Alta nos salários, avanço do emprego e crescimento da massa de rendimentos impulsionam resultado histórico apontado pelo IBGE
O rendimento médio mensal da população brasileira alcançou o maior patamar já registrado pela PNAD Contínua. Dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, mostram que o brasileiro recebeu, em média, R$ 3.367 por mês em 2025, considerando todas as fontes de renda. O resultado representa crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior e marca o quarto ano seguido de avanço nos ganhos da população.
O levantamento também revela que o país conseguiu superar os efeitos econômicos deixados pela pandemia. Na comparação com 2019, antes da crise sanitária, o rendimento médio subiu 8,6%. Em relação ao início da série histórica, em 2012, a alta acumulada chega a 12,8%. O avanço foi sustentado principalmente pela recuperação do mercado de trabalho e pela ampliação do número de brasileiros com algum tipo de rendimento.
Dos 212,7 milhões de moradores do país em 2025, cerca de 143 milhões possuíam renda proveniente de trabalho, aposentadorias, programas sociais ou outras fontes. Isso representa 67,2% da população, o maior percentual registrado desde o início da pesquisa. A Região Sul apresentou o índice mais elevado, com 70,9% dos moradores recebendo algum rendimento. Norte e Nordeste permaneceram com os menores percentuais, apesar da evolução observada nos últimos anos.
O trabalho seguiu como principal motor financeiro dos brasileiros. Segundo o IBGE, 47,8% da população tinha rendimento habitual vindo da ocupação profissional em 2025. Já os ganhos vindos de aposentadorias, pensões e programas sociais atingiram 27,1% dos moradores. O movimento mantém a trajetória de recuperação iniciada em 2022, após as perdas provocadas pela COVID-19.
O rendimento médio mensal recebido pelos trabalhadores chegou a R$ 3.560 em 2025, também o maior nível da série histórica. A alta foi de 5,7% na comparação com 2024 e de 11,1% em relação ao período pré-pandemia. O crescimento ocorreu em todas as regiões do país, embora em ritmos diferentes.
O Centro- Oeste registrou o maior avanço anual, com crescimento de 9,5% no rendimento do trabalho. Em seguida aparecem Norte, com alta de 8,1%, e Sul, Sudeste e Nordeste também em trajetória positiva. Apesar disso, Nordeste e Norte continuam concentrando os menores valores médios do país, com rendimentos de R$ 2.475 e R$ 2.777, respectivamente.
Já as maiores médias salariais ficaram concentradas no Centro-Oeste, onde o rendimento médio chegou a R$ 4.133. Sul e Sudeste aparecem logo depois, com R$ 4.026 e R$ 3.958. Na comparação com 2019, Norte e Centro-Oeste tiveram os maiores avanços acumulados, próximos de 20%.
Outro indicador que chamou atenção foi a massa de rendimento mensal do trabalho. O volume total pago aos trabalhadores brasileiros atingiu R$ 361,7 bilhões em 2025, o maior valor já registrado pelo IBGE. O montante cresceu 7,5% em relação ao ano anterior e acumula alta de 23,5% desde 2019. O desempenho foi impulsionado tanto pelo aumento dos salários quanto pela expansão da população ocupada, que alcançou 101,6 milhões de pessoas.
As aposentadorias e pensões permaneceram como a principal fonte entre os rendimentos não ligados ao trabalho. Em 2025, 13,8% da população recebia esse tipo de benefício. Já os programas sociais atenderam 9,1% dos brasileiros, percentual estável em relação a 2024, mas acima do registrado antes da pandemia.
O Nordeste liderou a participação de beneficiários de programas sociais, com 15,8% da população atendida. No Norte, o índice ficou em 13,7%. O valor médio pago pelos programas governamentais chegou a R$ 870 em 2025, praticamente estável frente aos R$ 875 registrados no ano anterior.
Na comparação com 2019, porém, houve crescimento expressivo. O rendimento médio proveniente de programas sociais avançou 71,3% no país. Já aposentadorias e pensões mantiveram média de R$ 2.697, permanecendo próximas aos níveis observados nos últimos anos.
O rendimento domiciliar per capita também renovou recorde histórico. Em 2025, a média nacional chegou a R$ 2.264 por pessoa, alta de 6,9% em relação a 2024. O rendimento do trabalho respondeu por 75,1% dessa composição. O restante veio de aposentadorias, programas sociais, aluguel, pensão alimentícia e outras fontes complementares.
Apesar da melhora nos indicadores econômicos, a desigualdade social ainda permanece elevada no Brasil. O levantamento do IBGE mostra que os 10% mais ricos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres em 2025.
Além disso, os brasileiros com maiores rendimentos concentravam 40,3% de toda a massa de renda domiciliar do país. O percentual supera a fatia acumulada pelos 70% da população com menores rendimentos. Mesmo com a redução observada nos últimos anos, os números indicam que a distribuição de renda segue distante do equilíbrio.
Os indicadores de desigualdade apresentaram pequenas oscilações em 2025. O índice de Gini do rendimento do trabalho ficou em 0,491, próximo ao registrado em 2024 e abaixo do período anterior à pandemia. Já o índice referente ao rendimento domiciliar per capita passou de 0,504 para 0,511, mas continuou inferior aos níveis registrados em 2019.
A pesquisa também evidencia a distância entre domicílios beneficiados por programas sociais e aqueles sem auxílio governamental. Famílias que recebiam Bolsa Família tinham rendimento domiciliar per capita médio de R$ 774 em 2025. Entre os domicílios sem o benefício, o valor médio chegou a R$ 2.682. Nos lares atendidos por algum programa social, a renda média permaneceu abaixo de um terço da observada nas famílias não beneficiadas.
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