Resultado do IBGE mostra avanço da indústria goiana impulsionado por biocombustíveis e fabricação de veículos, enquanto alimentos registram retração
A produção industrial em Goiás voltou a apresentar desempenho positivo em maio e registrou o terceiro crescimento consecutivo na série com ajuste sazonal. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo IBGE, o setor avançou 0,7% em relação a abril, desempenho superior ao observado no país, que teve queda de 0,2% no mesmo período. Na comparação com maio do ano anterior, a expansão da indústria goiana chegou a 3,9%, mantendo o estado em trajetória de recuperação.
O resultado também melhora os indicadores acumulados da produção industrial em Goiás ao longo do ano. Entre janeiro e maio, o crescimento alcançou 1,8%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses chegou a 2,7%. No cenário nacional, os números permanecem mais modestos, com avanço de 1,4% no ano e de 0,4% em 12 meses, evidenciando um ritmo mais acelerado da atividade industrial goiana.
O levantamento aponta que o avanço registrado em maio representa a terceira alta consecutiva da indústria estadual, depois da estabilidade observada em fevereiro. A sequência positiva ocorre em um momento em que parte das unidades da Federação enfrenta desaceleração da produção, tornando o desempenho de Goiás um dos destaques entre os estados pesquisados pelo instituto.
O crescimento da produção industrial em Goiás foi sustentado principalmente pela expansão de oito dos 13 segmentos pesquisados. Entre eles, o maior destaque ficou para a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 28,5% na comparação anual. O setor foi impulsionado pelo aumento da produção de álcool etílico e biodiesel, itens que exerceram forte influência sobre o resultado geral da indústria.
Outro segmento que contribuiu significativamente para o desempenho positivo foi a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias. A atividade registrou crescimento expressivo de 131,2%, com destaque para a fabricação de automóveis equipados com motor a gasolina, álcool ou bicombustível. O avanço desse ramo ajudou a compensar perdas observadas em outras áreas da indústria estadual.
Os dados detalhados da pesquisa também mostram que produtos ligados à cadeia de biocombustíveis e ao setor automotivo figuraram entre aqueles com maior impacto positivo sobre o desempenho industrial de maio. O levantamento identifica álcool etílico, biodiesel e automóveis bicombustíveis como os principais responsáveis pelo crescimento registrado no período.
Apesar do resultado positivo da indústria, nem todos os segmentos acompanharam esse movimento. A fabricação de produtos alimentícios apresentou queda de 6,9% frente ao mesmo mês de 2025 e exerceu a principal influência negativa sobre o índice estadual. O setor acumula retração de 3,1% no ano, embora ainda mantenha saldo positivo de 2,6% nos últimos 12 meses.
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução da atividade industrial estão maionese, carnes e miudezas de aves congeladas, leite condensado e açúcar demerara em bruto. Já a fabricação de máquinas e equipamentos também registrou forte recuo, influenciada pela menor produção de máquinas para colheita e equipamentos destinados à pulverização agrícola.
Outros segmentos também encerraram maio com desempenho negativo. As maiores retrações ocorreram nas atividades de fabricação de bebidas, produtos químicos, confecção de artigos do vestuário e máquinas e equipamentos. Mesmo assim, o desempenho de setores estratégicos ligados à energia e à indústria automobilística garantiu saldo positivo para o conjunto da produção industrial goiana.
Na comparação entre as unidades da Federação, Goiás figurou entre os seis estados que registraram crescimento da produção industrial em maio. O avanço de 0,7% colocou o estado acima da média nacional e atrás apenas de Ceará (3,2%), Pernambuco (2,4%), Santa Catarina (2,3%), Amazonas (2,1%) e Paraná (1,4%).
No sentido oposto, os recuos mais intensos foram observados na Bahia, com queda de 8,9%, e em Mato Grosso, que registrou retração de 3,2%. O resultado confirma que a indústria brasileira apresentou comportamento desigual entre os estados durante o mês, enquanto Goiás conseguiu manter uma sequência positiva de crescimento.
A Pesquisa Industrial Mensal Produção Física acompanha mensalmente a atividade das indústrias extrativa e de transformação em diferentes estados brasileiros. Os indicadores permitem analisar a evolução da produção ao longo do tempo e comparar o desempenho entre os diversos setores industriais e as unidades da Federação.
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