Abóboras gigantes de Rio Verde resgatam símbolo histórico de Goiás

Cidade produz 500 toneladas de abóboras por ano para decorar espaços públicos e recuperar uma identidade que remonta ao século XIX

Abóboras gigantes transformam Rio Verde e resgatam símbolo histórico de Goiás

As abóboras gigantes de Rio Verde tomam praças, rotatórias, avenidas e prédios públicos durante agosto e setembro, período em que o município do sudoeste de Goiás celebra seu aniversário e recupera uma história iniciada no século XIX. A cidade, que completou 178 anos em 5 de agosto, usa os frutos na decoração como parte de um movimento de valorização de um símbolo que durante anos foi tratado de forma pejorativa pelos próprios moradores.

Conhecida pela produção de soja, milho e carnes, Rio Verde também mantém uma área exclusiva de seis hectares para o cultivo das abóboras usadas na ornamentação urbana. A produção chega a 500 toneladas por ano, o equivalente a aproximadamente 10 mil frutos, alguns deles próximos dos 100 quilos.

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Abóboras gigantes de Rio Verde remetem ao século XIX

A relação de Rio Verde com as abóboras remonta a aproximadamente 1870. Naquele período, cerca de 3 mil soldados do Exército brasileiro que lutaram na Guerra do Paraguai acamparam entre os rios Verdão e Verdinho, na área então conhecida como Arraial de Nossa Senhora das Dores do Rio Verde.

Com fome, as tropas encontraram nas abóboras, já abundantes na região, uma fonte de alimento. O episódio foi relatado pelo escritor Visconde de Taunay e teria originado os apelidos de “Arraial das Abóboras” e “Rio Verde das Abóboras”.

Por muito tempo, a referência foi encarada de maneira negativa por moradores. Atualmente, a história é recuperada como parte da identidade cultural do município.

O prefeito Wellington Carrijo Júnior relaciona essa mudança de percepção ao episódio envolvendo os militares no século XIX.

“Era um símbolo pejorativo, mas historicamente sempre foi bonito”, disse o prefeito.

“Quando se resgata esses símbolos, coloca-os expostos e isso fica bonito, tem um sentimento de pertencimento”, completou Carrijo.

Produção chega a 500 toneladas de abóboras por ano

A prefeitura mantém seis hectares destinados exclusivamente às abóboras que decoram Rio Verde. Entre as variedades que mais chamam a atenção estão duas de origem americana, Atlantic Giant e Mammoth, conhecidas pelo tamanho e pela coloração alaranjada.

São as mesmas variedades utilizadas nos Estados Unidos em ornamentações de Halloween.

O cultivo ocorre em uma área conhecida como Colônia dos Americanos, localizada a poucos quilômetros do centro de Rio Verde. A região recebeu produtores dos Estados Unidos e seus descendentes em meados da década de 1970, aproximadamente um século depois do episódio que associou as abóboras à história do município.

A produção anual alcança cerca de 10 mil abóboras. Cada fruto pesa, em média, 50 quilos, enquanto os maiores podem chegar perto dos 100 quilos. Também é cultivada a variedade brasileira Landa, conhecida como abóbora seca. Além do porte, ela se diferencia pelo formato alongado, semelhante a um pescoço.

Cultivo no Cerrado exige irrigação e proteção dos frutos

A produção ocorre durante o período seco do Cerrado, o que exige irrigação e manejo específico. A engenheira agrônoma da prefeitura Camila Caixeta, responsável pela área, acompanha cuidados que incluem adubação e até a aplicação de uma espécie de “protetor solar” nos frutos.

O objetivo do manejo é permitir que as abóboras atinjam o tamanho e a coloração desejados para a decoração da cidade. A colheita ocorre no fim de julho e movimenta um volume equivalente a quase 60 caminhões carregados. Depois, os frutos permanecem expostos nos espaços públicos durante aproximadamente dois meses.

Apesar do tamanho, boa parte das abóboras utilizadas na ornamentação não é indicada para alimentação humana.

“As abóboras gigantes alaranjadas não são comestíveis, pois são muito fibrosas, aguadas e não têm muito gosto. Elas são desenvolvidas para serem ornamentais”, explicou Camila Caixeta, engenheira agrônoma da prefeitura, ao Globo Rural.

No fim de setembro, os frutos são retirados dos pontos de decoração. Parte deles é destinada a criadores de suínos para alimentação animal.

Abóbora virou símbolo cultural e até mascote no futebol

Rio Verde registra a maior produtividade de abóboras por hectare do país. A relação com o fruto também aparece em festas juninas e festivais culinários realizados no município.

A identidade chegou ao futebol. O Esporte Clube Rio Verde, que disputa a segunda divisão do Campeonato Goiano, adotou como mascote o Abobrão.

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