Alta no preço da arroba e menor oferta de animais sustentam valorização no mercado interno
O preço da carne bovina segue em trajetória de alta em Goiás e no restante do Brasil em 2026, impulsionado por um cenário de oferta restrita e demanda aquecida. O movimento já impacta diretamente o consumidor, que encontra valores mais elevados nos açougues e supermercados. Especialistas apontam que o avanço está ligado ao atual estágio do ciclo pecuário, que limita a disponibilidade de animais para abate.
De acordo com o analista do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, Marcelo Penha, o setor vive um momento de valorização típico desse ciclo. “A carne bovina… nós estamos no ciclo de alta da pecuária, com reposição cada vez mais cara. A arroba bateu, na semana passada, na média de Goiás, cerca de R$ 321 e continua com tendência de crescimento.”
Nos últimos anos, o abate intenso de fêmeas levou produtores a mudarem de estratégia. Agora, a prioridade é reter matrizes para recompor o rebanho, o que diminui a quantidade de animais disponíveis no curto prazo. Essa decisão impacta diretamente a cadeia produtiva e contribui para a elevação dos preços pagos pelos frigoríficos.
“A retenção de matrizes diminui a oferta de animais para os frigoríficos. Eles estão com dificuldade de encontrar boi e vaca no mercado, e isso mostra um aquecimento no setor”, explica.
Com menos animais disponíveis, frigoríficos competem pela compra, o que eleva as cotações e chega ao consumidor final. No início de 2026, a arroba do boi gordo já era negociada acima de R$ 315 em Goiás, com avanço consistente nas principais regiões produtoras. Em fevereiro e março, o ritmo de valorização ganhou força, acompanhando a demanda maior que a oferta.
Outro fator importante é o desempenho das exportações brasileiras, especialmente para a China, que seguem em alta. Ao mesmo tempo, a oferta limitada de animais prontos para abate mantém o mercado interno pressionado. Esse cenário contribui para a manutenção dos preços elevados também no varejo.
“Nada ainda de impacto de fatores externos, como guerra, no mercado brasileiro. O setor segue aquecido; é a lei da oferta e da procura”, afirma Marcelo Penha.
As projeções indicam que o movimento deve continuar ao longo de 2026. A estimativa para o preço da arroba gira entre R$ 330 e R$ 335 nos próximos meses, mantendo o custo da carne em níveis elevados. “A gente ainda tem tudo para manter a tendência de crescimento com o ciclo de alta da pecuária”, diz Penha.
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