Fieg reage a proposta de reduzir jornada de trabalho

Entidades alertam para impacto econômico e defendem debate técnico

Fieg reage a proposta de reduzir jornada de trabalho

A redução da jornada de trabalho voltou ao centro das discussões no Brasil e já provoca reação do setor industrial. Em Goiás, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) aderiu a um manifesto nacional que questiona mudanças na carga horária sem aumento de produtividade.

O documento, divulgado em 09 de abril de 2026 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reúne mais de 400 entidades empresariais. O grupo demonstra preocupação com possíveis efeitos sobre custos, empregos e competitividade caso a jornada semanal seja reduzida com manutenção dos salários.

Custos e empregos entram no debate

O posicionamento das entidades destaca que a alteração, se aplicada sem critérios técnicos, pode elevar despesas operacionais das empresas. Isso tende a impactar diretamente preços ao consumidor, investimentos e a capacidade de contratação.

Na avaliação do setor, mudanças dessa magnitude exigem análise detalhada da realidade econômica brasileira. O país ainda enfrenta desafios estruturais, como baixa produtividade e alto custo de produção, fatores que influenciam diretamente a competitividade industrial.

Em Goiás, a adesão da Fieg acompanha o movimento nacional e reforça a preocupação entre empresários locais. O presidente da entidade, André Rocha, defende cautela na condução do debate.

“A busca por mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é legítima, mas não podemos confundir escala com jornada. O que está em debate, na prática, é a redução da carga horária com manutenção de salários, e isso exige cautela para não penalizar quem gera empregos”, afirma.

Produtividade ainda é desafio no Brasil

Segundo o dirigente, o país ainda não reúne condições ideais para uma mudança ampla nesse modelo. Ele aponta que o crescimento da produtividade ocorre em ritmo lento, enquanto os custos seguem elevados.

“Temos um ambiente de negócios com custos elevados e produtividade que cresce de forma lenta. Reduzir a jornada por imposição legal, sem avanços concretos em eficiência, tende a aumentar despesas, pressionar preços e comprometer a capacidade de investimento das empresas”, pontua.

O tema também envolve o formato de implementação. Para a Fieg, acordos entre empresas e trabalhadores seriam o caminho mais adequado, permitindo ajustes conforme a realidade de cada setor.

“Cada setor tem suas particularidades. A legislação já permite que trabalhadores e empregadores construam soluções equilibradas por meio de acordos e convenções. Engessar esse processo pode enfraquecer o diálogo e limitar alternativas que hoje funcionam na prática”, acrescenta.

Competitividade internacional preocupa setor

Outro ponto levantado pelas entidades é o risco de perda de espaço do Brasil no mercado global. Com custos mais altos, a indústria nacional pode enfrentar dificuldades para competir com países que já operam com maior eficiência produtiva.

Experiências internacionais mostram que a redução da jornada ocorreu, em muitos casos, após avanços consistentes em tecnologia, qualificação profissional e inovação. Para o setor industrial, antecipar esse movimento sem essas bases pode gerar desequilíbrios econômicos.

Ao aderir ao manifesto, a Fieg defende que o debate sobre jornada de trabalho avance com base em dados, diálogo e planejamento. A entidade sustenta que mudanças nas relações de trabalho devem acompanhar ganhos reais de produtividade para garantir crescimento econômico sustentável.

Clique aqui para ler o manifesto completo.

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