Com cerca de 12 mil eventos anuais, os leilões permanecem como referência para preços, genética e negócios no setor pecuário brasileiro
Enquanto grande parte da compra e venda de bovinos ocorre por negociação direta entre pecuaristas e frigoríficos, os leilões de gado continuam ocupando posição relevante na cadeia produtiva brasileira. De acordo com o Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais (SNLR), o Brasil realiza aproximadamente 12 mil leilões de bovinos por ano, média de 34 eventos diários, que movimentam cerca de 7 milhões de animais. Além da comercialização, esses encontros contribuem para a formação de preços, a difusão de genética e a aproximação entre produtores e investidores.
O cenário acompanha a dimensão da pecuária nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui um dos maiores rebanhos comerciais do planeta, com aproximadamente 238 milhões de cabeças de bovinos. Nesse contexto, os remates seguem relevantes tanto para a pecuária de corte quanto para a seleção de animais com elevado padrão genético, especialmente em estados de forte tradição pecuária, como Goiás.
A modernização da pecuária brasileira também transformou a dinâmica dos leilões. Atualmente, os compradores costumam avaliar informações detalhadas sobre os animais antes da negociação, como avaliações genéticas, desempenho produtivo, histórico reprodutivo e índices zootécnicos. Esse conjunto de informações amplia a transparência das negociações e oferece maior segurança para investimentos voltados ao aumento da produtividade.
Para o diretor-presidente da 3M Leilões, Guilherme Scatena Neto, os eventos passaram a desempenhar funções que vão além da simples comercialização.
“Hoje o leilão vai muito além da venda de animais. É um ambiente onde o produtor acompanha o comportamento do mercado, avalia a qualidade genética dos rebanhos, faz networking e toma decisões importantes para o próprio negócio. Os preços praticados acabam servindo como referência para toda a cadeia produtiva”, afirma Guilherme Scatena Neto, diretor-presidente da 3M Leilões.
A busca por maior eficiência produtiva tem impulsionado a valorização de animais geneticamente superiores. Programas de melhoramento genético desenvolvidos por instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e associações de criadores contribuíram para ampliar o uso de avaliações técnicas, que hoje são amplamente utilizadas em leilões especializados.
Nesse ambiente, pecuaristas conseguem comparar diferentes lotes em um único evento, analisar indicadores produtivos e identificar animais capazes de melhorar índices como ganho de peso, fertilidade, precocidade e qualidade da carne.
Segundo Scatena, a profissionalização do setor elevou o nível técnico dos remates.
“Existe uma credibilidade muito grande nesse modelo. O produtor consegue apresentar seu trabalho, mostrar a qualidade do rebanho e negociar de forma transparente. Ao mesmo tempo, quem compra tem acesso a informações técnicas e pode comparar diferentes lotes em um único evento.”
Além da comercialização de bovinos, os leilões movimentam diversos segmentos da economia local. Empresas de transporte de animais, fabricantes de suplementos nutricionais, centrais de reprodução, laboratórios veterinários, prestadores de serviços especializados, hotéis, restaurantes e fornecedores ligados ao agronegócio costumam participar direta ou indiretamente da realização dos eventos.
Esse efeito é observado principalmente em estados com grande participação na produção de carne bovina, como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará, onde os leilões frequentemente reúnem produtores de diferentes regiões do país.
Mesmo com o crescimento das negociações diretas e das plataformas digitais voltadas ao agronegócio, os leilões continuam sendo considerados um ambiente importante para formação de preços e circulação de informações sobre o mercado pecuário.
Para Guilherme Scatena Neto, a tendência é de ampliação dos eventos especializados, principalmente aqueles direcionados à genética e à reposição de rebanhos.
“O mercado está cada vez mais técnico. O produtor busca eficiência, produtividade e animais capazes de entregar melhores resultados no campo. Os leilões acompanham essa evolução e continuam sendo uma importante ferramenta para conectar quem produz e quem investe na pecuária.”
Dados do IBGE, da Embrapa e do Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais indicam que os leilões seguem exercendo papel relevante na pecuária brasileira ao reunir comercialização, informações técnicas e oportunidades de negócios em um dos setores mais importantes do agronegócio nacional.
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