais. “O empresariado goiano vai ter que procurar meios para driblar esse tarifaço”, afirmou Greice Guerra ao O HOJE.
Além dos efeitos já mapeados, a SIC monitora de perto o risco de uma nova escalada na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a secretaria, ainda existe uma investigação em andamento que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre parte dos produtos brasileiros, o que ampliaria ainda mais a pressão sobre os exportadores do estado.
Há também uma dúvida que preocupa o setor produtivo goiano. Segundo a SIC, “não está claro se a tarifa global de 10%, prevista para fevereiro de 2026, será aplicada em conjunto com os 25% da Seção 301, podendo elevar a carga para 35%”. Esse cenário de sobreposição tarifária é visto como o principal ponto de atenção para os próximos meses, já que alteraria significativamente as contas de quem exporta para os Estados Unidos.
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