Tecnologia desenvolvida em Goiânia recebeu investimento de R$ 1,5 milhão e começa a chegar à base de clientes no segundo semestre de 2026
A 7TEC Automação lançou em agosto o ÈPTÁ ONE, inteligência artificial criada para transformar dados de abastecimento interno em informações voltadas à tomada de decisão de empresas de transporte e do agronegócio. Desenvolvida em Goiânia durante um ano por uma equipe de 25 desenvolvedores, a tecnologia recebeu investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão e busca ampliar o controle sobre o consumo de combustível, apontado pela companhia como a terceira maior despesa das operações atendidas.
A ferramenta utiliza os dados gerados pelo ÈPTÁ SGA, sistema de gestão e controle de abastecimento da 7TEC Automação. A proposta é permitir que gestores consultem informações sobre consumo, motoristas, equipamentos, rotas e atividades por meio de perguntas em linguagem natural, sem a necessidade de analisar diferentes painéis e relatórios antes de tomar uma decisão.
O desenvolvimento do ÈPTÁ ONE ocorre em um cenário no qual o diesel tem peso relevante nos custos de operações de transporte de cargas, passageiros e do agronegócio. Além de representar a terceira maior despesa dessas atividades, segundo as informações apresentadas pela empresa, o combustível está sujeito a oscilações de preço e aos efeitos de instabilidades geopolíticas.
Para Fabrício Francer, CEO da 7TEC Automação, a falta de controle sobre esse custo pode comprometer as margens das empresas em períodos de crise.
“Em momentos de vacas gordas, talvez isso não faça tanta diferença. Mas no momento de qualquer crise, não tendo um ajuste, não tendo um controle, ele [o combustível] vai gerar um impacto extremamente poderoso dentro da margem, e negócios que não estão preparados correm o risco, inclusive, de quebrar”, afirma Fabrício Francer, CEO da 7TEC Automação.
Na avaliação do executivo, outro desafio enfrentado atualmente pelas empresas está no volume de informações disponíveis. A dificuldade, segundo ele, deixou de ser apenas obter os dados e passou a envolver a capacidade de interpretá-los para tomar decisões.
“Antes, a dificuldade era conseguir o dado. Hoje, ele chega e inunda a mesa do empresário: são muitos dashboards e muita informação, porém nenhum que facilite a decisão com respostas diretas para apoio à decisão”, diz Francer.
O ÈPTÁ ONE funciona como uma inteligência artificial conversacional disponível pelo portal do cliente e por aplicativo para celular. A tecnologia está conectada ao sistema de controle de abastecimento ÈPTÁ SGA e utiliza o histórico acumulado pela operação na plataforma.
Isso permite considerar informações sobre abastecimentos, motoristas, equipamentos, rotas e safra em andamento durante as consultas. O gestor pode formular perguntas em linguagem natural, descrita por Francer como “em português, ou em goianês, sem precisar de dado técnico”.
Entre as aplicações apresentadas estão a comparação do desempenho de diferentes marcas e modelos de caminhões conforme a atividade realizada, a avaliação dos resultados de treinamentos de motoristas voltados à economia de combustível e a investigação de alterações de consumo em veículos específicos.
Segundo Francer, a conexão prévia com os dados operacionais é uma das diferenças do sistema em relação às ferramentas de inteligência artificial de uso geral.
“Essas ferramentas genéricas são muito boas, nós mesmos as usamos, mas exigem que o usuário crie contexto e explique todas as nuances da própria operação, lance os relatórios manualmente ou conecte ferramentas de terceiros, o que nem sempre é 100% seguro. O ÈPTÁ ONE já está conectado ao sistema de controle de abastecimento da 7TEC Automação, o ÈPTÁ SGA: ele conhece seus motoristas, seus equipamentos, suas rotas, a safra que você está rodando. Ele é seu e ele te conhece”, compara o CEO.
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Antes de chegar ao mercado, o ÈPTÁ ONE passou por meses de testes internos e foi utilizado por um grupo selecionado de clientes com alto nível de maturidade no uso da plataforma. O retorno desses usuários foi empregado no processo de evolução da inteligência artificial.
Francer também testou a ferramenta em seus negócios ligados aos setores de transporte e agronegócio. De acordo com o executivo, a decisão foi prolongar o período de testes antes de disponibilizar a tecnologia.
“Essa ferramenta poderia ter sido lançada no começo do ano. Nós seguramos de propósito: em vez de lançar rápido, eu prefiro lançar certo”, afirma.
A comercialização do ÈPTÁ ONE está aberta para novos clientes. A atual base da 7TEC Automação começa a receber a inteligência artificial durante o segundo semestre de 2026.
Embora o desenvolvimento tecnológico tenha levado cerca de um ano, Francer relaciona a criação da ferramenta aos 24 anos de atuação da empresa no segmento de gestão e controle de abastecimento.
“Se me perguntarem quanto tempo demorou para desenvolver o ÈPTÁ ONE, eu respondo: 24 anos. Ele carrega o DNA da 7TEC e a vivência de clientes que estão conosco há 15, 20 anos.”
Fundada há 24 anos, a 7TEC Automação é uma empresa goiana especializada em tecnologia para gestão e controle de abastecimento de combustível nos setores de agronegócio e transporte. O desenvolvimento das soluções é realizado no Brasil.
A empresa mantém o ecossistema ÈPTÁ, formado pelo portal ÈPTÁ SGA, pelo aplicativo ÈPTÁ MOB e pela inteligência artificial ÈPTÁ ONE.
Recentemente, a companhia passou por um reposicionamento de marca e estratégia, acompanhado do lançamento de novos produtos e serviços. Segundo Francer, as mudanças foram baseadas na observação do comportamento dos clientes acumulada durante a trajetória da empresa.
“O que está bom pode e deve melhorar. Nós olhamos para aquilo que tínhamos dentro de casa, um ouro em pó, que era a observação do comportamento do nosso cliente ao longo de quase 25 anos, e colocamos essa bagagem para funcionar apoiada em mais tecnologia”, explica.
Engenheiro eletricista de formação, Francer atribui a trajetória da tecnologia brasileira da empresa à proximidade com as operações dos clientes. Segundo o executivo, as soluções foram desenvolvidas no campo, “no meio da poeira”, a partir do contato com profissionais de diferentes funções, do frentista ao CEO.
A companhia possui clientes com 15 e 20 anos de relacionamento, conforme as informações apresentadas. Ao definir a identidade da empresa, Francer brinca: “É uma empresa brasileira, goiana, com cheiro de pequi”.
O executivo também resume o critério adotado para o desenvolvimento de produtos em uma frase que costuma utilizar em palestras: “Criem tecnologias que sejam úteis. Se a sua tecnologia não for usada, você falhou.”
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