Capital goiana está entre as cidades consideradas pela empresa para receber uma rota aérea de delivery
Entregas por drones em Goiânia pode ser uma nova alternativa logística para o setor alimentício a partir de 2027. A capital de Goiás está entre as cidades consideradas pelo iFood para receber uma rota de entregas com drones, em uma iniciativa apresentada pela empresa durante a terceira edição do iFood Move, realizada em São Paulo.
A possibilidade faz parte da estratégia do iFood de incorporar novas tecnologias à logística do delivery. A empresa já utiliza drones em operações no Brasil e avalia ampliar o modelo para outras localidades.
Em Goiânia, a operação ainda não tem formato definido. Uma eventual rota deverá levar em conta as características dos percursos, a logística local e as autorizações necessárias para esse tipo de atividade.
O modelo estudado não prevê a substituição dos entregadores. A proposta combina o deslocamento aéreo realizado pelo drone com o transporte convencional até o consumidor.
Em uma possível operação na capital, o equipamento poderá transportar o pedido entre pontos determinados. Na sequência, a entrega será concluída por meio terrestre. A estratégia permite utilizar o drone em trechos nos quais o transporte aéreo pode representar uma alternativa logística.
A tecnologia já é utilizada regularmente pelo iFood em duas cidades brasileiras: Barueri, em São Paulo, e Aracaju, em Sergipe. Nesses locais, existem rotas fixas com funcionamento diário.
As operações fazem parte do desenvolvimento de soluções para diferentes etapas da logística de delivery e combinam recursos tecnológicos com o modelo tradicional de entrega.
A possível chegada dos drones a Goiânia ocorre em meio a um ciclo de investimentos da companhia. O iFood anunciou a previsão de aplicar R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027, valor 41% superior ao registrado no ciclo anterior.
Os recursos previstos abrangem tecnologia, inteligência artificial, serviços voltados a restaurantes, soluções financeiras e expansão da operação de delivery.
Atualmente, a plataforma informa que conecta cerca de 65 milhões de consumidores, 450 mil restaurantes e 600 mil entregadores em todo o país. Para 2026, a previsão da empresa é chegar a aproximadamente 660 milhões de entregas, diante das cerca de 500 milhões realizadas em 2025.
A entrega de comida por drone segue um modelo diferente da ideia de uma aeronave levando o pedido diretamente até a janela ou varanda do consumidor. Na prática, a tecnologia é integrada à logística convencional para realizar parte do trajeto pelo ar e reduzir o tempo de deslocamento em determinados percursos.
No Brasil, empresas como o iFood utilizam esse modelo em parceria com fabricantes especializados, entre eles a Speedbird Aero. A operação combina pontos de decolagem e pouso, controle da aeronave e participação de entregadores na etapa final do percurso.
O processo começa da mesma maneira que uma entrega convencional: o consumidor realiza o pedido pelo aplicativo. Depois que a refeição fica pronta, ela é encaminhada para uma área preparada para a operação dos drones, chamada de droneporto.
Nesse ponto, o pedido é colocado em uma caixa de proteção acoplada à aeronave. A estrutura permite que a comida seja transportada durante o voo até outro ponto previamente definido para o pouso.
A operação pode envolver funcionários ou equipamentos auxiliares no deslocamento do pedido até a área de decolagem. A partir daí, o drone inicia o trecho aéreo programado.
O principal objetivo do drone é encurtar determinados trajetos. Em vez de percorrer todo o caminho pelas ruas, a aeronave utiliza uma rota aérea previamente estabelecida para transportar o pedido até outro ponto da operação.
De acordo com as informações apresentadas sobre esse modelo, os drones podem voar a aproximadamente 60 metros de altura e atingir velocidade de até 50 km/h. Embora o voo seja automatizado, a operação é acompanhada em tempo real por profissionais em um centro de controle especializado.
A vantagem logística está justamente na possibilidade de reduzir o tempo de deslocamento em trechos específicos. Percursos terrestres que poderiam levar entre 30 minutos e uma hora podem ser realizados pelo ar em cerca de cinco minutos, segundo as informações apresentadas sobre a operação.
Esse tipo de utilização pode ser especialmente útil em locais onde o deslocamento terrestre enfrenta obstáculos ou demora maior, como áreas com trânsito intenso, rios e acessos mais complexos.
Depois do voo, o drone não necessariamente chega diretamente à residência do consumidor. A aeronave pousa em outro droneporto, localizado em um ponto previamente determinado e próximo ao destino.
Esse local pode ser uma área central de um bairro ou um espaço específico dentro de um condomínio fechado, por exemplo. A partir dali, o pedido volta para o modelo tradicional de entrega.
Um entregador parceiro retira a caixa com a comida e assume a chamada “última milha”, expressão utilizada no setor para definir a etapa final do transporte até o consumidor. O percurso pode ser feito de moto, bicicleta ou a pé, dependendo das características do local.
O sistema, portanto, não elimina a participação do entregador. O profissional continua responsável por levar o pedido até a porta do cliente, enquanto o drone atua em uma etapa intermediária do deslocamento.
A lógica da entrega por drones é, portanto, multimodal. O mesmo pedido pode começar em um restaurante, seguir por via aérea durante parte do percurso e terminar novamente pelas ruas, com um entregador parceiro.
Esse formato também explica por que o drone não precisa pousar na residência do consumidor. Além de questões relacionadas à segurança e à regulamentação da atividade, a operação depende de pontos fixos preparados para pouso e decolagem.
A tecnologia passa a funcionar como uma ferramenta complementar à logística existente. Em vez de substituir completamente o transporte terrestre, o drone assume trechos específicos nos quais o deslocamento pelo ar pode reduzir o percurso e o tempo necessário para que o pedido avance na cadeia de entrega.
No caso de uma eventual expansão desse modelo para Goiânia, a definição das rotas dependerá das características da operação local e das autorizações necessárias para o funcionamento desse tipo de atividade.
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