Safra de soja deve bater recorde em 2026 e produção agrícola do Brasil alcança 348,7 milhões de toneladas

Novo levantamento do IBGE aponta avanço da soja, recuperação no Sul e crescimento da produção nacional de grãos em relação a 2025

Safra de soja deve bater recorde em 2026 e produção agrícola do Brasil alcança 348,7 milhões de toneladas

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 348,7 milhões de toneladas em 2026, segundo nova estimativa divulgada nesta quinta-feira, 14 de maio, pelo IBGE. O volume representa alta de 0,7% na comparação com 2025 e coloca a safra de soja no caminho de um novo recorde histórico no país. O crescimento projetado soma 2,6 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

Os números fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e mostram um cenário de estabilidade nas principais culturas do agronegócio brasileiro. Na comparação com março, a previsão avançou 0,1%, com acréscimo de 334.277 toneladas. O destaque permanece com a soja, responsável por puxar o desempenho nacional em meio ao avanço da produtividade e às condições climáticas consideradas favoráveis em diversas regiões produtoras.

Arroz, milho e soja seguem concentrando a maior parte da produção agrícola brasileira. Juntos, os três produtos representam 92,7% do volume estimado e ocupam 87,6% da área prevista para colheita em 2026. Enquanto a soja avançou 4,8% frente ao ano anterior, o sorgo registrou alta de 1%. Em sentido contrário, culturas como arroz, milho, trigo, feijão e algodão apresentaram retração na estimativa anual.

O gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, destacou que o comportamento do milho ainda depende do desempenho da segunda safra. “O milho tem produção estimada em 138,2 milhões de toneladas, com queda de 2,5% em relação ao recorde do ano passado, ainda que as condições da segunda safra sejam boas e o resultado final dependa da colheita, podendo surpreender. Algumas culturas apresentam recuo, como feijão (2,9 milhões de toneladas), arroz e algodão, este último com estimativa de 9 milhões de toneladas, alta mensal de 3,4%, mas queda de 8,9% no ano, reflexo dos preços mais baixos e da redução de área plantada. Por outro lado, o café se destaca com produção estimada em 4 milhões de toneladas e crescimento de 14,9% em relação ao ano anterior, impulsionado pela bienalidade positiva, pelas boas condições climáticas e pelos preços mais favoráveis, que estimularam o aumento da área cultivada e da produtividade”.

Centro-Oeste mantém liderança nacional na produção de grãos

A Região Centro Oeste continua liderando a produção brasileira de grãos, com previsão de 174,5 milhões de toneladas em 2026. O volume corresponde à metade de toda a safra nacional estimada pelo IBGE. Na sequência aparecem Sul, Sudeste, Nordeste e Norte. Mesmo com a liderança absoluta, o Centro Oeste teve retração anual de 2,3%.

O levantamento também apontou crescimento da produção no Sul e no Nordeste. As duas regiões avançaram 6,8% e 7,8%, respectivamente, na comparação anual. Já no recorte mensal, Nordeste e Sudeste apresentaram desempenho positivo. Sul e Norte registraram leve queda, enquanto o Centro Oeste ficou estável.

Entre os estados, o Mato Grosso segue isolado como maior produtor de grãos do país, concentrando 30,9% de participação nacional. Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais aparecem na sequência. Somados, esses seis estados respondem por 79,5% de toda a produção brasileira prevista para 2026.

A expansão da área cultivada também ajudou a sustentar o desempenho das principais culturas. A soja teve crescimento de 1,2% na área plantada. O milho avançou 3,4%, impulsionado principalmente pela primeira safra. Já o sorgo registrou aumento de 8,5%. Em contrapartida, arroz, algodão e feijão perderam espaço nas lavouras brasileiras.

Soja impulsiona safra histórica e recuperação no Sul chama atenção

A produção nacional de soja deve alcançar 174,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica do IBGE. O volume supera em 4,8% o resultado obtido em 2025 e teve crescimento de 0,2% em relação à estimativa de março. O avanço da produtividade e o clima favorável em áreas estratégicas ajudaram a elevar as projeções da oleaginosa.

O Mato Grosso manteve a liderança absoluta, com previsão de 50,5 milhões de toneladas. Goiás aparece entre os maiores produtores, apesar da expectativa de recuo anual. Mato Grosso do Sul registrou uma das maiores altas do país, com crescimento de 19,1% frente ao ciclo anterior. Paraná e Rio Grande do Sul também seguem entre os protagonistas da safra brasileira.

No Rio Grande do Sul, a recuperação das lavouras ganhou destaque após dificuldades climáticas enfrentadas em anos anteriores. A estimativa de abril indica produção de 18,4 milhões de toneladas, resultado 34,6% superior ao de 2025. O avanço reposiciona o estado entre os principais polos da soja nacional.

Carlos Alfredo Guedes comentou o cenário da oleaginosa e a recuperação da produção no Sul do país. “Trata-se de uma safra bastante semelhante à do ano passado, com crescimento puxado principalmente pela soja. A produção de soja foi estimada em 174,1 milhões de toneladas, com aumento de 0,2% em relação ao mês anterior e de 4,8% comparado a 2025, favorecida por condições climáticas muito boas, que resultaram em ganho de produtividade de cerca de 3,7% e uma safra recorde. Houve recuperação da produção na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, com estimativa de 18,6 milhões de toneladas de soja e crescimento de 34,6%, embora as projeções iniciais fossem maiores e tenham sido revistas para baixo devido a problemas climáticos”.

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