Milho de 2ª safra em Goiás despenca 31% e derruba projeção da produção de grãos

Estado deve colher menos em 2026, enquanto produção nacional segue em alta e mudanças atingem culturas estratégicas

Milho de 2ª safra em Goiás despenca 31% e derruba projeção da produção de grãos

A produção de grãos em Goiás deve registrar uma queda expressiva em 2026, impulsionada principalmente pelo forte recuo da segunda safra de milho. As estimativas mais recentes do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) indicam que o estado deve produzir 33,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, volume 13,4% inferior ao registrado em 2025. No cenário nacional, o movimento ocorre na direção oposta, com previsão de crescimento de 0,4% e safra estimada em 347,4 milhões de toneladas.

O principal impacto vem da segunda safra de milho, que deve encolher 31% em comparação ao ano passado. A produção prevista caiu para 10 milhões de toneladas, bem abaixo das 14,5 milhões colhidas em 2025. O levantamento aponta que o resultado está ligado tanto à redução da área cultivada quanto à queda significativa da produtividade nas lavouras, alterando o desempenho da agricultura goiana nesta temporada.

A produção de grãos em Goiás também deve sentir os efeitos da retração da soja, principal cultura agrícola do estado. Apesar do avanço de 0,9% na área plantada, a colheita está estimada em 19,7 milhões de toneladas, volume 2,8% menor que o obtido em 2025. O desempenho foi influenciado pela redução do rendimento médio das lavouras, que limita os ganhos proporcionados pela expansão das áreas cultivadas.

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As projeções revelam ainda comportamentos distintos entre as principais culturas agrícolas. Enquanto algumas cadeias enfrentam perdas importantes, outras apresentam crescimento de área ou produção, indicando um cenário marcado por diferentes realidades dentro do campo goiano.

Produção de grãos em Goiás perde espaço no ranking nacional

As novas estimativas também alteram a posição de Goiás entre os maiores produtores brasileiros. O estado aparece agora na quarta colocação do ranking nacional de grãos, respondendo por 9,7% da produção do país. Em 2025, ocupava a terceira posição, com participação de 11,3%. Desta vez, o Rio Grande do Sul ultrapassou Goiás e assumiu o terceiro lugar, enquanto Mato Grosso permanece na liderança, seguido pelo Paraná.

Embora a produção de grãos em Goiás tenha perdido participação nacional, algumas culturas apresentam resultados positivos. O estado segue como líder absoluto no cultivo de girassol, com previsão de 54,3 mil hectares plantados em 2026. A área cultivada supera em mais de sete vezes a do segundo colocado no país e deve resultar em uma produção de 83,1 mil toneladas, equivalente a quase 70% de todo o volume nacional.

Outro destaque é a cana-de-açúcar. A safra deve alcançar 86,6 milhões de toneladas, crescimento de 2,9% frente ao ano anterior. Mesmo com redução da produtividade média, a expansão de 13,5% na área plantada sustenta o avanço da produção. O levantamento também prevê crescimento da safra de café arábica, favorecida pelo aumento das áreas cultivadas e do rendimento das lavouras.

Já outras culturas caminham em sentido contrário. A produção de tomate deve apresentar leve retração, acompanhando a diminuição da área plantada. Entre os produtos analisados pelo levantamento também aparecem oscilações em culturas como trigo, sorgo, feijão, algodão e mandioca, demonstrando que o desempenho agrícola em 2026 varia conforme as condições de cada cadeia produtiva.

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