IPCA sobe para 0,70% no mês, com forte impacto de Educação e Transportes no orçamento das famílias brasileiras
O custo de vida voltou a subir com mais intensidade em fevereiro no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, avançou 0,70% no mês, após marcar 0,33% em janeiro. O resultado foi divulgado em 12 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e mostra a influência direta do aumento das mensalidades escolares no início do ano letivo.
Mesmo com a aceleração, o índice ficou abaixo do observado em fevereiro de 2025, quando a inflação havia atingido 1,31%. No acumulado de 2026, o IPCA soma alta de 1,03%. Já no recorte de 12 meses, a inflação oficial do país alcançou 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior.
A pressão principal veio do grupo Educação, que registrou aumento de 5,21% e respondeu por 0,31 ponto percentual do índice mensal. Em seguida aparece o grupo Transportes, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual. Juntos, os dois setores representaram cerca de 66% de toda a inflação registrada em fevereiro.
Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o avanço do índice precisa ser analisado dentro de um contexto histórico recente. “Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31% houve uma pressão do grupo habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026”, explicou Fernando Gonçalves.
Ele também destacou o comportamento da área educacional em comparação ao mesmo período do ano passado. “Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025”, acrescentou.
Os reajustes praticados no início do calendário escolar foram decisivos para o avanço da inflação. Sozinho, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do IPCA de fevereiro. O maior impacto veio dos cursos regulares, que subiram 6,20% no período.
Dentro dessa categoria, as maiores altas apareceram no ensino médio, com aumento de 8,19%. O ensino fundamental registrou elevação de 8,11%. Já a pré-escola apresentou avanço de 7,48%, refletindo os reajustes aplicados pelas instituições privadas em todo o país.
No grupo Transportes, o destaque foi a forte alta das passagens aéreas, que subiram 11,40%. Também registraram aumento o seguro voluntário de veículos, com 5,62%, além do conserto de automóvel, que avançou 1,22%, e do ônibus urbano, com elevação de 1,14%.
Entre os combustíveis, o comportamento foi misto. O índice geral caiu 0,47%. A gasolina recuou 0,61% e o gás veicular diminuiu 3,10%. Em sentido oposto, o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel avançou 0,23%.
O grupo Alimentação e bebidas registrou variação de 0,26% em fevereiro, ligeiramente acima dos 0,23% de janeiro. O resultado veio principalmente da alimentação dentro de casa, que passou de 0,10% no mês anterior para 0,23%.
Alguns produtos específicos tiveram alta expressiva. O preço do açaí subiu 25,29%. O feijão-carioca aumentou 11,73%. Também avançaram o ovo de galinha, com 4,55%, e as carnes, com alta de 0,58%.
Em contrapartida, outros itens importantes da cesta básica ficaram mais baratos. As frutas tiveram queda de 2,78%. O óleo de soja recuou 2,62%. O arroz caiu 2,36% e o café moído registrou retração de 1,20%.
A alimentação fora de casa apresentou desaceleração. O índice caiu de 0,55% em janeiro para 0,34% em fevereiro. O preço das refeições passou de 0,66% para 0,49%, enquanto os lanches variaram de 0,27% para 0,15%.
Fernando Gonçalves observou que alguns alimentos que haviam pressionado a inflação no ano anterior perderam força. “O grupo dos alimentos variou 0,26%, em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses. Além desses produtos o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses dada a boa oferta do cereal”.
O grupo Habitação apresentou alta de 0,30% em fevereiro, após queda de 0,11% em janeiro. A principal influência veio da taxa de água e esgoto, que subiu 0,84%. O movimento reflete reajustes aplicados em diferentes capitais brasileiras.
Entre eles estão aumentos de 6,21% e 4,69% em Porto Alegre, vigentes desde 23 de fevereiro e 1º de janeiro. Em Belo Horizonte houve reajuste de 6,56% a partir de 22 de janeiro. Campo Grande registrou aumento de 4,57% desde 3 de janeiro e São Paulo teve alta de 6,48% desde 1º de janeiro.
A energia elétrica residencial variou 0,33%, com manutenção da bandeira tarifária verde. Já o gás encanado caiu 1,60%, influenciado por reduções tarifárias aplicadas no Rio de Janeiro e em Curitiba.
No grupo Saúde e cuidados pessoais, o índice avançou 0,59%. Os artigos de higiene pessoal subiram 0,92%, enquanto os planos de saúde registraram aumento de 0,49%.
O comportamento da inflação variou entre as capitais monitoradas pelo IBGE. Fortaleza apresentou a maior taxa em fevereiro, com 0,98%. O resultado foi influenciado principalmente pela alta dos cursos regulares e pelo aumento da gasolina na cidade.
Já Rio Branco teve a menor variação do mês, com apenas 0,07%. A queda da energia elétrica residencial e a redução nos preços de automóveis novos contribuíram para o resultado mais baixo na capital acreana.
Outro indicador acompanhado de perto pelos economistas também mostrou aceleração. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, subiu 0,56% em fevereiro. Em janeiro, a alta havia sido de 0,39%.
No acumulado de 2026, o indicador soma avanço de 0,95%. Nos últimos 12 meses, a variação chegou a 3,36%, abaixo dos 4,30% registrados no período anterior. Em fevereiro de 2025, o índice havia marcado 1,48%.
Os alimentos passaram de 0,14% em janeiro para 0,26% em fevereiro. Já os produtos não alimentícios avançaram de 0,47% para 0,66%.
Entre as regiões analisadas, Fortaleza registrou novamente a maior alta, com 0,98%. Campo Grande apresentou a menor variação, com 0,07%, influenciada pela queda na energia elétrica residencial e no preço do tomate.
O IPCA mede a inflação para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Já o INPC considera famílias com renda entre um e cinco salários mínimos. O levantamento inclui regiões metropolitanas e capitais de todo o país.
O próximo resultado do IPCA, referente a março de 2026, será divulgado pelo IBGE em 10 de abril.
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