Estimativas apontam diferenças no custo de uma vida básica entre Goiânia, Sul Goiano e outras regiões do estado
O salário digno em Goiás variou de R$ 2.590 a R$ 2.907 por mês em junho de 2025, conforme relatório elaborado pelo Anker Research Institute (ARI) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O levantamento dividiu o estado em três macrorregiões para estimar quanto um trabalhador precisa receber para manter um padrão de vida básico e decente, considerando diferenças econômicas, familiares e territoriais.
O maior salário digno foi calculado para o Sul Goiano, em R$ 2.907 mensais. Em Goiânia e na região metropolitana, a estimativa ficou em R$ 2.854, enquanto Centro, Leste, Noroeste e Norte Goiano registraram R$ 2.590. Quando o cálculo considera a renda necessária para uma família de quatro pessoas, porém, a capital e o entorno metropolitano apresentam o maior valor.
O relatório estabeleceu três recortes territoriais. A macrorregião GO01 reúne Centro Goiano, Leste Goiano, Noroeste Goiano e Norte Goiano, onde o salário digno mensal foi estimado em R$ 2.590.
A GO02 corresponde ao Sul Goiano, com R$ 2.907. Já a GO03 abrange Goiânia e a região metropolitana, onde o valor calculado alcançou R$ 2.854.
Os três territórios também têm pesos diferentes na distribuição da população estadual analisada. Centro, Leste, Noroeste e Norte concentram 42%. Goiânia e região metropolitana representam 37%, enquanto o Sul Goiano responde pelos outros 21%.
A renda digna, indicador que estima o valor necessário para atender às necessidades de uma família de quatro pessoas, apresenta outra distribuição regional.
Em Goiânia e na região metropolitana, o cálculo chegou a R$ 4.607 mensais, o maior resultado entre os três recortes. No Sul Goiano, foram estimados R$ 4.501, enquanto Centro, Leste, Noroeste e Norte registraram R$ 4.022.
Os números indicam uma diferença entre os conceitos de renda digna e salário digno. Apesar de uma família precisar de um valor mensal maior na capital e no entorno metropolitano, a quantia necessária por trabalhador é ligeiramente superior no Sul Goiano.
Uma das razões para a diferença está na quantidade estimada de trabalhadores em tempo integral por domicílio. O levantamento considera 1,76 trabalhador por família em Goiânia e na região metropolitana e 1,69 nas outras duas macrorregiões.
“Os resultados mostram que as condições econômicas e familiares não são iguais em todo o estado. O custo total de uma família é mais elevado em Goiânia e na região metropolitana, enquanto o valor necessário por trabalhador fica um pouco maior no Sul Goiano, porque tem menos pessoas, na média, contribuindo para a renda da família. A composição dos domicílios e a dinâmica do mercado de trabalho ajudam a explicar essas diferenças”, afirma Ian Prates, diretor da Iniciativa ARI-Cebrap.
O cálculo considera despesas necessárias para manter uma vida básica e decente, incluindo alimentação nutritiva, moradia adequada, transporte, saúde, educação, vestuário, comunicação e cultura, além de outras necessidades essenciais.
Também é incorporada uma margem de 5% para situações inesperadas. Para chegar ao salário digno bruto, o levantamento acrescenta contribuições obrigatórias aplicáveis ao trabalhador, entre elas INSS e imposto de renda.
O relatório utilizou a Metodologia Anker® aplicada a informações de pesquisas domiciliares do IBGE e de outras fontes nacionais.
A adoção de três macrorregiões permite calcular os indicadores considerando características distintas dentro do próprio estado, em vez de utilizar apenas um valor médio para todo o território goiano.
“A territorialização permite observar diferenças que desaparecem quando se trabalha apenas com uma média estadual ou nacional. O indicador oferece uma referência mais próxima da realidade de cada região e pode contribuir para negociações, políticas públicas e estratégias empresariais de remuneração”, explica Ian.
As estimativas indicam que o custo de uma vida básica não está relacionado somente aos preços de cada localidade. A composição das famílias, a participação dos adultos no mercado de trabalho e as características econômicas regionais também interferem nos resultados.
O levantamento integra a iniciativa Salário Digno Brasil, desenvolvida pelo ARI e pelo Cebrap. Os valores são apresentados como referências técnicas territorializadas e não substituem negociações coletivas, o salário mínimo ou outras políticas públicas. O trabalho teve apoio da EDP South America e da Jalles Machado.
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