O bom momento para o inquilino

O bom momento para o inquilino

POR AGNI AGUIAR

Quem paga aluguel está tendo uma janela de oportunidade desde novembro do ano passado. O principal indexador dos contratos de locação, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), teve resultado negativo no acumulado de 12 meses. Em dezembro, fechou em -1,05%.

Criado no final da década de 1940 com o objetivo oferecer uma visão abrangente sobre o comportamento dos preços, foram poucos os momentos em que o IGP-M teve comportamento negativo no acumulado de cada ano.

Na prática, quem está renovando a permanência no mesmo imóvel neste período não terá aumento de preço. Por si só, isso já representa ganho frente à inflação do País e cabe aos locatários avaliarem se realmente existe a necessidade de mudança de endereço, pois um novo contrato pode sair mais caro. Por outro lado, este cenário abre a possibilidade de negociação entre os proprietários que estão com os imóveis desocupados.

Se a situação está boa para o locatário, está ruim para o locador? Não necessariamente. Embora essa dicotomia seja um clichê, a sazonalidade também faz parte do mercado imobiliário, assim como de todo negócio, favorecendo ora um lado, ora outro.

Basta se lembrar de 2022 e de 2023, quando a valorização do aluguel residencial no País foi superior a 16%, segundo a pesquisa Fipezap. Naquele momento, a economia do País reagia às perdas econômicas da pandemia.

Goiânia se sobressai ainda mais neste mercado. Para se ter uma ideia, nos anos de 2022 e 2023, a valorização da locação imobiliária residencial aqui foi o dobro da nacional – alta de 32,93% e 37,28%, segundo o Fipezap. Certamente, este é um reflexo do crescimento da nossa capital jovem, que hoje tem a décima maior população do Brasil.

Olhando pelo prisma do locador, a segurança e a valorização do imóvel ao longo do tempo também fortalecem este ativo, mesmo em momentos em que a locação não apresenta os melhores números de retorno. Além disso, existe a alta demanda: de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma a cada cinco famílias vivem de aluguel em 2024.

Há, ainda, outros fatores que fortalecem a locação enquanto negócio neste momento, equilibrando esta balança, sendo um deles a alta taxa básica de juros do País. Ela elevou as taxas do financiamento habitacional e tornou os investimentos do mercado financeiro mais rentáveis. Por isso, para alguns locatários, pode ser mais interessante continuar pagando aluguel ao invés de comprar o imóvel e pagar caro pelo dinheiro emprestado. Aplicar bem o dinheiro pode fazer as economias crescerem para uma aquisição futura.

Agni Aguiar é especialista em locação imobiliária e fundadora da Asa Imobiliária
@agniiaguiar

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