Município goiano triplica riqueza em 10 anos, assume 2º maior PIB de Goiás e recebe megainvestimentos em milho, biodiesel e logística
Rio Verde, no sudoeste de Goiás, alcançou R$ 22,3 bilhões de PIB em 2023 e se tornou o segundo município mais rico do estado, atrás apenas de Goiânia. O dado foi divulgado pelo IBGE em dezembro e mostra que a cidade triplicou a riqueza em 10 anos. O avanço está ligado ao agronegócio, à industrialização da produção e à expansão da malha ferroviária que conecta o Centro-Oeste aos portos.
Além de ampliar a produção de grãos, o município passou a transformar soja e milho em proteína animal, biocombustíveis e alimentos processados. Esse movimento elevou o valor agregado local e mudou o perfil da economia. Hoje, Rio Verde responde por 30% das exportações de Goiás, índice que era de 17% ou 18% antes da operação do complexo ferroviário.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Denimarcio Borges de Oliveira, a diferença está na indústria instalada. “Se a gente comparar com Sorriso, em Mato Grosso, que é o maior produtor de grãos do Brasil, você não chega nesse PIB porque não tem o nível de industrialização que temos aqui. E esse é o nosso grande desafio, continuar industrializando”.
O município saiu da quarta para a segunda posição no ranking estadual de PIB. No Centro-Oeste, excluindo as capitais, lideraria em volume econômico. A combinação de produtividade agrícola, agroindústria forte e logística eficiente explica o salto.
A operação da Ferrovia Norte-Sul, administrada pela Rumo, alterou o mapa logístico da região. O terminal multimodal de Rio Verde foi inaugurado em 2023 e permite escoar produção até o porto do Itaqui, no Maranhão, e ao porto de Santos, em São Paulo. A cidade completa 4 anos de embarques diretos para Santos, com mais de 100 mil toneladas mensais de farelo de soja.
“Antes do complexo ferroviário era o segundo colocado e estava em 17% ou 18%. Aí conseguimos chegar em 30%”, disse Oliveira. A estrutura atraiu dois terminais de combustíveis e 30 distribuidoras, que operam com ligação direta a Paulínia, em São Paulo.
A presença industrial também pesa nas contas. A BRF mantém em Rio Verde a maior unidade da empresa, com 8 mil funcionários. A planta produz carnes e alimentos processados. “A BRF faz 14 mil pizzas por dia em Rio Verde”, citou o secretário.
O município também abriga quatro esmagadoras de soja em operação. Entre elas está a cooperativa Comigo, fundada no início dos anos 1980. Mesmo considerando apenas soja, milho e sorgo, Rio Verde ocupa a segunda posição nacional em produção. “O primeiro é Sorriso, só que ele tem 50% mais área agricultável do que Rio Verde. Nós plantamos 450 mil hectares e eles, 650 mil”, disse.
O milho ganhou protagonismo desde o fim da década de 1990, com avanço tecnológico e aumento de produtividade. A partir de 2010, a transformação do grão em aves e suínos ampliou a base industrial. Agora, a aposta recai sobre etanol e biodiesel.
Em outubro do ano passado, a Inpasa confirmou investimento de R$ 2,4 bilhões para construir uma usina de etanol de milho em Rio Verde. A operação está prevista para março de 2027, com possibilidade de antecipação para dezembro de 2026. A empresa já firma contratos para receber milho em agosto deste ano.
“Tem um mapeamento que nós fizemos, que mostra que no raio de 250 km nós temos mais de 12 milhões de toneladas de milho. Então a Inpasa vai consumir 2 milhões de toneladas de milho por ano, o município produz 2,8 milhões, nós contamos com a região inteira”, explicou.
A prefeitura calcula que, em um raio de mil quilômetros, está 65% do PIB brasileiro. “É um ponto estratégico para as empresas distribuírem, não só para o estado, mas para acessar Triângulo Mineiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins. Nós estamos no quarto ano já de operação direta para Santos (via ferrovia), com exportação de soja, milho, farelo. Estamos falando de mais de 100 mil toneladas de farelo de soja por mês”, afirma.
Outros projetos ampliam o ciclo de investimentos. A Comigo planeja uma indústria de biodiesel. O Grupo Cereal pretende elevar a produção de 650 mil para 1 milhão de litros por dia a partir do próximo ano. Já a Milhão Ingredients adquiriu, em 2024, a unidade de processamento de milho da Louis Dreyfus Company e pode dobrar a capacidade para 280 mil toneladas anuais.
“A Milhão está usando o milho não transgênico, o milho convencional, para produzir cerca de 40 produtos e atender 60 países diferentes, a partir de Goiás. É a maior unidade de moagem de milho a seco do país. A gama de produtos vai desde nutrição humana, alimentação animal, setor de minério, matéria-prima para produtos pet, enfim, agrega valor ao milho”, ressaltou.
O Grupo Brejeiro investiu R$ 200 milhões na ampliação da unidade de esmagamento de soja em 2024. Esses aportes ainda não aparecem no PIB divulgado até 2023. A expectativa da prefeitura é de novo salto quando os dados forem atualizados.
A chegada da usina de etanol deve estimular o plantio de eucalipto para biomassa em até 20 mil hectares, em áreas hoje ocupadas por pastagens. Também há previsão de expansão do sorgo, que poderá abastecer a produção de biocombustível.
O ritmo de crescimento pressiona a infraestrutura urbana. A prefeitura prepara investimento inicial de R$ 14 milhões para ampliar a pista do aeroporto em 500 metros. “Já estamos trabalhando em terraplanagem”, informou o secretário.
Instituições financeiras e empresas de sementes abriram escritórios na cidade. A GDM mantém unidade com 200 funcionários. Bancos como o BTG Pactual também passaram a operar localmente.
A administração municipal mantém programa de atração de investimentos e promete agilidade na liberação de licenças. No caso da Inpasa, o licenciamento ambiental foi concluído em 34 dias. O terreno inicialmente preparado para outra usina segue disponível para novos projetos, inclusive voltados ao combustível sustentável de aviação.
Com ciclos de expansão cada vez mais curtos, a cidade aposta na industrialização do campo e na logística para sustentar o crescimento nos próximos anos.
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